Showing posts with label crítica. Show all posts
Showing posts with label crítica. Show all posts

Thursday, June 10, 2010

Pitboys do meu Brasil

Felipe Neto, dono no blog Controle Remoto, tem também dois videologs no youtube. Um deles, o "Não faz sentido" é dedicado aos costumes da juventude atual. O último vídeo de Felipe elocubra a respeito de uma espécie que todo brasileiro conhece. Mais precisamente, a vertente carioca porradeira dessa espécie, O Pitboy.



Ainda acho que o video dele sobre sedução e cantadas é o melhor do pacote, mas o texto sobre Crepúsculo no Blog permanece dando chocolate nos videos.

Wednesday, May 12, 2010

Tabus Idiotas - Parte II



Sobre a convocação de Dunga ontem, acho que já me pronunciei o suficiente no post Erros que Geram Erros, do dia 9 de fevereiro, quando a exclusão de Ronaldinho em detrimento do "sempre leal e guerreiro" Julio Baptista era fato anunciado. Gostei de Grafite no ataque em lugar de Adriano, que nunca funcionou no esquema do treinador. Grafite só fez um jogo pelo Brasil, mas se entrosou bem no ataque. Tomara que faça assim na copa.

Sobre Ganso e Neymar, fico um pouco com a torcida, um pouco com o técnico. Acho que devíamos ter pelo menos um meia armador criativo nessa copa além de Kaká. Ou Ganso, ou Ronaldinho. E ter uma data FIFA só no ano é outra sacanagem. Houvesse três, ou seja, três amistosos da seleção, os garotos do santos teriam grandes chances de ir à copa. Com uma só, vira risco convocar. Se bem que jogar mundial com esse time de operários também é um risco.


Sunday, April 11, 2010

Dois pesos, duas medidas.

A seguinte observação foi feita por Renata Arruda, via Twitter, e publicada no blog Diário de Bordo, de Pablo Villaça, do Cinema em Cena. Uma comparação de como a revista Veja relacionou os dilúvios de São Paulo (fevereiro/2010) e do Rio de Janeiro (abril/2010) a suas respectivas capas. Para o dilúvio de São Paulo, a revista procurou amenizar a responsabilidade dos governantes, enfatizando os atributos "naturais" da tragédia, ou seja, os desastres sociais decorrentes da tempestade não ocorreram em função de descasos administrativos, mas foram mera fatalidade, culpa de uma infeliz conjunção de elementos meteorológicos e José Serra (PSDB) não teve nada a ver com isso. Já no Rio, comandado pelo PMDB, hoje aliado do PT, a coisa é diferente. Culpar a natureza é demagogia dos maus governantes, que dão barracos em troca de votos.

capa da edição de 10/02/10


capa da edição de 14/04/10



Sem mais, Meritíssimo!


Sunday, March 07, 2010

Os amigos do rei

O artigo a seguir é de autoria de Tostão e está presente em sua coluna. Achei muito interessante, por isso postei aqui. Seguem as palavras do mestre.



"No futebol, é dada muita importância a coisas que têm pouca ou nenhuma importância. Nas copas do mundo, o Brasil ganhou e perdeu, jogou muito bem e muito mal, com diferentes estratégias, dentro e fora de campo.

Já está definido. Se o Brasil ganhar ou perder, o motivo principal será Dunga. Isso é dar uma exagerada importância a Dunga ou a qualquer outro treinador.

Da mesma forma, a Argentina não estava tão ruim nas Eliminatórias porque Maradona é um técnico debiloide. Nem, de repente, após a vitória sobre a Alemanha, ele passou a ser um estrategista, somente porque a Argentina mostrou um time organizado, disciplinado, com ótima marcação e privilegiando os contra-ataques. Parecia o Brasil.

"As coisas não precisam de você"`, diz a belíssima música de Marina Lima e Antônio Cícero. O futebol também não precisa tanto dos técnicos. Eles são importantes, mas há coisas muito mais decisivas.

No fracasso na Copa de 66 e na conquista de 2002, a Seleção se concentrou em hotéis junto com a imprensa e os hóspedes. Na vitória em 70 e nas derrotas de 98 e 2006, o Brasil ficou em hotéis isolados. O tipo de concentração tem pouca importância.

Em todos os mundiais, que perdeu e que ganhou, havia um dia de folga na semana. Em 70, uns iam rezar, outros, conhecer a cidade, e alguns iam para a balada, como em 2006. Os jogadores de 70 não eram santos nem os de 2006 foram baderneiros.

Em 2002, não era raro encontrar um jogador no elevador do hotel, mesmo eles ficando em andares reservados. Como venceu, foi elogiada a proximidade dos jogadores com a imprensa e os hóspedes.

A concentração em Weggis, na Suíça, foi apontada como uma das principais causas do fracasso, em 2006. O hotel era fechado. Os treinos ficavam lotados de torcedores, como ocorre em quase todas as copas. É raro proibir a entrada de público. Em 70, como ocorreu em 2006, de vez em quando, um torcedor invadia o gramado, durante o treino.

O Brasil perdeu a Copa de 2006 porque os craques jogaram mal, alguns estavam fora de forma física (com ou sem balada no dia de folga), houve erros táticos, o time ficou prepotente e iludido com o oba-oba antes do Mundial, a França tinha mais conjunto e, do outro lado, estava Zidane. O restante é perfumaria.

A Seleção será superprotegida na África do Sul. Dunga mandou construir um muro de vidro em frente ao hotel. Quem está de fora não vê dentro, e quem está de dentro não vê o lado de fora. Espero que não haja cartilha nem obrigação dos jogadores cantarem o hino nacional, todos os dias.

Endosso a preocupação e as críticas de José Trajano à CBF, que não divulgou, até terminar esta coluna, as datas em que os jogadores iniciarão os treinos e que chegarão a Joanesburgo. Isso é essencial para o trabalho logístico da imprensa de todo o mundo. Se a CBF não tem ainda as datas, é por incompetência. A Copa está próxima.

Pelos antecedentes, tenho o direito de especular que a CBF quer dificultar o trabalho da imprensa, e que alguns privilegiados já têm a programação. A CBF tem muitos parceiros."


Thursday, March 04, 2010

Quando os oprimidos de ontem querem ser opressores



Em entrevista ao Estadão, Marcelo Madureira expõe críticas ao atual governo e sua crescente tendência de intervir e censurar o que rola na imprensa. Uma parte da nossa esquerda coitadinha e dona da verdade jamais quis liberdade de expressão. Muitas das vítimas dos excessos da ditadura militar só queriam estar do outro lado, fazendo a mesma coisa, e nunca foram a favor de democracia ou liberdade. Censura e ditadura não é melhor ou pior porque é "de esquerda", e por mais que eu não compactue com a política da Rede Globo de televisão, ainda acho que a liberdade de imprensa é o melhor instrumento que se pode ter para patrulhar o poder vigente, ainda que esta imprensa nem sempre se mostre idônea. Com imprensa é melhor que sem imprensa, e a competitividade entre os meios de comunicação e a abertura para novas mídias acaba por gerar, pelo menos, algum tipo de democracia da informação. Repito: Não existe essa de "ditadura esclarecida dos esquerdistas donos da verdade que sabem de tudo e não precisam ser atrapalhados pela mídia golpista". Isso é babela. A ditadura militar também fez o que fez "em defesa da democracia" e "dos interesses da nação", e a gente conhece o fim da história. Censura nunca mais. Nem de direita, nem de esquerda, e nem da própria imprensa.

Tuesday, February 09, 2010

Erros que geram erros



Brasileiro é assim. Se a coisa deu errado há quatro anos por causa "disso, disso, disso", então, façamos o contrário e tudo vai dar certo. Tipo, não se analisa os detalhes e as particularidades das situações. Ou é 8 ou 80.

A não-convocação de Ronaldinho Gaúcho por Dunga para o amistoso contra o Eire me faz pensar que há grandes possibilidades dele realmente não ser chamado à copa. Na cabeça de Dunga, é a lição de 2006. Ronaldinho foi uma das estrelinhas mimadas daquele mundial, adora demais a "night", não quis ir à copa América, teve a fase deprimida no Milan, não foi bem na olimpíada, alugou quarto para farra três dias, etc, etc, e, para o treinador, talvez não seja um jogador "comprometido" com a seleção, não é "guerreiro", como aprendemos a querer que nossos "atletas" sejam, em vez de craques ou artistas da bola. Do outro lado da balança, o cara que teria de sair para que Ronaldinho entrasse: Julio Baptista, reserva de Kaká, o homem que aceitou jogar a copa América quando Kaká, Ronaldinho, Zé Roberto e Juninho não queriam; o jogador que, apesar das limitações, fez o meio de campo funcionar e trouxe o título contra a Argentina. Júlio é obediente, dedicado, "guerreiro", comprometido, disciplinado, tático e esteve "com o treinador" desde o começo. Agora, perto do Filet Mignon que é a Copa do Mundo, quando os mimados e os guerreiros igualmente desejam jogar, Dunga acha que deve recompensar quem o apoiou e à seleção na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. É normal que um treinador pense assim e que passe isso aos "atletas" no início de um novo "ciclo" ou numa convocação de emergência lá no meio desse ciclo, quando a nau está para afundar numa eliminatória, por exemplo. Felipão fez esse pacto com Edilson e Luizão nas qualificatórias de 2001, vetando Romário para o mundial da Ásia. José Roberto Guimarães, do volei feminino, prometeu a suas recém-chamadas pupilas que elas não perderiam o posto para uma estrela mais talentosa lá pelo final do ciclo, se "estivessem com ele" e fossem bem desde o começo. Resultado: Fernanda Venturini apareceu do nada para jogar Pequim e foi vetada. O objetivo deste pacto é garantir a união do grupo e a união do grupo com o treinador. "Se estão comigo, estou com vocês." Se o pacto é quebrado lá atrás ou lá na frente, os pupilos perdem a fé no "professor", percebem que, independentemente de se matarem nos treinos e nos jogos de menor importãncia, perderão vaga para os figurões quando a coisa realmente importar e, portanto, não se sacrificam, ferrando o técnico junto. Parece-me que a grande reclamação interna do elenco em 2006 é que os reservas se matavam a troco de nada enquanto os titulares se sentavam sobre os louros de sua história e seus "talentos diferenciados". No fim, Parreira perdeu todos, titulares e reservas.



Na sombra dessa "lição", vem 2010, e Julio Baptista é o reserva dedicado, enquanto Ronaldinho, a estrela mimada e desfocada, reflexo do mau exemplo de 2006. Dunga quer dar a mensagem a seus comandados, mirar-se no exemplo de 2002, e seguir a cartilha do que deu certo. Mas ele esquece que cada história é uma história, cada time é um time e que há sempre o imponderável à espreita. Em 2002, tudo podia ter dado errado contra a Bélgica e não deu. Se desse, a geração "Ronaldo-Rivaldo-Roberto Carlos e companhia" seria para sempre a "geração sem líder", "não teria vencido uma copa porque não tinha um Dunga" e o Brasil clamaria por seu novo Dunga em campo para a copa seguinte. Procurar-se-ia uma renovação apressada sem obedecer aos ciclos naturais de passagem de posto. Portanto, assim como a vitória pode esconder erros, a derrota pode exagerá-los até torná-los tabus idiotas.



A verdade é que não temos um elenco cheio de craques para 2010 como tínhamos em 2006, a ponto de podermos abrir mão de uma estrela aqui e ali, como podíamos. Possuímos um time aplicado e bom na medida do necessário, mas de criatividade limitada, como há muito não se via numa seleção brasileira. O meio-de-campo é um dos setores críticos, salvo da mediocridade pelas presenças de Felipe Melo e, principalmente, Kaká, centro nervoso do elenco inteiro. Se Kaká se ausentar da copa ou mesmo de uma partida ou duas ao longo da competição, o Brasil pode ficar tão perdido como a França de 2002 sem seu Zidane, e corre risco de fazer novo papelão. Seu reserva Julio Baptista não pode realmente substituí-lo. Ninguém pode. Ninguém exceto Ronaldinho Gaúcho, que também pode mudar a cara de uma partida com seu talento diferenciado que guerreiro nenhum adquire com aplicação. Ronaldinho é um craque no melhor sentido da palavra, daqueles que fulgurarão (ou fulgurariam) como marcos de sua geração daqui há 20 anos, dos que nasceram e cresceram craques, como Ronaldo, Romário, Kaká, Zico, Rivaldo e tantos antes. Bate falta, escanteio e dá passe como ninguém. Se a maneira de jogar do elenco titular está montada e não tem lugar para ele, ainda poderia ser um recurso para o meio da partida, quando o plano A falhar (e falhará em algum ponto da caminhada). Os Júlios, Elanos e Josués têm suas qualidades, mas não viram um jogo de cabeça para baixo, não destravam os nós táticos estabelecidos na prevalescência de uma estratégia sobre outra. Além disso, em copa do mundo, estrelas fazem toda a diferença. Felipão tinha três, e, também por isso, se absteve de Romário. Dunga não possui um reserva para Kaká e precisa de Ronaldinho, mas é provável que recompense seu cão de guarda Julio pelos serviços prestados, ainda que reze para não precisar deles de novo.

A nova era Dunga da seleção teve muitos acertos ao longo destes quatro anos, mas pode afundar em função deste único e crucial erro, provável lição para 2014. A de que nessa vida, nem tudo precisa ser "8 ou 80".



Thursday, September 24, 2009

Cara de pau



Domingo que vem, vai ao ar a primeira manifestação audivisual pública de Nelson Piquet sobre o incidente envolvendo seu filho no GP de Cingapura ano passado. Já opinei sobre esse assunto no início do mês, quando a coisa ainda não tinha sido comprovada, e minhas suspeitas se confimaram. Nelsão (que antigamente também era chamado de Nelsinho) usou o caso para chantagear Briatore contra a demissão do filho e cumpriu sua promessa, uma vez que o italiano não arregou.

Cinismo. Piquezão jamais abriria a boca se o filho continuasse no time. Na chamada para o fantástico de domingo, diz que preferiria perder a trapacear. Balela. Quem acompanhou a carreira do moço sabe muito bem do que ele e o projetista Gordon Murray eram capazes para ganhar corridas nos tempos de Brabham. Há uma década, Nelsão se gabava dos tempos em que trocava o banco do carro por outro de cinquenta quilos a ser usado apenas na hora da pesagem. Com isso, o carro corria abaixo do peso mínimo permitido. Manobra parecida foi feita no GP do Brasil de 82, quando ele e Murray armaram um esquema de correr com um lastro enorme de água que seria descarregada ao longo do GP, em cada freada, e o carro ficaria mais leve já no meio da prova. O esquema foi descoberto e Piquet desclassificado.

O dito cujo nunca foi exatamente um porta voz do jogo limpo na categoria. De atenuante para o filho, apenas a pressão de obedecer à ordem do chefe, o que não o exime de culpa, mas diminui um pouco sua carga de responsabilidade, o que não basta para evitar o comprometimento da imagem do garoto. Entre ser leal ao time e ao esporte, optou pela primeira opção por motivos egoístas e também abriu o jogo por motivos egoístas. Não duvido que alguns dos atuais pilotos fariam igual em situação igual, mas não fizeram, ou pelo menos ninguém ficou sabendo. Sendo assim, nada mais justo que o embaraço público, cujo tamanho só o tempo irá revelar. Enquanto isso, o papai põe panos quentes.

Tuesday, March 17, 2009

Piraram na batatinha da Formula-1



Acaba de sair hoje uma das decisões mais estranhas e controversas da história da Formula-1. A partir de agora, a pontuação só servirá ao campeonato de pilotos como critério de desempate e como definidor de segundos, terceiros e quarto colocados em diante. O campeão será quem tiver o maior número de vitórias, independentemente do resto. Uma decisão estúpida, a meu ver, que criará situações atípicas e anti-competitivas ao longo da temporada. Alguém esqueceu de avisar aos donos da categoria que a tal competitividade não ocorre só na briga entre primeiro e segundo, mas em todas as posições, e uma vez que a quantidade de pontos passe a não determinar o campeão, teremos pilotos de ponta abdicando de uma prova ao perceberem que não podem vencê-la. A solução óbvia para se incentivar o duelo pela primeira posição seria aumentar a diferença de pontos entre primeiro e segundo para três ou quatro, em vez de dois. Isso já seria o bastante para fazer candidatos ao título arriscarem uma colocação confortável pelo posto mais alto do pódio. Não tenho bola de cristal, mas acho que essa foi uma mudança de regra incrivelmente equivocada e que pode estragar uma temporada que estava prometendo.

O jornalista Flavio Gomes comenta a decisão em seu blog.


Tuesday, March 10, 2009

Watchmen - um clipe metido a filme



Sou fã da série Watchmen dos quadrinhos. Li há pouco tempo e achei fantástica. A "Graphic Novel" de Alan Moore e David Gibbons tem tal relevância no mundo dos gibis e da ficção, que recebeu honrarias dedicada à pérolas da literatura. É a única HQ a constar na lista das 100 maiores obras literárias em língua inglesa escritas desde 1923, elaborada pelos críticos da revista Time, por exemplo. Com isso, choveram intentos para adaptar Watchmen à telona. Entre os candidatos, Terry Gilliam, que até tentou, mas achou a história intransferível devido à características fortemente relacionadas à midia original. Além disso, o enredo é longo e profundo, com histórias dentro de histórias dentro de histórias, todas densas, concatenadas e repletas de mensagens subliminares que nos fazem ingressar num mundo vivo, vibrante e que diz muito sobre a modernidade e a década em que foi escrito. Não foi por acaso que levaram vinte anos para transformar Watchmen em filme.

O desafio era imenso; os fãs da série, exigentes. Desconfiança pairava no ar, mas os primeiros sinais de recepção foram favoráveis. Críticos de alto calibre como Pablo Villaça, de quem sou fã, elogiaram o filme, como também o bonequinho do globo e outras mídias especializadas. Dos fãs, resposta igual, e apesar de minhas desconfianças (uma vez que assisti ao trailer e também fiquei ciente de quem dirigia o projeto), pensei que, no fim, fosse concordar com a opinião hegemônica de que, ao menos como versão, Watchmen, o filme, era bom. Desencanei e desembolsei dezesseis reais por uma cadeira no Roxy de Copacabana, esperando me divertir.



O longa começa. Empolga-me, o início. O Comediante era parecido com o do quadrinho e sua morte seria encenada em vez de insinuada em flashes como na HQ. "Ok. No problem". Veio a primeira luta e meus temores ganharam forma. Sim, as tais piruetas de enquadramento girando em 360 graus enquanto a imagem alterna lentidão com rapidez estavam acontecendo de novo, exatamente como naquele filme sobre espartanos, como é mesmo o nome? Ah, "300". Do mesmo diretor, não é? Ignorei-as e perdoei o virtuosismo besta me distraindo da história. O comediante quebra o vidro, a câmera pára e gira e volta e close no smiley ensangüentado quicando no chão. Com cinco minutos de filme, a empolgação inicial dá lugar ao tédio. Sim, aquilo era mais ou menos o que meus maus pressentimentos temiam. "300" com roupa de super-herói. Alan Moore não merecia isso.



Watchmen, o filme, é um fracasso. Terry Gilliam faria melhor. O roteiro precisou ser mudado e adaptado à curta duração do projeto e nisso os responsáveis mostraram empenho. Muitos diálogos do quadrinho estão lá, linha por linha, ou com passagens inseridas em outras falas. Flashbacks foram enxugados ou realocados, preservando suas sub-tramas básicas dentro do possível. O enredo do filme, embora enxuto e diferente, mostra-se fiel ao gibi, e talvez tenha sido isso a me revoltar mais que tudo, ver falas que eu tão bem conhecia mudando de contexto a ponto de "desdizer" o que diziam no quadrinho. A aparente fidelidade da adaptação funcionando como um álibi para que Zack Snyder, "o virtuoso", fizesse seu videoclipe de duas horas e meia sem importunações. E é isso que Watchmen é. Um clipão chinfim de duas horas e meia amparado por falas supostamente geniais desprovidas de um contexto que as faça dizer o que querem.

A HQ funcionava em níveis múltiplos de percepção, mas o filme se mantem no nível 1. Cada quadro precisa ser tão impactante quanto uma capa de revista. Mas uma sinfonia não pode ser tocada no apogeu do início ao fim. Musicalmente, ela deve "contar uma história", assim como Watchmen deve contar uma história, e uma história tem etapas, tem introdução, apogeu, conclusão... No caso de Watchmen, vai além, mas possui altos e baixos e nuances e silêncios reflexivos que fazem um emaranhado de elocubrações e situações ganharem sentido. Snyder ignora isso. Para ele, tanto faz se é um filme de faroeste, espartanos machistas de sunga ou super-heróis aposentados às vésperas do armagedon, o que vale é manter o espectador em contínuo deslumbre visual, olhos gozando a cada granulação de frame, cada salto, coreografia, gota caindo do cabelo meticulosamente esvoaçante do protagonista. Não há tempo ou espaço para pausas dramáticas, silêncios reflexivos, "ascendente e descendentes" que permitam a devida ingestão do que os diálogos propõem. As falas do roteiro têm de dar espaço ao exagero estético que nunca "afrouxa" e, por isso, mal se ouve o que é dito ante o show de estímulos. Talvez fosse melhor que não houvesse falas.


Chego a pensar nesse filme como um atentado à grandeza do quadrinho. Excedo-me? Duvido. Snyder pegou os diálogos de Moore e os anulou. Fez com que trabalhassem em prol do que questionavam. A crítica aos tempos republicanos, a Reagan, às visões unilaterais e suas conseqüências, às inversões de valores de uma sociedade doente que gera gente como Rorschach e o Comediante, "guardiões" de um mundo "torto", tudo isso virou apologia e brincadeira na mão de Snyder, como também a violência, presente na HQ, mas não de modo gratuito, gerando-nos, por isso, impacto e empatia com personagens e situações. No filme, não há empatia, ou humanismo, ou pontes que nos permitam entrar na história, pois não há história, só uma seqüência vazia de eventos.



O filme é um simulacro bidimensional do quadrinho. A morte do anão se finge fiel à obra, mas só quer mostrar sangue, maldade, maldade divertidinha. O Coruja não se choca com a atitude do ex-colega. Apoia-o numa careta como se dissesse "hell, yeah, kill this motherfucker" por dentro; o mesmo prazer mórbido dos espectadores que acharam engraçado quando Rorschach picou a cabeça de um assassino com um cutelo. "A seqüência foi quase igual ao quadrinho, com uma mísera diferença!" brada a mim um fã, no que respondo: Não. Não foi "igualzinha" ou quase. Fingiu que era. Simulou para legimimar o que Snyder queria que o público quisesse ver. A porrada, o braço cortado, o sangue digital que é "super maneiro, cara!". Esse Watchmen é um pornô onde os diálogos só prestam para entremear a ação que todo mundo espera. Mas a "ação" da HQ se dava "dentro da ação" ou onde ela não existia, uma "ação" que ocorria em nossos interiores pelo que não podíamos deixar de pensar, sentir, associar, na relação com o que a história nos comunicava. O psiquiatra só aparece no filme para que o filme nos diga que ele aparece, como uma penca de personagens, falas e seqüências dispensáveis; para que os fãs exclamem: "Ih, olha lá o psiquiatra da HQ! Ih, agora a seqüência das figuras! Ih, vai falar do cachorro agora, olha o cachorro, ih, legal, sinistro, assim desse jeito!" Nada acontece que não seja para justificar o lusco-fusco, o "verdadeiro filme de Snyder" como obra cult ou algo mais que um mero videoclipe.



Se entivesse vivo, Baudrillard consideraria a associação entre o longa e a HQ uma alegoria muito melhor de seu "Simulacros e Simulações" do que Matrix, onde se adorava citar o filósofo nos bastidores. As atuações em Watchmen seguem caminho idêntico. À exceção dos momentos de raiva, ironia, etc, as emoções são sempre em falsete; os personagens nada sentindo. São eles, não os atores, os verdadeiros intérpretes. Psicopatas interpretando humanos. Psicopatas simulando choque, tristeza ou compaixão a cada necessidade do enredo. Suas verdades interiores estampadas na máscara mórbida que, quando podia, deixava transparecer o material sádico e impassível do qual era feita.

Talvez o fato de poucos perceberem isso, que a mim parece óbvio, seja um sinal de que a doença que Moore denunciou em sua obra tenha contaminado o consenso público. Estamos mais rorschachiados e comediantizados do que nossos predecessores. Esses filmes e nossa aceitação deles refletem isso. Watchmen é a "grande piada" do Comediante Snyder para os Rorschachs dentro de nós.



Não creio que não existam qualidades no filme, mas estas são inofensivas frente ao desastre do conjunto. Para não dizer que odiei tudo, penso que um esboço de trama ameaçou dar as caras nos minutos finais, e de repente as falas moveram-se nas tumbas, levantaram-se, ameaçaram fazer-se valer e lutar contra o exagero visual pela atenção do espectador, estrebucharam e desfaleceram, pois era tarde e o estrago estava feito. Tecnicamente, muitas das soluções do roteiro adaptado fizeram sentindo (há falhas também), incluindo o fim alternativo, que precisou de menos retrospectos que o fim original requeriria, parecendo-me eficiente.

Tenho mais a falar de Watchmen, para o bem e para o mal, porém o choque negativo pela escolha do diretor, por sua interpretação do trabalho de Moore e pelo fato de tantos não terem exposto sua mediocridade me fez querer "botar para fora" em palavras e deixar de lado questões mais específicas do roteiro ou desse e daquele ator. Sei que não sou dono da verdade, e também não quero posar de politicamente correto, ou anti-estético, ou anti-violência, que para mim pode ser um recurso ótimo, desde que nas mãos certas, quer críticas ou sádicas. Um projeto como Watchmen merecia um diretor comprometido com a essência da trama.



Snyder é péssimo. Exagero por exagero, sanguinolência, impacto, porrada... prefiro Tarantino ou Rodrigues. Nenhum dos três faria Watchmen, dependendo de mim, mas Tarantino sabe diferenciar filme de videoclipe e Snyder não.




Nota posterior do autor: Escrevi este texto ontem (9/3) e o publiquei aqui na última madrugada. Sei que 90% da crítica apoia o filme, mas, aos poucos, vou descobrindo opiniões de fãs e especialistas com visões parecidas com a minha. Há minutos, esbarrei com um comentário de Isabela Boscov, da revista Veja, que tem muito a ver com o que escrevi. Para quem quer conferir o que ela disse, basta clicar aqui.


Monday, February 23, 2009

Idéias em ebulição


Para quem não sabe, escrevo também num blog coletivo, o Poeira de Idéias. Este site foi criado ano passado e contava com quatro participantes que semanalmente postavam artigos de cunho analítico, em geral sobre filosofia, cinema, política, economia ou questões mundanas sob ângulos originais e interessantes. O Poeira de Idéias foi reformulado para 2009 e eu substituí um dos membros. Cada um dos quatro blogueiros tem direito à uma postagem mensal e uma extra em sua semana de postagem, caso queira. Cada semana pertence a um blogueiro e as atualizações são efetuadas na quarta ou na quinta-feira.

A última postagem, feita semana passada, foi minha (meu segundo texto publicado). Os dois artigos que lá coloquei saíram nos números 21 e 22 da Revista Sina, de Mato Grosso. Os outros redatores do site são Rafael Issa, Marcel Gianotti e Juliana B. Lanfranchi


Tuesday, January 13, 2009

Manuel, importante e necessário


O texto principal desse post não foi escrito por mim, mas por Paulo Coelho. Sim, o "marketeiro" Paulo Coelho que só escreve para iletrados, que explora a sede de sentido e misticismo dos ignorantes, que jamais deveria ingressar na Academia Brasileira de Letras, que não tem profundidade, que é a vergonha da literatura nacional e mais mil definições elogiosas de quem nem sempre se dá ao trabalho de conceder atenção ao que o cara escreveu antes de emitir opiniões.

Nenhum escritor está acima da crítica, e o sucesso, naturalmente, deixa qualquer um mais exposto. Não sou um grande fã de Paulo Coelho, mas enxergo em muitos dos seus escritos uma busca genuína e pertinente pela essência do ser, o que me basta para considerá-lo digno de apreciação e do sucesso que tem. Opinião, claro. Cada um tem uma. O texto a seguir é dele, e, a mim, está longe de ser mera auto-ajuda de quinta, como uns gostam de pensar. Simplicidade e qualidade nunca foram antônimos.

Sem delongas, segue o texto. Leia e faça sua avaliação.



Manuel, importante e necessário




MANUEL PRECISA ESTAR OCUPADO. Caso contrário, acha que sua vida não tem sentido, está perdendo seu tempo, a sociedade não precisa dele, ninguém o ama, ninguém o quer. Portanto, assim que acorda, tem uma série de tarefas: assistir ao noticiário na televisão (pode ter acontecido alguma coisa durante a noite), ler o jornal (pode ter acontecido alguma coisa durante o dia de ontem), pedir à mulher que não deixe as crianças se atrasarem para a escola, pegar um carro, um táxi, um ônibus, um metrô. Mas sempre concentrado, olhando o vazio, olhando o relógio, se possível dando algumas ligações de seu celular — e fazendo questão que todos vejam que é um homem importante, útil para o mundo.

Manuel chega ao trabalho, debruça-se sobre a papelada que o espera. Se for um funcionário, faz o possível para que o chefe veja que chegou na hora. Se for patrão, coloca todos para trabalhar imediatamente; caso não existam tarefas importantes, Manuel irá desenvolvê-las, criá-las, implementar um novo plano, estabelecer novas linhas de ação.

Manuel vai almoçar — mas jamais sozinho. Se for patrão, senta-se com os amigos, discute novas estratégias, fala mal dos concorrentes, sempre tem uma carta escondida na manga. Queixa-se (com um certo orgulho) da sobrecarga de trabalho. Se Manuel for funcionário, também senta-se com os amigos, queixa-se do chefe, diz que está fazendo muita hora extra, afirma com desespero (e com muito orgulho) que várias coisas na empresa dependem dele.

Manuel — patrão ou empregado — trabalha a tarde inteira. De vez em quando olha o relógio, está chegando a hora de voltar para casa, mas falta resolver um detalhe aqui, assinar um documento ali. É um homem honesto, quer fazer jus ao seu salário, às expectativas dos outros, aos sonhos de seus pais, que tanto se esforçaram para lhe dar a educação necessária. Finalmente volta para casa. Toma banho, coloca uma roupa mais confortável, vai jantar com a família. Pergunta pelos deveres dos filhos, pelas atividades da mulher. De vez em quando fala do seu trabalho, apenas para servir de exemplo — porque não costuma trazer preocupações para casa. O jantar termina, os filhos — que não estão nem aí para exemplos, deveres ou coisas similares — saem logo da mesa e vão para a frente do computador. Manuel, por sua vez, vai também se sentar diante daquele velho aparelho de sua infância, chamado televisão. De novo vê os noticiários (pode ter acontecido alguma coisa de tarde).



Vai se deitar sempre com um livro técnico na mesa de cabeceira — sendo patrão ou empregado sabe que a concorrência é grande, e, quem não se atualiza, corre o risco de perder o emprego e ter que enfrentar a pior das maldições: ficar desocupado.

Conversa alguma coisa com sua mulher — afinal, é um homem gentil, trabalhador, amoroso, que cuida de sua família e está pronto para defendê-la em qualquer circunstância. O sono vem logo, Manuel dorme, sabendo que no dia seguinte estará muito ocupado, e é preciso recuperar as energias. Naquela noite, Manuel tem um sonho. Um anjo lhe pergunta: “Por que você faz isso?” Ele responde que é um homem responsável.

O anjo continua: “Você seria capaz de, pelo menos durante 15 minutos do seu dia, parar um pouco, olhar o mundo, olhar para você mesmo, e simplesmente não fazer nada?” Manuel diz que adoraria, mas não tem tempo para isso. “Você está me enganando”, diz o anjo. “Todo mundo tem tempo para isso, o que falta é coragem. Trabalhar é uma bênção quando isso nos ajuda a pensar no que estamos fazendo. Mas torna-se uma maldição quando sua única utilidade é evitar que pensemos no sentido de nossa vida.”

Manuel acorda no meio da noite, suando frio. Coragem? Como é que um homem que se sacrifica pelos seus não tem coragem de parar 15 minutos? É melhor dormir de novo, tudo não passa de um sonho, estas perguntas não levam a nada, e amanhã vai estar muito, muito ocupado.


Saturday, January 03, 2009

Patos pós-modernos



Assisti ontem ao filme Borat, com o audaciosíssimo Sasha Baron Cohen. O projeto funciona como um experimento e, segundo os envolvidos, muitas mudanças nos rumos do roteiro precisaram ser feitas, uma vez que ele foi posto em prática. Sasha já era conhecido na Inglaterra por personagens como Ali G – uma sátira à moda Gangsta Rap e aos wannabes do gênero e pelo próprio Borat que já tinha quadros no programa de Ali G. Nos Estados Unidos, sua popularidade era menor, mas ele já havia feito uma apresentação no show de David Letterman bem antes do famigerado filme ser lançado por lá.

Para quem não sabe, Borat, o personagem, é um repórter do Cazaquistão que faz um documentário nos Estados Unidos destinado a seus conterrâneos, mostrando, através de entrevistas com os americanos, as virtudes do povo que habita a nação mais poderosa do planeta.

Com este discurso em mãos, Borat convence suas vítimas a participar do experimento, que na verdade é uma grande pegadinha. Tanto o personagem quanto sua terra de origem são retratados no filme de modo absurdamente estereotipado, rude e politicamente incorreto, mas, no caso de Borat, verossímil o bastante em seu sotaque e trejeitos para serem tidos como reais pelos entrevistados. Com isso, o projeto expõe as limitações, a ignorância e a hipocrisia de algumas alas do povo americano aprisionadas em seu narcisismo ideológico de donos da verdade.

Um olhar mais atento nos mostra que o filme vai além disso. Na verdade, nem todos os supostos participantes involuntários do projeto são, de fato, vítimas, e com isso, Borat revela que somos nós também patos da pegadinha.



Mas Borat não é só uma pegadinha. É a celebração de algo que vem acontecendo na TV há tempos: uma mesclagem entre as linguagens tidas como ficcionais e realistas ao ponto do espectador se perguntar onde uma coisa acaba e a outra começa e, num nível mais profundo, aperceber-se de que os dois já se fundiram numa coisa só e geraram novos gêneros narrativos que o público atual não tem dificuldade para assimilar. Borat existe e não existe. Nós "existimos" e "não existimos". O mundo do espetáculo pode ser mais real que a realidade, ou ser a própria realidade. Pode se divertir com nossa passividade existencial como nos divertíamos com os espetáculos antes deles nos tornarem passivos. Somos espetáculo. Espetáculo do espetáculo. A vida é um complexo de peças operadas pela indústria cultural.



Andy Kaufman tinha feito isso nos anos oitenta, mas seu público era diferente e o resultado das pegadinhas que armava com celebridades se fingindo de vítimas e confusões simuladas para acarretar reações no público em programas ao vivo foi um turbilhão de problemas que praticamente o tiraram do showbizz e impediram que alguém noticiasse seu câncer até a morte do ator comprová-lo.

O espectador pós-moderno não liga em ser manipulado, em descobrir que a verdade era mentira, que a mentira era verdade, que a verdade pode ou não ser mentira e que a ausência de mentira ou de verdade é uma realidade. Borat celebra (sacaneando) esse mundo. "O que é o Cazaquistão? Um país? Ah, aquele país fictício que aparece no filme do Borat, mas existe de verdade. O tal carro de sorvete percorreu mesmo os EUA? A pegadinha da Pamela Anderson foi armada? Quantos documentaristas, de fato, ficavam atrás das câmeras enquanto as vítimas eram filmadas?" Sei lá. Nem quero saber. É cinema e televisão, e o que vale é o que aparece. Sempre foi assim, mas talvez nenhum público estivesse tão pronto para encarar isso de modo mais assumido e relaxado como nas duas últimas décadas, estendendo isso a seus cotidianos.



Ah, tudo bem! Falando na boa... Fiquei sim curioso e dei uma pesquisada na pegadinha da Pamela Anderson para saber se foi armada. Foi. Descobrir isso me fez gostar mais da moça que, cá entre nós, mandou bem para diabo ao ser ensacada e fugir. Não consigo deixar de rir ao rever o trecho. A luta dos caras nus também foi qualquer coisa de sublime.

Há cenas inéditas de Borat nos EUA filmadas para sua série britânica, com o título de "Guia de Borat para os EUA". Parte desse material pode ser acessada através do youtube. Veja alguns episódios:

1 - Borat visita uma partida de Baseball

2 - Borat não consegue entender o sentido de um museu na California, tenta comprar um escravo e vai a outro rodeio.

3 - Aprenda a se defender da garra de um judeu

4 - Borat no clube de tiro

5 - Borat aprende a degustar vinho

6 - Borat toma aulas de boas maneiras

7 - Borat participa de um encontro arranjado, mas antes, pede dicas à conselheira

8 - Borat na academia

9 - Borat conversa com um anti-semita e quer aprender a caçar judeus

E não é só nos States que ele expõe o preconceito da galera não. Dois quadros do Guia de Borat para a Grã Bretanha:

1 - Borat na universidade de Cambridge, expondo o machismo da galera e aprendendo a jogar criquet.

2 - Borat aprende a flertar e a ser um cavalheiro


Friday, November 21, 2008

Os 10 horrores da sala de cinema



Pegarei carona em um dos memes recentemente postados por nosso colega Vulgo Dudu do blog Cinéfilo, Eu?.

O meme em questão consiste em apontar, na opinião do blogueiro, quais foram os 10 piores filmes por ele já vistos em sua história de espectador. Confesso: fazer uma lista dos 10 piores não é fácil. O número de abacaxis que trespassa meu raciocínio é infinito, e acaba sendo necessário criar algum parâmetro, mesmo que incoerente e ininteligivelmente subjetivo, para justificar as escolhas. Deixei de lado aqueles filmes inocentes, já feitos para ser uma porcaria, reconhecidos como tal e ganhar reprise no "Cinema em Casa". Refleti e conclui que optaria, entre tantas, pelas produções que mais me desapontaram, pelos mais pretensiosos (em alguns casos, até nocivos), por filmes que carregavam uma marca de time grande e jogaram como timinho, ou por casos em que meu horror ante a falta de qualidade foi tanto a ponto de não haver modo de não mencionar a causa, independentemente dos porquês ou de haver porquês. Meu principal parâmetro foi a experiência individual, emocional, inominável. Ainda assim, procurei colocar ao lado de cada escolhido, uma justificativa, o provável motivo que o fez constar em minha lista de traumas, decepções ou mero desprezo cinematográfico.


Seguem os 10 horrores:


1 - Independence Day - Um de meus primeiros mega-desapontamentos com o cinema de ação estadunidense. Devo lembrar que este filme foi lançado ainda no fim da minha adolescência, período em que meu olhar crítico para com Hollywood estava pouco desenvolvido. Pelos comerciais, eu esperava um novo Star Wars, algo grande que marcaria a história do gênero por décadas e me deparo com um roteiro com QI de ameba. "Vírus de computador"? Valha-me Deus! O cara desenvolve um virus em um computador "made in terra" para infectar um sistema de processamento de dados alienígena que ele nem conhece? E o Will Smith aprendendo a pilotar o caça alien em um minuto, simplesmente virando o papelzinho de cabeça para baixo? Independence Day não entrou para o currículo do gênero pela porta da frente como se esperava. Virou apenas um entre infindáveis "trash movies" involuntários de mau gosto e orçamento gigante que marcaram Hollywood.

2 - Pearl Harbor - Outro Trash da linha do Independence Day. Dessa vez, claro, eu estava mais vacinado quando em contato com o "virus". Pearl harbor é uma tentativa patética de juntar a fórmula "high budget - mela cueca" de "Titanic" com a receita patriótico-mitológica de produções como "Resgate do Soldado Ryan". O resultado é bizonho. Um filme careta, idiota, com personagens cheios de certezas burras e frases feitas como se pudessem, a cada momento, sintetizar o drama de situações complexíssimas com meia dúzia de palavras. Cinema reducionista em seu estado bruto, Pearl Harbor é uma das grandes decepções da história da sétima arte. Algumas cenas de ação até chegam a ensaiar algo empolgante, mas depois frustram, descambando para uma inverossimilhança demasiadamente forçada e maniqueísta.

3 - As Panteras Detonando - Seu predecessor, "As Panteras", encabeçou a primeira leva dos "Filhotes de Matrix" que dominariam uma parte significtiva do gênero ação nos anos seguintes, um "cinema-videogame" photoshpado onde tudo é possível aos indivíduos de carne e osso graças às maravilhas da virtualidade no mundo real. "As Panteras" pelo menos funciona dentro de seu nicho, algo que definitivamente não ocorre com "As Panteras Detonando", que, de tão ruim, decepcionou até os fãs mais xiitas do trio. McG era diretor de comerciais e videoclipes quando engrenou com "As Panteras", e parece ter se empolgado com o sucesso do projeto ao ponto permitir alçar "vôos mais criativos". O resultado é um videoclipe de quinta categoria com uma hora e meia de duração. Haja saco!

4 - Dungeons and Dragons - É quase inacreditável que alguém do calibre de Jeremy Irons tenha aceitado integrar um projeto tão grotesco em sua essência. Dungeons and Dragons sintetiza o outro extremo do que pode acontecer quando os "conhecimentos secretos" da computação gráfica são concedidos aos despreparados. Se de um lado temos uma geração de bizarrices pseudo-épicas com delírios de grandeza e efeitos especiais de milhões de dólares que mais fazem rir do que outra coisa, do outro, seus primos pobres (e põe pobre nisso) nos deleitam com peças de ginásio mal filmadas e editadas no PC do vizinho. Dungeons and Dragons gera náusea até em jogos de Playstation 2, de tão mal-feito que é. Os personagens são estereótipos de estereótipos. Aliás, o Shorty, de "Todo Mundo em Pânico", faz um bardo blackstyle nesse filme.

5 - Romeu tem que Morrer - Um Filhote de Matrix que nasceu paralítico. Não sei se deveria colocar este filme na lista, pois mal consegui assistí-lo na íntegra e minha memória fez questão de apagar algumas partes - talvez um mecanismo inconsciente de proteção contra traumas cinematográficos. "Romeu tem que Morrer" pertence à mesma categoria de "As Panteras Detonando" em todos os sentidos, e muito do que foi dito sobre uma "pérola" vale para a outra.


6 - O Imperio do Besteirol Contra Ataca - Kevin Smith ganhou nome no cinema com filmes de baixo custo sustentados por roteiros ácidos, sagazes e originais. O sucesso lhe rendeu atenção do mercado e, conseqüentemente, grana para produções onde pudesse ousar sem grilos orçamentários. "O Império do Besteirol Contra-Ataca" deveria celebrar o trabalho do diretor e o legado de seus dois principais personagens Jay e Silent Bob, que integram quase todos os filmes de Smith. Infelizmente, o cara se empolgou com o melado e se lambuzou. Quis juntar todos os atores importantes de seus outros filmes, ressuscitar ídolos de infância esquecidos por Hollywood (leia-se Carrie Fischer e Mark Hammil), abusar de suas fantasias de adolescente tarado na elaboração do roteiro e entremear tudo com uma trama até promissora, mas muito mal desenvolvida. Exagerou nas bobagens e perversões, esquecendo-se do contraponto que as tornava interessantes em trabalhos anteriores: as falas e situações inteligentes. Smith errou feio até com seus Jay e Silent Bob, aqui uma sombra do que sempre foram como personagens.

7 - Bad Boys II - Michael Bay merece uma menção honrosa, pois dirigiu dois dos dez piores filmes expostos nesta lista. Bad Boys (o primeiro) talvez seja o único bom trabalho em que esteve envolvido. Um blockbuster de ação sustentado, entre outras coisas, pela química dos dois personagens principais e pelas situações inusitadas em que eles se envolvem enquanto arriscam a pele entre explosões e frenesi. Eis o segredo do filme, misturar na dose certa a leveza com a porrada, a comédia, o absurdo e os momentos de tensão real. Bad Boys II não faz jus a nada disso. É um filme estúpido desde o começo, narcisista, mórbido, racista e exageradamente escatológico nas falas e situações. A história não faz sentido. Os personagens são insensíveis e grossos ao extremo. Marcus e Mike perderam toda aquela sutileza de caráter que os tornava interessantes e engraçados. Viraram estereótipos "gangsta rap" da pior espécie. O filme, aliás, é um ode à escrotidão, nos personagens, no roteiro e nas mensagens subliminares que emite ao público. Michael Bay aqui nos dá uma aula de como estragar uma franquia de sucesso.

8 - Fomos Heróis - Se pararmos para pensar, notaremos que o título em português deste longa carrega um equívoco, pois seu nome original (We Were Soldiers) está relacionado àquilo que deveria ser a essência do filme, mostrar os combatentes americanos no Vietnã como soldados no cumprimento do dever, em vez de heróis ou assassinos. Se pararmos para pensar um pouco mais, veremos que, em termos práticos, "Fomos Heróis" faz mais jus ao nome brasileiro que ao americano, exatamente por mergulhar de cabeça na onda "pró-guerra politicamente correta supostamente realista" dominante em Hollywood desde "O Resgate do Soldado Ryan". Esta pérola da pieguice está anos luz aquém do trabalho de Spielberg. É repetitiva, abusa da câmera lenta, dramatiza em excesso seus "momentos chave" e exagera na quantidade deles. Erra na dosagem dos ingredientes e é simplista quando relaciona os personagens com as variáveis morais e políticas da guerra. Irônico, aliás, que "Fomos Heróis" seja apontado por muitos veteranos do Vietnã como o filme mais realista já feito sobre esse tema, apesar das pesadas crítica que recebeu, ao contrário de "Apocalypse Now", unanimidade entre cinéfilos, mas não entre ex-combatentes, que o consideram fantasioso e inverossímil. Como estou mais para cinéfilo que para veterano, fico com a complexidade de "Apocalipse Now" e dou uma banana para "Fomos Heróis".

9 - Joanna D´Arc - O grande problema desse filme tem um nome. Milla Jovovich. Tudo bem que Luc Besson também está longe de constar na minha lista de diretores favoritos, mas tivesse ele escolhido uma atriz com o peso que a protagonista pedia, este filme não seria, de longe, o abacaxi que é. De que adianta chamar Dustin Hoffman, John Malkovic e Faye Dunnaway, se o papel principal, da personagem que é a marca do filme, da moça que na idade média inspiraria hordas de brucutus a lutar pela pátria e vencer, cai nas mãos da protegidinha do diretor, do bibelô que ele tá comendo, da songa monga sem um pingo de expressividade que mais parece uma princesa em apuros no meio dos soldados que deveria liderar e inspirar? O peso dos coadjuvantes acaba por ofuscá-la mais, e também à essência do filme, pautada na força de sua personagem chave.

10 - Street Fighter - Não é raro ver os americanos tomando chocolate dos japoneses na hora de adaptar jogos de videogame para as telas do cinema e da TV. Se compararmos a série animada nipônica, ou o longa oriundo desta série com os desenhos Street Fighter americanos ou o filme estrelado por Van Damme, percebemos o quão grande pode ser a diferença de competência entre quem leva a serio o que faz e quem não leva. A série japonesa era maduríssima e rica na elaboração de seus personagens e tramas enquanto o filme e o desenho americano se reduziam a estórias bobas, infantis e personagens superficiais. Para piorar, Street Fighter foi feito antes da era da computação gráfica, o que expôs ainda mais a mediocridade do projeto, que, de tão ruim, toma pau feio do irmão lançado três anos depois, Mortal Kombat.


Menções honrosas, já justificadas, para Os Espartalhões e seus derivados, e também para os Batmans de Joel Schumacher.




Saturday, November 15, 2008

Amiga da Onça


Depois das porradas, o cinismo. Sarah Palin atacou Barack Obama de tudo quanto é jeito em sua campanha. Associou-o ao terrorismo, ao socialismo, à William Ayers e um monte de gente considerada perigosa pela ala paranoica do povo americano, e isso sem jamais exibir provas para suas alegações. Agora o cara está lá, na Casa Branca, e todo mundo vira amiguinho, todo mundo vem puxar o saco, não é Sarah?

Segue o texto retirado do Site Globo.com


Sarah Palin se diz 'muito otimista' com futuro governo Obama

'Este é um momento histórico para o nosso país', disse ela.

A ex-candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos e atual governadora do Alasca, Sarah Palin, se disse animada com a futura administração do democrata Barack Obama, durante uma entrevista concedida nesta quarta-feira (12).

"Estou muito otimista. Este é um momento histórico para o nosso país", afirmou Palin, durante um encontro de governadores republicanos em Miami.

"Os americanos vão estar unidos, democratas e republicanos, trabalhando atrás do novo presidente pelo progresso do país", afirmou.


Sunday, November 09, 2008

Muito pior que um besteirol americano



Jason Friedberg e Aaron Seltzer são dois diretores e roteiristas de comédia cujas maiores influências, imagino, devem estar naqueles nonsenses que marcaram época no cinema americano dos anos oitenta, trabalhos de Jim Abrams, David Zucker, como Top Gang, Aperte os Cintos que o Piloto Sumiu, ou Corra que a Polícia vem aí, uma linha, aliás, derivada de um estilo cômico desenvolvido na Grã-Bretanha em meados de 70 por gênios como o pessoal do Monty Python Flying Circus. Seus filhotes oitentistas americanóides nasceram com o selo Hollywood do fast delivery e da cultura de massa que demanda piadas de entendimento fácil, instantâneo, sem rodeios verborrágicos, reflexões ou referências de cunho erudito. Ainda assim, apresentavam uma qualidade apreciável que, pelo menos até certo ponto, justificava a paternidade. Décadas transcorreram e uma nova geração de roteiristas e diretores assumiu o poder da máquina, uma geração que aprendeu a fazer graça com Abrams e Zucker, mas também com o Saturday Night Live, em seus altos e baixos, e, mais recentemente, com o não tão criativo Mad TV, entre outras bobagens de igual calão. Friedberg e Seltzer estão nesse grupo, as cópias das cópias das cópias (e, lembremos, falo aqui de gravação analógica, como nas fitas cassete, em que uma parte da qualidade se perde durante o processo), o eco do eco do eco, a reverberação difusa, careta e inofensiva do que um dia foi iconoclastia de gente grande. Se os Pythons procuravam na filosofia, na política e na história as referências geradoras para seu material, "gênios" como Friedberg e Seltzer têm na MTV, Reality Shows, comerciais e sitcoms de baixa qualidade, a principal inspiração de suas piadas. Duro de Espiar, trabalho de estréia da dupla escrevendo, não chega a ser ruim. Bem abaixo dos grandes sucessos de Leslie Nilsen, é verdade, mas ainda capaz de arrancar risadas (minhas, pelo menos). Depois disso, os dois tiveram a chance de aprender algo (seria possível?) integrando o time de roteiristas de "Todo Mundo em Pânico 1 e 2", outros netos bizonhos da geração Python, filmes que determinariam o modus-operandi da próxima "dinastia nonsense parodia" em Hollywood. O pior disso tudo é que nem igualar o nível destes dois filmes este pessoal tem conseguido. As seqüências da franquia são inócuas, ainda que uma delas contasse com a participação de Zucker, hoje uma sombra do que foi no passado. Os trabalhos subseqüentes da dupla Alka Seltzer/Friedberg (dessa vez escrevendo e dirigindo) são uma piada pronta onde a graça está na incompetência da dupla, que, como outros de sua estirpe, acha que fazer comédia é juntar um punhado de referenciais pop e expor sua ridicularidade essencial à ridicularidade cômica pelo método infanto-pastelão. O problema ocorre quando constatamos que a ridicularidade da paródia pertence à mesma árvore genealógica da ridicularidade a ser parodiada, ou seja, lixo lixificado a uma audiência nascida do dejeto, a nadificação do nada para ninguém ver. Não há vestígio de inteligência, criatividade, originalidade ou bom senso no mecanismo cômico de Os Espartalhões, Date Movie, Disaster Movie e outros tantos blockbusters-paródia sem sustância, sem razão de ser, sem algo que justifique sua existência como filme. São a versão nonsense dos "Gigolôs Americanos" e "Norbits" da vida. E não me venham os porta-vozes do cinema decerebrado defender esses filmes como diversão despretensiosa. Despretensioso era Porkys, Última Despedida de Solteiro, Eu, Eu Mesmo e Irene, Debi & Loide... As produções sobre as quais escrevo estão aquém do despretensioso, aquém do decerebrado, do besteirol, da diversão fugaz, são a derradeira distorção dos fundamentos da sátira e da paródia. Se a paródia visa profanar a aura intocável de um ícone, temos aqui a profanação do próprio papel da paródia, e, de certo modo, a relegitimização do mecanismo que ela pretendia atacar e do falso ícone que ela deveria expor.



Por essas e outras, na hora de escolher entre comédias pós-modernas, fico com outras correntes, com os "despretensiosos" mais sagazes, com a galera do Superbad ou do Tropic Thunder, que sabe ser criativa e fazer jus a seus antecessores, mesmo quando quer sacaneá-los.

Monday, October 06, 2008

Materialismo espírita (ou vice-versa)

Ontem revi um trecho do filme "Jesus Camp", documentário sobre um acampamento de verão para crianças evangélicas onde estas sofrem a típica lavagem cerebral em nome de cristo. Até aí, nada além do usual que já conhecemos. Bizarras mesmo são as artimanhas do diabo materialista para arrebanhar os discípulos de Nazareth à sua causa. "Aquecimento global não é coisa do homem" é uma delas. A segunda é associar desapego material com utilização irrestrita dos recursos do mundo, ou seja, "um dia vamos morrer mesmo, o importante é o espírito, o juízo final chegará, a matéria nada vale, podemos usar e abusar dos recursos do planeta sem qualquer consciencia ecológica.".

O diabão corporocrata transforma ecologia em materialismo, materialismo em desapego e um bando de otários que se pensam cristãos caem de quatro gritando "Amem". Acordem, idiotas! Seus pastores são ateus!

Wednesday, September 10, 2008

Reaças em alto mar



Enquanto o resto do mundo reza para que Barack Obama crave um fim na era Bush e devolva um pouco de sensatez à Casa Branca, há uma parte significativa do povo americano unindo forças para perpetuar o absurdo de suas já conhecidas crenças e, conseqüentemente, seu estilo de vida. Gente que vê nos Estados Unidos da América o guardião mundial dos bons princípios do planeta e o direito de dirigir e explorar povos que mal conhecem e dos quais dependem a fim de manter sua redoma artificial de débito, consumismo, corporocracia, isolamento, poluição e ignorância, hoje em crise ante os olhos da política e economia mundial. Para tantos entre nós parece absurdo que, no evidente fracasso do mandato de George W. Bush, John McCain ainda consiga se manter empatado com Obama nas pesquisas. Quem são esses americanos que sustentam a gangue de Karl Rove na Casa Branca há oito anos? Quem são os alienados que insistem em ver na invasão do Iraque um sucesso inquestionável e uma missão com propósitos divinos? Sabemos que, sob o ponto de vista interno, duelos entre democratas e republicanos dizem respeito a mais coisas do que as questões internacionais que nos chegam via TV e internet. O eleitor yankee comum pode ser tão egoísta quanto qualquer outro, e se somarmos este egoísmo ao egoísmo cultural que a mídia, os códigos vigentes e sua própria voluntariedade o submetem, temos um conjunto de populações isoladas da realidade pela fé em princípios ultrapassados. Um tradicionalismo político-religioso de trocentos anos afundando ao sopro dos novos tempos, insistindo em agarrar-se no que pode, demolindo o mundo inteiro, se preciso, para não perecer. Sarah Palin é a nova cartada dessa gente. Uma figura de ares joviais, um neo-feminismo anti-feminista, uma aura de vencedora, de boa mãe, boa esposa, embalagem sofisticada e "hip" o bastante para atrair novos públicos a velhos ideais, como a volta do criacionismo às escolas, o fim da lei do aborto e do casamento homossexual. Se os liberais têm em seu Obama um possível elo com uma nova América, os conservadores apostam em Palin para dizer que o velho também pode ser novo, ou ao menos parecer novo. E na terra da ilusão e do entretenimento, o "show de luzes" tem mais importância do que palavras na hora de aumentar o rebanho.



Lembremos que Sarah será vice de um homem de 72 anos, com várias reincidências de câncer e um histórico médico que, nos últimos 8 anos, ultrapassa as 250 páginas.

A leitores curiosos sobre quem seriam ou como pensam esses republicanos comuns (e incomuns) que pouco aparecem na MTV, um artigo interessante. A revista Le Monde Diplomatique publicou em fevereiro uma matéria sobre um cruzeiro realizado para assinantes da National Review, bíblia do conservacionismo americano. O jornalista inglês Johann Har penetrou a "nau dos reaças" para analisar o perfil de seus viajantes; o que eles dizem quando longe de "ouvidos indiscretos". A matéria é de tirar o chapéu.

Para lê-la, clique
aqui