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Tuesday, June 08, 2010

O Efeito Barrichello



É possível que uma das melhores coisas feitas por Rubens Barrichello em prol da Formula-1 tenha sido deixar Schumacher passá-lo na reta final do GP da Áustria de 2002, em vez de tentar, por exemplo, vencer o GP, desobedecendo a equipe, como tanto queriam os torcedores.

Por que? Chego lá em breve.

Voltando à 2010, todo mundo viu que Lewis Hamilton, apesar de ter vencido o GP da Turquia, não comemorou como de costume, estava meio sério, bronqueado, e desconfiou-se que seria um problema com a equipe, que lhe teria pedido para economizar combustível, ao passo que Jenson Button, logo atrás, se aproveitara da situação, gerando o duelo entre os dois que foi o ponto alto da corrida.

Hoje saiu a notícia no site Grande Prêmio confirmando a suspeita. O video oficial da prova mostra claramente a conversa pelo rádio entre Lewis e seu engenheiro logo após o a batida das duas Red Bulls. Segue o conteúdo da conversa de acordo com a fonte:

"Logo após o acidente das Red Bull, a equipe inglesa mandou Lewis economizar combustível, alegando que “os outros carros estavam fazendo o mesmo”. Hamilton acatou, mas percebeu que Button se aproximava perigosamente a cada volta. “Jenson está chegando perto de mim. Se eu recuar, Jenson vai me passar ou não?”, indagou o inglês. Como resposta ouviu um “Não, Lewis, não”, do time.

Como se sabe, não foi o que aconteceu. Button conseguiu a ultrapassagem, o que obrigou Hamilton a ter de retomar a liderança. Não ficou claro, contudo, se Button tinha conhecimento das instruções de não passar Hamilton."



Pois é. A épica briga entre os dois que será (ou seria, não sei) lembrada como um dos melhores momentos de 2010 e da F-1 contemporânea, um exemplo de equipe com espírito esportivo que deixa seus pilotos lutarem pela vitória com respeito, pilotos estes aguerridos mas cavalheiros, tudo isso só aconteceu porque o time deu mole. Não foi claro na hora de dar as ordens a seus pupilos. Talvez Jenson não a tenha recebido, ou talvez tivessem também lhe pedido para economizar e ele deu uma de João sem Braço, ou o engenheiro dele ficou quietinho quando não deveria... Alguem pode perguntar se de repente a McLaren estaria favorecendo Button na encolha enquanto a RedBull teria a mesma estratégia a favor de Vettel. Minha respota: Não creio. Meu palpite para esses dois "mal-entendidos" é outro, e tem a ver com o Efeito Barrichello do primeiro parágrafo. As equipes têm medo de dar ordens claras a seus pilotos de que não devem ultrapassar o companheiro ou dicas óbvias de que Joãoznho não será ultrapassado ou deve deixar Manuel vencer pelo bem do campeonato. Quando um time, como no caso da Mclaren e talvez da própria RedBull ao pedir que Webber corresse em modo econômico, não quer correr o risco de ver seus dois pilotos batendo em função de uma briga por posição ou pela liderança, ela não diz "Button, mude para o modo econômico e não ultrapasse Lewis Hamilton, repito, você não pode ultrapassar Lewis!". Por que? Porque se fizer isso, corre o risco dos comissários da FIA a punirem por atentado contra a esportividade.



Desde a atitude de Rubinho em 2002, é oficialmente proibido, especialmente se os dois pilotos têm chances claras ao título, de se impedir que dois companheiros de equipe lutem por uma posição. Extra-oficialmente, a FIA pode fazer vista grossa, desde que a comunicação pelo rádio dê a entender que a intenção do time era poupar material, evitar desgastes desnecessários ao final da corrida, etc. Uma equipe que não quer que seus pilotos batam lutando por posição ou sacrifiquem pneu, carro, motor, combustível, etc, não pode simplesmente dizer "Não ultrapassem!". Tem que dizer "Economize motor! Poupe combustível, os outros estão poupando! Poupe os Pneus! Tragam as crianças para casa!" , o que abre brechas para uma infinidade de mal-entendidos e más-intenções por parte de engenheiros ou pilotos que queiram se aproveitar da situação. Não sei se Button foi mal informado ou quis dar uma de João sem braço, mas se Hamilton não tivesse recuperado a posição de cara e Button não lhe permitisse fazer isso depois, Lewis poderia ficar emburrado à vontade, mas pouco teria a declarar em sua defesa. Sair no microfone alegando que a equipe lhe garantiu que não seria ultrapassado? Nem pensar. Mesmo com a prova óbvia na comunicação de rádio (Hamilton forçou o engenheiro a dizer que ele não perderia posição, porque até então o engenheiro não lhe havia dado garantia alguma. No máximo, "deu a entender"). Lewis seria acusado de anti-desportivismo, ficaria em maus lençóis com o chefe e por aí vai. Lembremos que a briga dele com Alonso em 2007 só aconteceu depois de um GP de Mônaco onde a imprensa inglesa pressionou a FIA a botar a McLaren na parede por não ter deixado o britânico brigar pela vitória com o companheiro. Abriu-se a brecha para que Hamilton pudesse, de fato, enfrentar Alonso, que, no fundo, era o que muita gente na equipe queria.



A solução: Bom... talvez uns códigos tipo "Lewis, a galinha azul foi para a primeira base!", que significa, "Não ultrapasse Button, sob qualquer hipótese. Ou, "Button, a rebimboca da parafuseta ao lado do cabeçote está frouxa", leia-se: "Deixe Lewis passar for the championship. For the championship, Jenson!"

Pois é. Fica a prova de que, se dependesse da espontaneidade da corrida, Webber teria segurado Vettel, Hamilton e Button até o final, nessa ordem, sem nenhuma ultrapassagem no pelotão dianteiro, a não ser que o piloto da frente errasse, independente dos esforços de quem vinha atrás. Agradeçamos ao Mago da Formula-1, Herman Tilke, por seus autódromos lindos e muito seguros.

E tem gente que ainda preferia que Rubinho tivesse "ignorado as ordens da equipe, segurando Schumacher!". Valeu Barrica, pelos serviços prestados ao esporte

A ironia: Jean Todd é, desde 2009, presidente da FIA.

Monday, May 31, 2010

GP da Turquia - Comentários



Não. Esse não é um blog sobre Formula-1. Eu pretendia postar um texto que publiquei na revista Sina, mas, por varios motivos, não o fiz. Ficam então dois textos "quase seguidos" sobre formula-1. Na copa, o assunto será mesmo futebol, como em 2006, em que teci várias reflexões sobre os jogos da copa.

Agora, falando da corrida, pode-se dizer que ela foi boa e que poderia ter sido muito melhor se a pista de Istambul permitisse. Não é uma pista ruim. Tem um traçado de curvas alternadas de alta que permitem brigas mas não permitem ultrapassagens, que deveriam ocorrer, em sua maioria, na reta dos boxes, se essa tivesse um tamanho adequado. O piloto vem colado numa sequencia de curvas, mas não tem reta suficiente para pegar o vácuo. Talvez numa outra Formula-1 menos aerodinamicamente dependente, isso não fosse problema, mas na atual é. Se os dois carros brigando por posição têm desempenho parecido, o que está atrás tem grande desvantagem e só passa se o da frente errar ou se forçar demais e tiver muita sorte. Com isso, beneficiam-se os conservadores. Lewis Hamilton não foi conservador nas voltas em que tentou fazer milagre para passar Webber onde não podia, mas só ganhou posição mesmo com o erro da ousadia alheia, ou seja, bem ou mal, a corrida premiou mais quem espera do que quem tenta. Ironicamente, Hamilton, que sempre tenta, se deu bem mesmo quando esperou.



Vettel foi para cima, talvez com um pingo de precipitação, mas a culpa pelo acidente dele com Webber foi mais da própria pista do que do alemão. Parece idiota dizer isso, mas ser sábio, inteligente, conservador, para Vettel, segundo a imprensa que o está criticando, seria passar a corrida inteira atrás do companheiro de equipe, porque se Webber não quisesse e não errasse, Vettel jamais acharia uma brecha para passá-lo sem forçar a barra. E forçar a barra seria fazer como fez, arriscando a corrida de ambos. Numa pista como Montreal, por exemplo, haveria trechos para ultrapassagens mais seguras. Em Istambul, se os dois carros estão em condições parecidas, só se passa é "na marra" mesmo.




Hamilton e Button protagonizaram outro ponto alto da prova quando o atual campeão do mundo conseguiu descolar um espaço e brilhantemente ultrapassar o companheiro, aproveitando-se da tomada da curva seguinte, mas Hamilton foi Hamilton e botou por dentro na mini-reta dos boxes enquanto Button recobrava o equilíbrio perdido em função da ultrapassagem. Falhasse nessa tentativa e talvez não tivesse outra chance.


Aliás, vi um Button ousado hoje, decidido contra Schumacher e sem medo de partir para cima do companheiro Lewis. Não fosse o problema de combustível, teríamos mais brigas entre os dois.




A imprensa já está malhando Vettel e malhando a Red Bull por sua postura competitiva de deixar os pilotos brigarem livremente. "Certa é a ferrari, que manda levar as crianças para casa", já dizem alguns. Fizessem assim a Reb Bull e a Mclaren, e teríamos hoje mais uma corrida chata no pelotão dianteiro. Bom para equipe, agir como a Ferrari? Claro, como também era bom fazer o que fazia em 2002, quando Schumacher tinha que chegar sempre na frente de Rubinho. Para equipe é sempre melhor que exista uma ordem e, em alguns casos, até ter um piloto mais fraco para não interferir no piloto principal. Mas isso, como já vimos em anos anteriores, acaba com a competitividade da categoria, que hoje, mais do que em outras épocas, precisa do máximo de brechas possíveis para que existam disputas. Nos anos 70, não era problema, haver essa ordem, porque o equilíbrio entre os times e as possibilidades de ultrapassagem eram bem maiores.



Vettel errou sim em forçar a barra, mas o traçado de Istambul o induziu a isso, como praticamente obrigou Alonso a furar o pneu de Petrov para superá-lo. Essa temporada 2010 vem premiando mais os conservadores que os ousados e espero que agora, passada a temporada dos Tilkodromos e entrando nas pistas mais tradicionais, a coisa mude um pouco de figura. Montreal é uma pista ótima, com muitos pontos de ultrapassagem, então, pelo menos nesse quesito, podemos ter uma evolução daqui a duas semanas.

E que a Red Bull esqueça os clamores dos "entendidos" e mantenha sua postura liberal com os pilotos, pelo menos enquanto ambos tiverem chances claras de brigar pelo título.




No meu modo de ver, na disputa com Webber, Vettel quis fazer o que Hamilton fazia em seus primeiros anos de Formula-1. Uma vez que botou de lado, sentiu-se com a preferência e deu uma triscada para a direita a fim de fazer Webber tirar o carro do traçado principal e, com isso, não pegar a parte suja da pista para frear. Em muitas ocasiões, o piloto que vem por fora, percebendo a inevitabilidade da situação, "cede", ou seja, dá a tangência da curva para o que vem de dentro, contorna por fora e diminui a velocidade, cavalheiristicamente, admitindo ter sido ultrapasado. Webber, já puto porque Vettel resolveu passá-lo justamente na volta em que a equipe lhe pediu que pilotasse no modo "econômico" para não gastar combustível, não deu essa colher de chá. Manteve seu traçado e deixou a parte suja da pista para Vettel, como se dissesse: "Cê botou o carro aí, fio, então te vira pião!" Não fez nada que o regulamento não permitisse e, portanto, pode-se dizer que Vettel se precipitou em sua manobra. Mesmo assim, o grande problema não foi ele, mas o próprio circuito de Istambul, pelas razões já mencionadas.




obs: 90% desse texto foi escrito ontem, então, houve algumas pequenas atualizações nos noticiários de ontem para hoje. Se houver tempo, escrevo algumas complementações sobre o assunto. O Flavio Gomes escreveu hoje levando em consideração as informações liberadas na imprensa após a corrida.

Tuesday, May 18, 2010

Bandeira verde de mentirinha



Tudo leva a crer que muita gente não conhecia direito as modificações recentes do artigo 40 das regras da FIA. Quando os computadores anunciaram "safety car in this lap" (o carro de segurança sai nessa volta) para o final da última volta, muitos pilotos e chefes de equipe acharam que a corrida valeria normalmente em seus ultimos metros, como numa relargada normal, e que transposta a linha do safety car, que não é a linha de chegada, mas outra, colocada na última curva, qualquer ultrapassagem até a linha de chegada seria válida. Muito engenheiro alertou piloto a ficar alerta nesses ultimos metros. Os pilotos ficaram, e aceleraram. Fernando Alonso perdeu a tangência e Schumacher passou. Só que a saída so safety car na última volta é um procedimento normal para qualquer corrida que terminar em bandeira amarela, assim como o sinal verde e as bandeiras verdes nos ultimos metros. São ilustrativas, para fingir que a corrida terminou como corrida e ficar diferente da Formula-Indy, ou seja, as regras de bandeira verde não existem nesse caso. A amarela só finge que sai. Não existe "safety car in this lap" na volta final. Essa palhaçada decorativa e desnecessária confundiu todo mundo, equipes e pilotos. No fim, Michael Schumacher foi punido pela ignorância da Mercedes e estupidez de quem elabora as regras. Detalhes sobre essa questão você encontra no Blog do Vidal.



De mais, corrida chata, sem ultrapassagens, o que não seria tão anormal, tratando-se de Mônaco. Mas quase todas as etapas no seco até agora confirmaram minhas suspeitas do GP do Bahrein, de que muitas das novas regras só pioraram a Formula-1. A qualificação se torna mais decisiva do que nunca e Mark Webber tem sido ultimamente mais rápido que Sebastian Vettel nessas sessões. Se a equipe tivesse um carro fraco ou razoável, acho que Vettel teria vantagem, por suas qualidades de tirar leite de pedra, mas com um chassis bom e equilibrado, Webber vem conseguindo andar tão bem ou melhor que o companheiro, surpreendendo muita gente, inclusive a mim. Ano passado ele chegou a ensaiar uma rivalidade com Vettel na equipe, mas depois desmilingüiu. Esse ano fez más qualificações no início da temporada enquanto o parceiro largava bem na frente, tomou um passão do companheiro na única pole que fez antes do GP da Espanha, mas de lá para cá, manteve a regularidade, e, com pista limpa, sabe ser rápido. Continuando assim, é seríssimo candidato ao título (já é, na verdade, pois lidera o campeonato).

Tuesday, May 11, 2010

Rubinho tinha razão



Antes da temporada começar, algum reporter perguntou a Rubens Barrichello que conselho ele daria a Nico Rosberg, piloto recém empregado na equipe Mercedes, que teria como parceiro ninguém menos que Michael Schumacher, com quem Rubens dividiu a Ferrari por 6 frustrantes anos. A resposta do brasileiro veio na lata. "Sai daí!". Bastou para que Rubinho fosse chamado de rancoroso para baixo pela torcida e pelo próprio Nico, para quem a parceria com Schumi não significava uma promessa de problemas.

Campeonato começa, Schumi mal, Rosberg brigando pelo título, Schumi reclamando de um carro que não estava a seu feitio, a fábrica precisando escolher entre o legado de um multicampeão e o título de um jovem talento dentro do próprio time na hora de definir que especiaficações seguir para o upgrade de seu chassis, a estrear semana passada, em Barcelona. Resposta: Schumacher. A referência do automobilismo alemão recebeu um socorro da montadora, que adaptou o W01 a suas reclamações, ainda que Rosberg fosse o cara a disputar o campeonato. Resultado: Schumi melhorou sensivelmente em performance, passou a andar mais que o companheiro e fez uma ótima corrida no domingo, segurando Button brilhantemente por 40 voltas. Já Rosberg, que até a etapa anterior estava sempre entre os 6 primeiros, amargou um nono lugar na largada e o pelotão intermediário ao longo da corrida, ou seja, não foi só Schumi que ganhou com esse chassis renovado, Rosberg perdeu, e garanto que as preocupações em adaptar a evolução do projeto a suas requisições não serão as mesmas que a equipe teve e terá com Schumi que, mesmo não disputando o título, é um patrimonio da história automobilistica alemã e não seria deixado na mão numa situação como a que atravessava.

Hoje, Rosberg deve estar pensando, se lembrando, do sábio conselho de Rubens Barrichello.


Wednesday, April 21, 2010

Água, abençoada água...



Há um mês, expressei neste blog minhas preocupações acerca da temporada 2010 de Formula-1, que poderia ser um campeonato disputado, mas de corridas chatas.

Bom, já se foram mais três etapas de lá para cá. A monotonia saiu de cena, tivemos duas provas emocionantes e outra que valeu a pena assistir. Fim das preocupações? Não exatamente. Como mencionei no outro post "Só espero que a coisa não fique ruim a ponto de precisarmos torcer para chover, se quisermos ver troca de posições na pista entre os pelotões dianteiros, digo, depois da primeira volta." Bom... choveu. Nas primeiras e decisivas voltas do GP da Austrália, na qualificação da Malásia, que nos propiciou carros velozes largando no pelotão de trás e correndo atrás do prejuízo, e em quase todo o GP da China.

Não me direi pessimista. É possível que o marasmo do Bahrein também se deva ao desconhecimento, pelas equipes, de como aproveitar o novo regulamento, além de, claro, o próprio traçado do circuito.

Torço para que tenhamos mais boas corridas, e também boas corridas no seco após um qualifying normal com os mais rápidos largando no pelotão da frente. Na Malásia, ainda deu para sentir que estava difícil ultrapassar. Massa passou Button no gargalo e Alonso, mesmo mais rápido, não conseguiu fazê-lo. Deixando de lado o talento incontestável do inglês, podia-se notar uma dificuldade muito grande de se achar e manter o vácuo quando duelando com um adversário que tinha um carro mais lento, mas não "tão" mais lento.

Xangai, com a pista molhada, foi outra história. Ultrapassagens para dar e vender e um show do cara que está tomando conta dessa temporada, ainda que não a lidere. Lewis Hamilton merece considerações a parte esse ano, e talvez em todos os anos que disputou, pela contribuição em tornar nossas corridas mais interessantes. 2007 não seria nem perto do que foi sem ele, pois, provavelmente, teríamos Alonso ganhando fácil o título e a Ferrari sem muitas chances de reação. 2008 seria uma disputa entre Massa e Haikkonen onde as ultrapassagens, na maior parte das vezes, se restringiriam aos pit-stops. Posso até estar errado nas especulações, mas não na constatação do que o estilo Hamilton de dirigir tem contribuído para a Formula-1 atual.

Falemos um pouco de algumas atuações:



Michael Schumacher

Ninguém, nem ele, esperava um início como o que está tendo. Talvez umas três corridas para pegar o ritmo, mas não há evolução em sua performance de corrida a corrida, ao contrário, parece piorar na comparação com Rosberg em cada etapa. Diz que não consegue se adaptar ao carro, mas também não pode exigir que a equipe adapte o carro a seu estilo de dirigir porque isso poderia prejudicar Rosberg em sua busca pelo título. Ross Brawn talvez precise escolher entre salvar a imagem do velho amigo e brigar pelo campeonato com Rosberg. Estaria a Mercedes prestes a encarar uma sinuca de bico assim?

Claro que ninguém esquecerá das conquistas do Alemão, mas sua aura de invencibilidade fora das pistas certamente será manchada. Em Xangai, chegou a mostrar um pouquinho do velho talento em sua disputa com Hamilton, propiciando-nos um vislumbre do que poderia ter sido uma rivalidade dos dois com ambos no auge e com equipamento parecido. Fora isso, não deu trabalho aos demais pilotos que o ultrapassaram, talvez em função dos pneus, que não soube poupar. O problema de Schumi esse ano é não conseguir ser rápido, e mesmo ainda sabendo escolher o traçado para defender posição, fica muito mais difícil fazer isso sem ser rápido, como se o equipamento fosse muito inferior, o que não deve ser exatamente o caso. A mercedes não vai assim tão mal, e também não vai assim tão bem, porque mesmo Rosberg, na maior parte das vezes, só pode se defender, não tem sobra para atacar como têm os pilotos da Mclaren e RBR no pelotão da frente.



Felipe Massa e Fernando Alonso

Que Massa enfrentaria uma temporada difícil pelo simples fato de ter o asturiano como companheiro, todo mundo já sabia. E parece que Alonso está um pouco cansado desse acordo de cavalheiros que não lhe permite ser 100% ousado quando atrás de Felipe. Foi bonzinho na Austrália, mas ontem resolver agir, o brasileiro bobeou na frente dele na entrada dos boxes e Alonso não pensou duas vezes. Felipe que fique quieto também e não dê munição aos reporteres ou perde o contrato de mais 3 anos que ainda não assinou. A verdade é que Massa não vem bem até aqui, não foi bem no molhado de Xangai, e Alonso não tem nada com isso. Felipe que erre menos e pense mais em grandes resultados, porque o novo esquema de pontuação não mas permite que se administre pequenas vantagens com um pontinho aqui e outro ali. A liderança da semana passada no campeonato virou, do dia para a noite, um modesto sexto lugar.



Jenson Button

Líder provisório do campeonato, tem explorado bem sua frieza e inteligência para contrabalancear a (provável) superioridade de Hamilton. Outra vez, acertou em não trocar os slicks e quase foi prejudicado por um safety car desnecessário. Teve sorte sim. Talvez não parasse antecipadamente em Melborne, não tivesse tomado um passão do companheiro. Outra catacterística que o tem ajudado é saber aproveitar as brechas que lhe dão, os erros dos outros, de Hamilton principalmente, marcar sempre que ele não marcar, largar na frente sempre que este largar atrás, como Prost, que era sempre segundo quando Senna ganhava, mas que, quando vencia, Senna raramente pontuava. Sabe também ser constante e rapido quando precisa e é bom no molhado. Também estava com os pneus em frangalhos no fim da corrida, ao contrário do que constatou o pessoal da transmissão, e segurou o carro de modo épico nas voltas finais.



Lewis Hamilton

Tem feito atuações soberbas nessa temporada e uma porcentagem significativa das ultrapassagens e dos acontecimentos das ultimas três corridas que as tornaram emocionantes vieram de suas performances. Houvesse um prêmio para piloto show do ano, poderia largar atrás a vontade e errar a vontade, desde que sempre propiciasse momentos espetaculares, mas não é assim que a banda toca quando se quer ser campeão do mundo. Em Xangai foi o mais rápido dos treinos livres, do Q1, Q2, mas não naquelas voltinhas chave do Q3, que é a única hora em que você realmente precisa ser rápido. Não foi, e por mais que fosse bem na corrida, saiu em desvantagem e pagou por ela. Em 2009, Button soube aproveitar as brechas que Rubinho deixava e promete fazer o mesmo com Hamilton, sendo rápido toda vez que o companheiro não for, pontuando quando o companheiro não pontuar, ganhando quando o companheiro vier de trás, etc, etc, ou seja, a Hamilton não basta caprichar nos pontos altos, mas minimizar, em muito, os pontos baixos, principalmente no duelo particular com Button.



Mark Webber e Sebastian Vettel

Como Hamilton, a Red Bull virou perita em deixar brechas para os oponentes roubarem seus pontos. Vettel é um primor na qualificação, mas, na corrida, é sempre vítima de uma quebra ou de um erro de estratégia, enquanto Webber não consegue ser bom quando realmente precisa. Chegou em oitavo no Bahrein, ficou atrás o tempo todo em Melborne e teve uma atuação pífia ontem. Talvez se os defeitos mecânicos acontecessem mais em seu carro e menos no de Vettel, a equipe estivesse em situação melhor no campeonato. Foi, claro, prejudicado por uma biaba de Hamilton numa relargada, e talvez o inglês merecesse ser punido por essa manobra, e também pela disputa com Vettel nos boxes. Mas a má performance de Webber não se limitou às consequências desse incidente, portanto, está em baixa. Já Vettel, foi até agora mais vítima de quebras do que culpado pelos pontos que perdeu. A RBR precisa mostrar que pode ser melhor em corrida, e nisso tem sido menos constante que a McLaren, principalmente com o equipamento de seu melhor piloto.

O duelo do dia ficou por conta de um jovem talento e um veterano heptacampeão do mundo. Michael Schumacher, ainda procurando se encontrar nessa nova Formula-1 e Lewis Hamilton, florescendo para ser um dos prováveis grandes dessa nova geração. Não foi um super duelo como se desejava antes do início do campeonato, mas valeu a pena assistir. Fiquemos na torcida para que o velho Schumi recupere logo sua forma e nos propicie grandes momentos ao longo do ano.


Friday, March 26, 2010

O dia em que Ivan Drago existiu



Se você já assistiu aos principais filmes da saga de Rocky Balboa, sabe que Ivan Drago foi, senão O, um de seus mais notórios adversários. Lutador soviético desenvolvido em laboratórios secretos do KGB, sua meta, entre tantas, era servir de propaganda do regime socialista contra o grande satã estadunidense. Humilhou o inimigo na própria casa ao assassinar seu representante Apollo ao vivo diante de milhões de espectadores. Como vingança, os americanos enviaram seu "garanhão italiano" a Moscou, que, após um combate épico que ultrapassou as barreiras do possível e impossível do esporte, restabeleceu a supremacia yankee na categoria "pesados". Tudo bem que hoje quem manda entre os Heavy Weights não são mais os negões do Tio Sam, mas Russos, Ucranianos e outros representantes da antiga URSS, inspirados pela lenda de Drago, o (quase) invencível. O que nem todo mundo sabe é que um dia Drago lutou na vida real. Melhor dizendo, o ator Dolph Lundgren, que também foi lutador, entrentou Oleg Taktarov, outro lutador com experiência nas telonas. Taktarov é um profissional de MMA que já enfrentou gente do calibre de Marco Ruas e Tank Abbot. Lundgren, digo... Drago e Taktarov realizaram uma luta de exibição em solo russo, ao velho estilo Rocky, em uma homenagem aos bons e velhos tempos da cortina de ferro. Confira.

Sunday, March 14, 2010

A volta do trenzinho



Era grande, a espectativa, e talvez tenha sido a decepção. A Rede Globo que elogie e enalteça uma grandeza fictícia do Grande Premio do Bahrein para vender seu peixe. A mim, fica o pressentimento de um campeonato interessante com provas modorrentas.

Ano passado, a FIA tentou anular os empecilhos aerodinâmicos que tornavam os vácuos e as ultrapassagens problemáticas e conseguiu, coisa que ficou clara nas primeiras corridas da temporada, mas que a aprovação do difusor da Brawn impediu de se concretizar pelo resto do ano. A polêmica peça desfez muitos dos efeitos da mudança de regulamento, e, uma vez que virou padrão entre todas as equipes, as alternâncias de posições diminuíram, e o tiro da FIA saiu pela culatra.



Esse ano tem difusor duplo, não tem abastecimento, não tem KERS, não tem carro mais lento e mais leve na frente do mais pesado e mais rápido, não tem galera de trás fazendo parada a menos, não tem estratégia de Ross Brawn. O aparente equilíbrio entre quatro equipes e a presença de grandes pilotos em cada uma delas talvez não seja o bastante para impedir a volta do trenzinho "ninguém-passa-ninguém", que, desde muito, marca presença na categoria, uns anos mais, outros menos. Esse ano deve vir com tudo, obrigando pilotos a darem tudo na qualificação e na primeira volta, porque depois, será torcer para não quebrar e para o carro da frente errar.

Fora isso, teremos carros em condições parecidas com dificuldades para ultrapassar, mesmo que andem perto por dezenas de voltas, como hoje ocorreu entre Button e Webber, por exemplo. As brigas ficarão restritas aos pelotões da retaguarda, principalmente quando houver maior diferença de performance entre os times envolvidos, como num duelo entre Williams e Toro Rosso ou Lotus, por exemplo.

Pessimista? Talvez. Só tivemos uma corrida. Times e pilotos ainda não aprenderam a usar as novas regras, ou seja, ainda há esperanças de que eu queime a língua. Há circuitos que oferecem mais alternância também. Só espero que a coisa não fique ruim a ponto de precisarmos torcer para chover, se quisermos ver troca de posições na pista entre os pelotões dianteiros, digo, depois da primeira volta.



Massa deu mole, e não adianta Reginaldo Leme ficar chateado quando a equipe pede para poupar motor. Teve sua chance, perdeu na segunda curva e pagou. Se fosse o contrário, a ordem nas voltas finais seria a mesma... para Alonso, que, convenhamos, é mais piloto que Felipe, ainda que o brasileiro esteja andando bem e próximo do espanhol, com condições de vencê-lo numa corrida ou outra.

Button tem o defeito de ir mal na qualificação e se fizer isso como fez na metade final da temporada passada, será jantado por Hamilton, que tem nessa uma de suas principais qualidades. Hamilton não é Rubinho e Button não pode confiar só em sua performance de corrida.

Vettel ia ganhar, provavelmente, se o motor não o aniquilasse. Talvez Alonso viesse com tudo mesmo assim, mas seria difícil passar.

Schumacher não decepcionou, digo, para quem esteve três anos parado e não pôde praticar como deveria, já que os testes são limitados. Fez uma corrida correta, aproveitou-se de erros alheios e procurou não arriscar demais. Se evoluir ao longo do campeonato como se espera, pode até lutar por vitórias, dependendo da evolução do carro.



No mais, fica meu medo das equipes novatas, em especial a Hispania, que ainda é time de GP2. Torço para a FIA criar uma brecha no regulamento, admitindo mais testes, pelo menos para esses calouros, ou poderemos ter catástrofes na temporada.

Aliás, Hamilton e Schumi reclamaram do peso dos carros em entrevista, da dificuldade que eles geram para tentar ultrapassar, do problema de precisarem economizar pneus e de como o fim do abastecimento diminuiu as possibilidades de estratégia e alternância. Galvão que fale o que quiser. Esta não foi, nem de longe, uma grande estréia de temporada.

E que mico foi esse, hein, Bueno? Narrar a vitória da Alonso quando faltava uma volta? Imagina se fosse o Massa. Iam botar musiquinha e tudo.


Tuesday, February 09, 2010

Erros que geram erros



Brasileiro é assim. Se a coisa deu errado há quatro anos por causa "disso, disso, disso", então, façamos o contrário e tudo vai dar certo. Tipo, não se analisa os detalhes e as particularidades das situações. Ou é 8 ou 80.

A não-convocação de Ronaldinho Gaúcho por Dunga para o amistoso contra o Eire me faz pensar que há grandes possibilidades dele realmente não ser chamado à copa. Na cabeça de Dunga, é a lição de 2006. Ronaldinho foi uma das estrelinhas mimadas daquele mundial, adora demais a "night", não quis ir à copa América, teve a fase deprimida no Milan, não foi bem na olimpíada, alugou quarto para farra três dias, etc, etc, e, para o treinador, talvez não seja um jogador "comprometido" com a seleção, não é "guerreiro", como aprendemos a querer que nossos "atletas" sejam, em vez de craques ou artistas da bola. Do outro lado da balança, o cara que teria de sair para que Ronaldinho entrasse: Julio Baptista, reserva de Kaká, o homem que aceitou jogar a copa América quando Kaká, Ronaldinho, Zé Roberto e Juninho não queriam; o jogador que, apesar das limitações, fez o meio de campo funcionar e trouxe o título contra a Argentina. Júlio é obediente, dedicado, "guerreiro", comprometido, disciplinado, tático e esteve "com o treinador" desde o começo. Agora, perto do Filet Mignon que é a Copa do Mundo, quando os mimados e os guerreiros igualmente desejam jogar, Dunga acha que deve recompensar quem o apoiou e à seleção na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. É normal que um treinador pense assim e que passe isso aos "atletas" no início de um novo "ciclo" ou numa convocação de emergência lá no meio desse ciclo, quando a nau está para afundar numa eliminatória, por exemplo. Felipão fez esse pacto com Edilson e Luizão nas qualificatórias de 2001, vetando Romário para o mundial da Ásia. José Roberto Guimarães, do volei feminino, prometeu a suas recém-chamadas pupilas que elas não perderiam o posto para uma estrela mais talentosa lá pelo final do ciclo, se "estivessem com ele" e fossem bem desde o começo. Resultado: Fernanda Venturini apareceu do nada para jogar Pequim e foi vetada. O objetivo deste pacto é garantir a união do grupo e a união do grupo com o treinador. "Se estão comigo, estou com vocês." Se o pacto é quebrado lá atrás ou lá na frente, os pupilos perdem a fé no "professor", percebem que, independentemente de se matarem nos treinos e nos jogos de menor importãncia, perderão vaga para os figurões quando a coisa realmente importar e, portanto, não se sacrificam, ferrando o técnico junto. Parece-me que a grande reclamação interna do elenco em 2006 é que os reservas se matavam a troco de nada enquanto os titulares se sentavam sobre os louros de sua história e seus "talentos diferenciados". No fim, Parreira perdeu todos, titulares e reservas.



Na sombra dessa "lição", vem 2010, e Julio Baptista é o reserva dedicado, enquanto Ronaldinho, a estrela mimada e desfocada, reflexo do mau exemplo de 2006. Dunga quer dar a mensagem a seus comandados, mirar-se no exemplo de 2002, e seguir a cartilha do que deu certo. Mas ele esquece que cada história é uma história, cada time é um time e que há sempre o imponderável à espreita. Em 2002, tudo podia ter dado errado contra a Bélgica e não deu. Se desse, a geração "Ronaldo-Rivaldo-Roberto Carlos e companhia" seria para sempre a "geração sem líder", "não teria vencido uma copa porque não tinha um Dunga" e o Brasil clamaria por seu novo Dunga em campo para a copa seguinte. Procurar-se-ia uma renovação apressada sem obedecer aos ciclos naturais de passagem de posto. Portanto, assim como a vitória pode esconder erros, a derrota pode exagerá-los até torná-los tabus idiotas.



A verdade é que não temos um elenco cheio de craques para 2010 como tínhamos em 2006, a ponto de podermos abrir mão de uma estrela aqui e ali, como podíamos. Possuímos um time aplicado e bom na medida do necessário, mas de criatividade limitada, como há muito não se via numa seleção brasileira. O meio-de-campo é um dos setores críticos, salvo da mediocridade pelas presenças de Felipe Melo e, principalmente, Kaká, centro nervoso do elenco inteiro. Se Kaká se ausentar da copa ou mesmo de uma partida ou duas ao longo da competição, o Brasil pode ficar tão perdido como a França de 2002 sem seu Zidane, e corre risco de fazer novo papelão. Seu reserva Julio Baptista não pode realmente substituí-lo. Ninguém pode. Ninguém exceto Ronaldinho Gaúcho, que também pode mudar a cara de uma partida com seu talento diferenciado que guerreiro nenhum adquire com aplicação. Ronaldinho é um craque no melhor sentido da palavra, daqueles que fulgurarão (ou fulgurariam) como marcos de sua geração daqui há 20 anos, dos que nasceram e cresceram craques, como Ronaldo, Romário, Kaká, Zico, Rivaldo e tantos antes. Bate falta, escanteio e dá passe como ninguém. Se a maneira de jogar do elenco titular está montada e não tem lugar para ele, ainda poderia ser um recurso para o meio da partida, quando o plano A falhar (e falhará em algum ponto da caminhada). Os Júlios, Elanos e Josués têm suas qualidades, mas não viram um jogo de cabeça para baixo, não destravam os nós táticos estabelecidos na prevalescência de uma estratégia sobre outra. Além disso, em copa do mundo, estrelas fazem toda a diferença. Felipão tinha três, e, também por isso, se absteve de Romário. Dunga não possui um reserva para Kaká e precisa de Ronaldinho, mas é provável que recompense seu cão de guarda Julio pelos serviços prestados, ainda que reze para não precisar deles de novo.

A nova era Dunga da seleção teve muitos acertos ao longo destes quatro anos, mas pode afundar em função deste único e crucial erro, provável lição para 2014. A de que nessa vida, nem tudo precisa ser "8 ou 80".



Wednesday, November 18, 2009

Triste dia para o futebol



Dou graças aos céus de não ter dedicado um segundo desta quarta-feira às importantes (e não tão importantes) partidas nela realizadas.

No maracanã, Fluminense e Cierro Portenho protagonizaram uma vergonha generalizada após o fim do jogo, tal qual o pobre Palmeiras, e entre os seus, após acachapante derrota para o Grêmio no Olímpico. Na Europa, as torcidas lamentam uma das classificações de copa mais vexaminosas dos últimos tempos, com Thierry Henry ajeitando, com a mão, o lance que qualificaria a França.

Os três episódios repercutirão semana afora e talvez a França seja vaiada em sua estréia na África do Sul. Temos aí nove candidatos a cabeça de chave para o sorteio dos oito grupos da copa e receio que França ou Holanda fique fora dessa lista, figurando na faixa das segundas-forças e determinando qual será o "grupo da morte" da vez. Espero que os franceses recebam esta honra, merecidíssima pelo futebol apresentado e pelo modo como se classificaram.

E torço, claro, para esse nono cabeça de chave, então rebaixado, não cair no grupo do Brasil.


Tuesday, November 10, 2009

Esporte "para macho"

Houve tempos em que se dizia que futebol era violento demais para a delicadeza do sexo frágil. Pois mal sabiam do que o sexo frágil era capaz.

Thursday, September 24, 2009

Cara de pau



Domingo que vem, vai ao ar a primeira manifestação audivisual pública de Nelson Piquet sobre o incidente envolvendo seu filho no GP de Cingapura ano passado. Já opinei sobre esse assunto no início do mês, quando a coisa ainda não tinha sido comprovada, e minhas suspeitas se confimaram. Nelsão (que antigamente também era chamado de Nelsinho) usou o caso para chantagear Briatore contra a demissão do filho e cumpriu sua promessa, uma vez que o italiano não arregou.

Cinismo. Piquezão jamais abriria a boca se o filho continuasse no time. Na chamada para o fantástico de domingo, diz que preferiria perder a trapacear. Balela. Quem acompanhou a carreira do moço sabe muito bem do que ele e o projetista Gordon Murray eram capazes para ganhar corridas nos tempos de Brabham. Há uma década, Nelsão se gabava dos tempos em que trocava o banco do carro por outro de cinquenta quilos a ser usado apenas na hora da pesagem. Com isso, o carro corria abaixo do peso mínimo permitido. Manobra parecida foi feita no GP do Brasil de 82, quando ele e Murray armaram um esquema de correr com um lastro enorme de água que seria descarregada ao longo do GP, em cada freada, e o carro ficaria mais leve já no meio da prova. O esquema foi descoberto e Piquet desclassificado.

O dito cujo nunca foi exatamente um porta voz do jogo limpo na categoria. De atenuante para o filho, apenas a pressão de obedecer à ordem do chefe, o que não o exime de culpa, mas diminui um pouco sua carga de responsabilidade, o que não basta para evitar o comprometimento da imagem do garoto. Entre ser leal ao time e ao esporte, optou pela primeira opção por motivos egoístas e também abriu o jogo por motivos egoístas. Não duvido que alguns dos atuais pilotos fariam igual em situação igual, mas não fizeram, ou pelo menos ninguém ficou sabendo. Sendo assim, nada mais justo que o embaraço público, cujo tamanho só o tempo irá revelar. Enquanto isso, o papai põe panos quentes.

Tuesday, September 01, 2009

Pitacos da Formula-1

(post escrito ainda na noite de 30/08.)


Minhas pretensões eram postar sobre esse tema segunda-feira passada, mas alguns fatores me levaram a preferir esperar a semana seguinte, então fica o agregado dos GPs da Europa (23/08) e Bélgica (30/08).

Valência - É uma pista ruim, sem pontos de ultrapassagens e sem um traçado empolgante, e entrou no calendário como jogada de marketing, tal qual vários circuitos que, pelo ponto de vista esportivo, representam retrocesso à categoria. Valência é um desses candidatos a cartões postais da F-1, com pista cheia de glamour em volta, Iates, prédios lindos, cenário preparado para grandes tomadas durante a transmissão, materia prima perfeita para os video-clipes do site da FIA. Vi gente comparando essa pista com Detroit e Long Beach, mas acho exagerada a comparação, porque as etapas americanas permitem ultrapassagens. Como ano passado, tivemos uma corrida chatíssima que só valeu pela estratégia dos Pits. No asfalto, nada. E tem mais até o fim do ano. Tem aquela presepagem de corrida noturna onde ninguém passa ninguém e qualquer batidinha é safety-car.

Barrichello - Deixou Button estilingar demais no início do campeonato e agora, mesmo tendo performances melhores que as do Inglês, vê o título como algo possível mas difícil. A vitória em Valência manteve vivas suas chances. Correu bem e aproveitou os pits porque na pista dificilmente passaria Kova ou Hamilton sem KERS e naquele traçado. Ontem teve outra chance de ouro mas, por algum erro dele ou culpa total do equipamento que falhou, não sabemos (e olha que esse problema só rolou com ele na temporada), deixou a oportunidade escapar e, apesar de diminuir a diferença em relação a Button, tem menos corridas para tirar mais pontos e torcer para que Button não pontue.

Schumacher - O fiasco (até agora) de Luca Badoer na Ferrari é quase uma prova de que Schumi, sem poder treinar e retomar o ritmo de corrida, provavelmente seria o mico do ano em seu regresso. Badoer nunca foi um ás da categoria, mas em seus tempos de piloto de teste virava bem mais rápido que o que vem virando. Diz que em Monza estará melhor, porque conhece o traçado e treinava muito lá. Schumi faria um papelão se retornasse e talvez o problema no pescoço tenha sido um álibi para evitar o pior. Fez bem, caso tenha mentido. Não merecia ver sua história manchada com essa volta impensada e desnecessária. Se é para voltar, que volte bem, em forma e no início de um campeonato, como um campeão do porte dele merece.

Red Bull - Parou de ser a número 1 do grid, como a Brawn também, e temos um último terço de temporada equilibradíssimo, com equipes revezando favoritismo a cada corrida, e Ferrari e Mclaren de volta ao topo. Bom para Jenson, que soube aproveitar o momento de supremacia do carro e agora pode andar no pelotão intermediário marcando um pontinho aqui e ali e, ainda assim, manter uma vantagem relativamente confortável. Precisa fazer, pelo menos, uma ou duas boas corridas para jogar um balde de água fria definitivo na concorrência.

Piquet, Renault e Briatore - O assunto da semana é a bomba que Reginaldo Leme jogou no ventilador durante a transmissão. Lembro-me que, depois do GP de Cingapura ano passado, houve muita piada relacionando a saída de Nelsinho à "virada" na corrida que fez Alonso vencê-la, remodelando a história do campeonato, mas pouca desconfiança séria, pelo menos por parte de mídia e público. Leme tem 35 anos como comentarista e uma idoneidade inquestionável. Se deu a informação, é porque sabe de muita coisa e se alguém foi leviano em lançar inverdades mal avaliadas no ar, foi gente antes dele, da qual ele obteve os dados "confiáveis". Minha opinião de leigo: onde tem fumaça, tem fogo. Entre o espanto incrédulo de Galvão e a serenidade de Reginaldo, fico com a segunda. Ele não disse que houve manipulação de resultados, mas que há uma investigação, além de fortes indícios de que algo errado sucedeu. Se for o caso, acho Briatore mais culpado que Nelsinho, porque hoje em dia um jogador ou um piloto em início de carreira é um boneco na mão do treinador, diretor ou empresário. Sem experiência, manha e meios para peitar uma ordem dessas, Nelsinho não teria como comprovar depois porque Briatore o haveria prejudicado no resto do ano. No fim, seria o único a se ferrar, queimando um futuro na categoria. Não digo que é inocente, mas que é menos culpado que Briatore. Em termos de repercussão pública, duvido que mídia e torcedor sejam benevolentes com o pimpolho, caso provada sua culpa. Será uma mancha dificil de apagar. Se foi Nelsão quem gerou a denúncia, deu um tiro no pé do filho. Imagino se ele não teria usado isso para chantagear Briatore quando soube que "junior" sairia do time, e Flavio pagou para ver, duvidando que Nelsão realmente expusesse o filho para concretizar sua vingança. Bom.. são divagações de torcedor. Concreta mesmo, só a informação de Reginaldo.

Atualização da notícia: Ontem, a FIA confirmou que há uma investigação na equipe Renault sobre a suposta falcatrua em Cingapura, confirmando o furo mundial de Reginaldo Leme.


Sunday, July 12, 2009

Barrichello - desapontado e sozinho



Rubens Barrichello: outra vez prejudicado pela irregularidade e uma combinação de fatores negativos, desde a presença de Felipe Massa a sua frente, tirando-lhe um segundo e meio por volta em cinco voltas, até o erro com a mangueira nos boxes, que lhe usurpou a chance de um pódio e de um pequeno triunfo moral sobre Jenson Button, apesar das parcas chances reais de brigar pelo título.

Como de costume, o brasileiro reclamou, e, como de costume, foi criticado pela mídia por isso, como se suas palavras fossem meras desculpas para ocultar a própria incompetência. Que Button vem sendo mais rápido e constante que Barrica ao longo da temporada e merecedor da liderança no campeonato, acho que nem o próprio Rubens duvida. A pinimba está em pequenos detalhes de algumas poucas corridas em que Barrichello conseguiu ser melhor que Button e, por uma "combinação de fatores", acabou perdendo a disputa particular com o companheiro de equipe.



Erros de time acontecem. Na Ferrari então, nem se fala. Só que lá se erra para os dois lados. Na Brawn, os tropeços vem muito mais para o brasileiro enquanto o inglês parece contar com uma maravilhosa "combinação de fatores positiva" em corridas onde tudo poderia dar errado e dá certo, o que estende para além do mérito direto a margem de trunfos sobre o companheiro. Na Espanha, houve a tal mudança de estratégia, até agora mal explicada pela equipe, favorecendo Jenson. Em outras provas, erros na escolha de pneus e agora o problema da mangueira. As duas disfunções mecânicas de largada também vieram para o lado de Rubinho e, se isso não me leva a desconfiar de sabotagem, pelo menos me faz pensar numa diferença de tratamento no time, de um "amor pelo trabalho" maior de um lado do que de outro, como já ocorreu em outras épocas, vide McLaren em 2007 e 89 (em favor de Hamilton e Senna), e Williams em 86 e 87 (em favor de Mansell sobre Piquet). São detalhes que podem soar irrelevantes, mas que minam a força de vontade do piloto prejudicado para a corrida seguinte, uma vez que ele percebe que nem quando está melhor que o companheiro, as coisas andam a seu favor. Com o tempo, há o enfraquecimento da esperança, do ímpeto, do tesão competitivo e o espírito de luta cede ao desânimo. Se antes havia uma sensível diferença de capacidade entre um piloto e outro, passa a haver dominância completa de uma parte, como quando Senna passou a vencer Prost sempre e não maioria dos embates, como anteriormente. A força mental do elo mais fraco é quebrada, ele abaixa a cabeça e ambos passam a despender menos energia contra o colega, sossegando em suas condições de primeiro e segundo piloto, para o bem da equipe, que pode apontar todos os esforços contra as outras escuderias.



Ross Brawn se surpreendeu com o desempenho de Button esse ano e admitiu não imaginar até então que o inglês era tão bom. A rápida ascensão de Button no campeonato sobre o companheiro pode ter gerado um senso de preferência para a disputa do título e também de confiança frente à conhecida irregularidade de Rubens.

Outra ascensão, a da RBR, que dá sinais de ser a grande equipe do ano na segunda metade do campeonato, enquanto a Brawn talvez mal consiga se manter como segunda força, faz Ross repensar os esquemas de como obter seu título. Se, de fato, a RBR for bem melhor daqui ao fim da temporada, não haverá mais espaço para dois aspirantes ao caneco, até porque 2009 talvez seja a única chance da Brawn ser um dia campeã do mundo. Para o ano que vem, haverá uma preocupação maior dos outros times com o desenvolvimento dos "marca-texto com rodas" e decerto nenhuma surpresa oriunda de brechas do regulamento como o difusor duplo. Em suma, há grandes possibilidades da Brawn ser uma equipe do segundo escalão em 2010.

Com isso, qualquer possibilidade de favorecimento a Button será bem-vinda a Ross Brawn, para desespero de Rubens, agora mais sozinho do que nunca em sua luta pelo tão sonhado título.

Tem razão em reclamar algumas vezes (como hoje), em outras não. Para Ross, isso é irrelevante, já que ele não pretende colocar em risco o caneco inédito em nome do drama individual de um piloto às portas da aposentadoria. O time está para o time; nesse caso, Button. E Rubens ruminará sozinho outra vez.


Sunday, July 05, 2009

Copa das Confederações - Parte IV



Pode-se dizer que a derrota norte-americana para o Brasil de domingo passado pela Copa das Confederações foi a primeira experiência real dos Estados Unidos com sua seleção de futebol masculino, o primeiro trauma, o primeiro momento em que este país, seus cidadãos comuns, muitos deles pouco interessados ou relacionados com o "soccer", acompanhou a seleção nacional, torceu, desejou ver a nação de John Wayne triunfando no futebol como representante legítimo da auto-estima do país. Vibrou com o "dois a zero" um pouquinho como nosso Brasil na copa de 50 ao se ver pela primeira vez alçado à condição de grande força desse esporte, e lamentou em proporções reduzidas como nós lamentamos ao perder a final do torneio de virada. Não houve mais aquela honra de time pequeno pela respeito conquistado, o "estamos contentes por chegar até aqui". O espírito americano de "não podemos perder" enfim se encontrou com a seleção, e eles quiseram ser os Estados Unidos também no esporte mais popular da terra, mesmo que por um instante. Fãs de longa data do "soccer" no país pararam de torcer para seus times estrangeiros favoritos. Spike Lee parou de torcer pelo Brasil. Quem até então cagava e andava para o time de Donovan e companhia, no mínimo, soube do que acontecia na África do Sul como saberia de uma decisão da NBA, NFL ou Major League Baseball. Até então não havia isso. Talvez houvesse se ganhassem do Brasil em 94 ou da Alemanha em 2002, mas os Estados Unidos só aceitam torcer para seu time de futebol quando ele estiver entre os grandes para então ser chamado de "Estados Unidos". O triunfo sobre a Espanha trouxe esse espírito, que seria, pelo menos na mente ianque, consolidado com uma vitória sobre o Brasil, e David Letterman, Oprah Winfrey e tantos apresentadores, atores, cantores e personagens de seriado que conhecemos há gerações falariam mais de copa do mundo, de seleções de futebol e do Brasil de chuteiras, que parece não existir no planeta dessas celebridades. Sim, tirariam uma baita onda, como quis Aschton Kutcher no Twitter enquanto perdíamos de dois a zero. Seria a nova vitória no Hockey contra a Rússia em 80.

Perderam, para nosso alívio. Mesmo assim, o americano comum sentiu enfim o gostinho de uma "World Cup experience" e aquele desejo genuíno de vencer, de mostrar que seu país "pode", de reverter um trauma de batismo, e se essa coisa seguir como ocorreu aqui em 50, veremos o "gigante americano" se esforçar como jamais fez para integrar o mundo e a história do futebol internacional, como já faz no feminino.


Saturday, June 27, 2009

Copa das Confederações - Parte III



Cá iniciamos o terceiro post sobre a Copa das Confederações

Não dá para negar que a África do Sul de Joel Santana fez um jogo surpreendente. Meio retrancada, é verdade, postura que o selecionado de Dunga ainda não aprendeu a combater, e que certamente encontrará na copa do mundo com regularidade. Falta de armadores atrás é um problêma crônico com o qual nosso treinador terá de conviver, e que será cada vez mais explorado pelos adversários. Se não conseguimos as roubadas de bola e os contra-ataques que viararam marca registrada desse grupo, há problemas na criação de jogadas, na "descontrsução da defesa adversária" já montada, coisa que foi o ponto forte do Brasil em muitas ocasiões, como em 82, por exemplo, quando tínhamos grande qualidade de passe com volantes, laterais e meias.

Esse Brasil do futebol moderno é rápido, defende, rouba bola, "morde", mas precisa muito do espaço aberto para funcionar com seus passes curtos e triangulações. Se a característica da partida desfavorece esse tipo de jogo, temos problemas crônicos com a criação. A África do Sul não é exatamente um grande time. Jogou em função do primeiro gol, como tantas zebras fazem contra adversários mais fortes. Se toma o primeiro gol, tem pouquíssimas condições de reação e a tendência é tomar um chocolate, como provavelmente aconteceria se nosso primeiro gol viesse mais cedo. Não tinham muita escolha, claro, mas Dunga precisa pensar seriamente em convocar jogadores com características diferentes para as próximas competições ou fica sem condição de mudar a cara de uma partida difícil. Daniel Alves do lado esquerdo foi ousado, e funcionou. Achei essa partida a cara dele, mas nunca o imaginei no lugar de André Santos.

O que para mim fica constatado sobre a seleção brasileira nessa Copa das Confederações, é que, apesar de ser um time competitivo, forte, determinado, que treina fundamentos como não quis fazer em 2006, tem limitações flagrantes, principalmente da parte de volantes e laterais, e terá de conviver com essas limitações. Ronaldinho Gaúcho não poderá ficar fora dos 22 da copa do mundo, porque é um jogador criativo, e esse time precisa de criatividade e gente que "horizontalize" o jogo. O Brasil de Dunga tem muito do que os "Brasis" clássicos não tinham (contra-ataque eficiente, treino exaustivo de jogada de bola parada, marcação e recomposição rápida, velocidade, goleiro milagreiro...) mas carece um pouco no que esses sempre ostentaram (craques e cobradores de falta a dar e vender, bons armadores, passe longo, capacidade de cadenciar o jogo e realizar inversões constantes, ótimos laterais, centro-avantes matadores.).


Thursday, June 25, 2009

Empolgação perigosa - Parte II



Voltando aos assuntos "Copa das Confederações" e "seleção brasileira", ninguém precisa entender muito de bola para saber que o time de Dunga melhorou, e além do esperado. Mesmo os analistas mais críticos vêm tecendo elogios ao selecionado verde e amarelo.

Mas o título "Empolgação Perigosa" não vem à toa. Já vimos a grande zebra yankee desbancando os campeões europeus na semi-final, contando com a velha filosofia de jogar com disciplina em cima do erro adversário. O duelo de manhã com a África do Sul pode até trazer surpresas, mas é muito pouco provável que isso aconteça, já que os Bafana-Bafana não são tão disciplinados taticamente e aproveitadores do vacilo alheio como os norte-americanos. A zebra de hoje talvez contribua para evitar uma amanhã, deixando os pupilos de Dunga de antenas ligadas em sua semi-final.



Minha preocupação é que, até aqui, ganhamos as três partidas do torneio só no primeiro tempo, com o Brasil impondo seu jogo e contruindo o placar. No segundo, o jogo mudou de cara e nossa seleção não soube manter a eficiência anterior. Foi assim contra o Egito, quando fizemos três gols na etapa inicial e tomamos o empate em função de alterações feitas pelo treinador adversário na etapa seguinte. Saímos atabalhoados atrás da vitória, que até veio, porém menos em função de uma mudança estratégica de Dunga e mais pela insistência desordenada de nossos atletas, meio perdidos em campo. Contra EUA e Itália, história parecida, matamos o jogo nos quarenta e cinco minutos iniciais e seguramos as pontas nos finais, quando o treinador adversário mudou a cara da partida. No caso dos EUA, ajudou-nos a expulsão do jogador Kljestan quando começavam a ter as rédeas do jogo.

Resumindo. Dunga já tem na mão um time, mas não um plano B para quando o A não funcionar ou para quando estivermos em desvantagem. O máximo que nosso técnico fez ou faz é colocar mais um atacante no lugar de Robinho, ou de um volante, ou um volante no lugar de um meia ou atacante quando se precisa de mais marcação. Sem estratégia, só em cima do óbvio. Lembremos que um dos motivos da derrota de 2006 foi a ausência de um plano B, entre outros fatores. Jogo muda de cara e treinador precisa ter cartas na manga.

Quanto à derrota da Espanha, coisas do futebol. Talvez o grupo mole da primeira fase tenha os tornado reféns do típico susto que acomete os favoritos quando estão tendo um caminho até então tranqüilo. Tivessem transposto a situação (lembremos França e Paraguai em 98 e Brasil e Bélgica em 2002) voltariam melhores e mais "cascudos" para a final. Não aconteceu. Insistiram em repetir jogadas, tiveram pouca sorte (ela sempre atrapalha nessas horas) e pegaram um adversário pouco criativo, mas que sabe complicar um jogo e manter o sangue frio. Mas os pupilos de Joel não estão nesse mesmo nível. Se empatarem ou vencerem amanhã serão, sem dúvida, a grande zebra do campeonato, bem maior que a dos Yankees.


Sunday, June 14, 2009

Empolgação perigosa



Vendo os últimos jogos da seleção brasileira de futebol, fica clara uma carência no time, que talvez abranja quase todo esse esporte em território nacional. Diagnóstico: Ausência de bons armadores. Armadores que não sejam meias-atacantes, que distribuam o jogo de trás com passes longos, que saibam alternar a velocidade do time, cadenciar e acelerar, virar o jogo, orquestrar, lançar, lançar e lançar. Desde a saída de Juninho Pernambucano da seleção, temos essa carência, vez ou outra suprida pela presença de Ronaldinho Gaúcho jogando improvisado mais para trás do que fazia no barça, que é a posição onde chegou a funcionar um pouco durante essa nova Era Dunga. Juninho e Ronaldinho sabem cobrar escanteio com precisão e bater falta como ninguém mais no atual Scratch, porém ambos estão fora do time que disputará a Copa das Confederações.

Locutores, torcedores e comentaristas insistem que a seleção só joga bem fora de casa quando o adversário "sai para o jogo" e mal quando ele "fica na defesa". Há uma explicação. O time de Dunga depende demais dos passes curtos, das subidas conjuntas pelo lado direito e esquerdo que gerarão as tais triangulações já características de nosso futebol recente, com Kaká no comando. Com isso o Brasil é obrigado a passar o jogo inteiro tentando criar o contra-ataque, atraindo o adversário ou marcando forte na frente. Funciona, mas limita nosso leque de possibilidades e a cada jogo os adversários explorarão isso e focarão seus esforços defensivos no único jeito que sabemos jogar. Quando tomamos o gol ou quando o oponente se retranca um pouco mais, vem a dificuldade. Diminuem-se os espaços para os passes curtos e os longos não saem; Lúcio deixa a defesa como um rolo-compressor desesperado para o ataque, Felipe Melo tenta lançar bola, Elano e Daniel tentam cruzar, de vez em quando um consegue, mas depois de muitos erros. E o tempo vai passando, o time saindo todo e deixando espaço para contra-ataques. Se tomarmos um "primeiro gol" da Itália, por exemplo, o jogo fica do jeito que eles gostam. Ah, se Pirlo jogasse com a amarelinha!



As três ultimas vitórias das eliminatórias mascaram deficiências que certamente aparecerão nessa Copa das Confederações, talvez já no segundo jogo, contra os Estados Unidos. Não fomos bem contra o Peru e contra o Paraguai. Cavamos gols e achamos mas não houve um trabalho mais orquestrado nesse sentido. Essa coisa de "água mole em pedra dura tanto bate até que fura" não dá certo sempre. Defesas talentosas e inteligentes exigem que sejam desarmadas de modo mais elaborado, conscientemente elaborado. O Brasil pode até vencer essa competição, mas em alguns momentos esse defeito aparecerá mais claramente e Dunga se verá o tempo todo obrigado a adaptar a maneira de jogar do time a suas deficiências.

Falando em deficiências, fico com pena do Daniel Alves. Está feliz, claro, talvez seja titular e suas atuações melhoram a cada jogo, mas virou o carregador de piano das limitações do elenco. "Elano não está conseguindo cobrar escanteio, chama quem?", Daniel Alves. "Elano não cobra mais falta, chama quem?", Daniel Alves. "Elano não cruza mais, e ninguém cruza direito, chama quem?", Daniel Alves. Só que ele não cruza tão bem assim e não joga tão bem assim, principalmente quando ocupa a posição de origem, ou seja, quando está marcando no canto defensivo direito do campo com o time atrás, marcando posição. Ali, na hora em que o lateral tem que ser lateral e não ala ou atacante, ou ponta, ou "homem que vem de trás", Daniel não é melhor que Maicon. Preferia vê-lo no lugar de Elano, como na final da Copa América, com Maicon sendo o lateral. No mais, ele não tem culpa de ter de cobrir as deficiências de outros jogadores.



Bom... Resta esperar. Dunga quer transformar Kaká em um "Quarterback", no cérebro que o meio-de-campo não tem. Pode fazer isso até certo ponto, mas não pode fugir tanto de suas características de correr, dar passes curtos e pegar lá na frente. Ele precisa de um cara Ricardinho ou um Juninho para cadenciar, armar e revezar.

Sunday, May 03, 2009

Pérolas do youtube: Duelo de gênios

Essa eu catei do blog do Flavio Gomes. Momento histórico da Formula-1. Três gênios, dois consolidados e um em início de carreira, em duelo direto pela liderança do Grande Prêmio da África do Sul de 1993. Alain Prost, Ayrton Senna e Michael Schumacher. Prost com o melhor equipamento, Senna, no auge de seu refinamento como piloto e Schumi já mostrando que deixaria seu nome na categoria. Saudades de ver os mestres em ação.

Monday, March 30, 2009

Pitacos de domingo (1) - Futebol



1 - Julio Cesar

Há algumas semanas, escrevi um post especificamente sobre o goleiro
Julio Cesar, mas a preguiça e outros fatores me impediram de terminá-lo. Basicamente, eu dizia o seguinte: Na história do futebol, o Brasil já foi tudo, já teve melhor time, melhor jogador, melhor atacante, maior goleador do mundo, da copa, de todos os tempos, mas nunca melhor goleiro. Aliás, só de dez anos para cá nossa seleção passou a ser respeitada nessa posição. Nossa escola de goleiros hoje permite que tenhamos arqueiros de nível internacional tanto entre titulares quanto reservas, e agora, enfim, a coroação desse esforço. Julio Cesar é hoje tão bom que até lembra os grandes momentos do lendário Michel Preud´Homme. Faz o estilo do goleiro milagreiro, de saltos espetaculares e defesas "impossíveis", o extremo oposto da escola Taffarel, de boa colocação e defesas "seguras". Se até ontem havia dúvidas, agora a imprensa já começa a admitir o que muitos já enxergavam como inevitável. Julio Cesar é ou vai ser muito em breve, e indiscutivelmente, o melhor goleiro do mundo. Melhor que Casillas, Buffon, Peter Czec ou Van Der Sar - boa parte destes, já em descendente. Julio Cesar vem em ascenção e sua grande fase pode ser coroada na próxima copa do mundo, caso estejamos lá.



2 - Brasil 1 X 1 Equador

Quanto à seleção, me parece óbvio que Dunga não preparou o time para a cara do jogo, e esqueceu, como tantos outros treinadores esquecem, que cada partida tem um perfil. Repetiu a escalação da vitória contra a Itália contra um adversário que, todos sabiam, tinha como forte o jogo pelas pontas, os cruzamentos e a altitude. Nossa seleção quis jogar mais encolhida e esperar os contra-ataques, mas não tinha sido armada para fazer esse jogo, nem para garantir a posse de bola nos chutões de Julio Cesar, nem para evitar os rebotes, naturais em partidas sob pressão. E se altitude sempre foi problema para o Brasil, se todos sabiam disso, porque não se prepararam para "segurar a avalanche" e aproveitar os contra-ataques, marcando do meio para trás? Pior, se o adversário se destacava pelas pontas, porque deixar seus melhores valores nas mãos de gente como Marcelo e Daniel Alves, ótimos no ataque e patéticos na defesa? Nossa escola de laterais precisa aprender a defender também. Lateral não é ponta. Se almejamos manter o estilo laterais-alas pós-94, precisamos de jogadores capazes de executar essa função ou de esquemas que não façam a defesa depender tanto da atitude individual deles. A cobertura de Josué, aliás, foi igualmente ridícula. Dando bote errado, chegando atrasado sempre, fazendo falta e tomando "come" toda vida.



Ninguém está falando muito a respeito ainda, mas nossa situação nas eliminatórias já é alarmante, quase tão complicada quanto em 2001. Temos, pela primeira vez, empatado jogos fáceis em casa e contando demais com os tropeços adversários. A partida contra o Peru é obrigação de vitória. Depois, será Uruguai em Montevidéu, Paraguai aqui e Argentina - muito melhor com Maradona e Billardo - em Buenos Aires. A máxima de que, bem ou mal, o Brasil sempre se classifica para a copa será colocada em cheque de novo.