Saturday, June 26, 2010

Copa 2010 (parte 11) - Sem Kaká, o Brasil não é time grande



Tecla batida há praticamente um ano ou talvez mais, a ausência de Kaká foi muitíssimo sentida no terceiro jogo da seleção brasileira contra Portugal, como previram trocentos mil blogueiros, comentaristas, analistas, etc, incluindo este que vos escreve, no post "erros que geram erros". Com a também ausência de Robinho, as carências do time foram bem sentidas, e pioradas com a saída de Felipe Melo, substituido por Josué, mais um cão de guarda de Dunga com cadeira cativa entre os 23. Se Kleberson foi convocado para a reserva de segundo volante, por que Josué? Melhor ainda... Por que Kleberson?

Não duvido que, confirmada a possível ausência do volante da Juventus - outro jogador que fará muita falta no meio campo, pois não possui reserva a altura - podemos ter Ramires em seu lugar e não Kleberson, que talvez tenha vindo à África só para passear.

O problema da lateral esquerda é crônico, porém mais aceitável porque o futebol brasileiro não oferece tantas opções para a posição. O do meio-de-campo e, principalmente, no posto do meia-armador-atacante, onde todo o modus-operandi ofensivo desse estilo Dunga da seleção jogar se sustenta, não se deve apenas à carência de jogadores, mas à fé do treinador na eficácia de seus volantes ofensivos e defensivos. Se pudesse, escalava volantes até no ataque.



Hoje ficou mais do que provado que a ausência de Ronaldinho Gaúcho (ou Paulo Henrique Ganso, como preferirem) entre os 23 é injustificável, que Julio Baptista está na copa como forma de agradecimento por serviços prestados na Copa América, quando ninguém queria jogar na posição, e que, apesar de possuir uma escalação forte entre os 11 titulares, o Brasil é um time mediano e previsibilíssimo no momento em que perde dois ou três jogadores chave, em especial, quando perde o grande cérebro do meio-de-campo, o elo de transição, o criador das jogadas, o organizador dos contra-ataques, o cara que mesmo quando está mal é referência para os outros saberem para onde correr sempre que o time tem a bola no pé. Kaká. Dunga colocou um elefante de responsabilidade em seus ombros, concentrou os pilares de todas as suas outras escolhas que fez acreditando que ele compensaria a falta de imaginação de seus cães de guarda e tornaria o Brasil uma "máquina roubadora de bola" com criatividade. Imaginou que, com Kaká, Robinho e Felipe Melo, não precisaria mais de craques, só operários, do meio-campo para frente. Kaká não está bem, operará o púbis após a copa e se recupera de um problema nessa parte do corpo. No entanto, a CBF conta com ele até o fim da competição, para todos os jogos, e hoje soube (como se não soubesse antes) que sem ele o Brasil é só um time mediano aguerrido que não sabe conuzir a bola da defesa ao ataque.

Ronaldinho devia estar nessa copa, mas não está. Um absurdo. O Brasil não tem um plantel infinito de craques para abrir mão de seus melhores talentos, dos escanteios e das faltas bem batidas, hoje quase carência nessa seleção, como nunca antes. Dunga implementou qualidades ao selecionado canarinho desde que assumiu e seus resultados não vieram à toa, mas seu ponto fraco, que é convocar mal e confiar demais no comprometimento e muito pouco no talento, pode afundá-lo nessa copa. Se talento não ganha copa sozinho, comprometimento, menos ainda. A tal lição de 2006 foi levada à ferro e fogo sem o mínimo de reflexão e sensatez. Sem considerar a diferença entre cada situação.

Naquele ano, reclamou-se de privilégios para jogadores mais talentosos. Dunga cortou os privilégios e os talentos também sumiram. O time se sustentava em uns poucos que ficaram. Sem eles e, principalmente, sem Kaká, não existe seleção brasileira, só um bando de volantes truculentos que marcam e não jogam.

O futebol coletivo sobre o qual nosso treinador tanto fala, e que deveria sustentar os talentos individuais em campo é sustentado por um indíviduo. Kaká.


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