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Thursday, May 13, 2010

Gladiador - O Retorno

Alguém chegou no ouvido do Ridley Scott e sussurrou: "Aí, brou, por que tu não faz uma seqüência do Gladiador?", no que Scott respondeu: "Mas o gladiador morreu e um outro personagem-protagonista talvez não cole. A galera quer ver Russell Crowe na tela."
"Tem problema não", redarguiu o alguém. "A gente muda o nome do personagem, chama ele de volta no mesmo papel com outro nome, em outra época, com outro velhinho conselheiro, e todo mundo fica feliz."
"Eu fiquei", disse Ridley.



"Ah, e não esquece da carente apaixonada e do inimigo mimado e pentelho, viu?"

Friday, May 07, 2010

Heather Morris, a ovelha branca de Beyoncé



O video acima é uma cena do Seriado Glee, que estreou ainda esse ano e já conta com uma enorme legião de fãs. A série é uma espécie de High School Musical às avessas. Não uma paródia exatamente, embora tenha lá seus momentos cômicos e meio surreais. A série em si difere em muitos pontos das tradicionais séries escolares-adolescentes, e lida de forma ligeiramente distinta com aqueles velhos sistemas hierárquicos juvenis de popularidade que todo espectador brasileiro, bem ou mal, já conhece.



Mas esse post não é sobre a série. É sobre a atriz e dançarina aí da foto, Heather Morris, cujo personagem, uma cheerleader chamada Britanny Woods, funciona como sidekick da antes vilã e atual "nem tanto" Quinn Fabray, e ainda carece de participações mais constantes no programa, visto que faz parte do segundo time, o que seria um pouco mais que elenco de apoio. Mas Morris já chamou atenção do público há muito tempo, e um de seus pontos altos na série foi a participação do vídeo, em que, ao lado de Chris Colfer (Kurt) e Jenna Ushkowitz (Tina), faz uma das dançarinas de Beyonce numa performance de Single Ladies.

O que muitos fãs de Glee não sabem é que a escolha de Morris para o trecho em questão não teve nada de casual. Antes de ser atriz, a loirinha posuda era dançarina e trabalhou para Beyoncé justamente nessa música. Morris gravou várias apresentações ao lado da diva em shows notórios como o Saturday Night Live por exemplo, mas não estava satisfeita com a carreira de dançarina e quis arriscar novos ares. Deixou o staff de bailarinos onde receberia altos cachês numa turné mundial com Beyoncé e arriscou tudo na carreira de atriz. Lembremos que nesse ponto ela não havia assinado com o elenco de Glee e nenhum outro. Apenas pagava um curso de teatro.

O youtube é cheio de apresentações de Single Ladies em que a loirinha dá o ar de sua graça. Um dos melhores vídeos existentes é esse aí de baixo.

Tuesday, April 06, 2010

A Poodlefobia de Marcelo Dourado



Findado o BBB 10, ficam especulações e discussões sobre a suposta homofobia do vencedor Marcelo Dourado. De lá gritam que o cara é, dali respondem que é intriga da oposição. Se o cara é anti-gay, não sei. Nem creio que seja. Mas o que muita gente não sabia até anteontem é que este ex-lutador de vale tudo, que até chegou a falar em chutar poodles para desestressar (brincando, claro), tem um medo genuíno desta dócil raça de cachorro. Por que? Não faço idéia. Talvez trauma de infância. As fobias do ser humano são difíceis de explicar. Um colega meu, por exemplo, tinha pavor de borrachas escolares. A verdade, senhoras e senhores, é que nem o poder supremo de Marcelo Dourado foi capaz livrá-lo da Poodlefobia. Dourado tem sim medo de poodles, como constatou Ana Maria Braga no Mais Você do dia 5 de abril. O cara até já tinha confessado este pavor dentro do BBB, mas muita gente não viu. Meu palpite é que isso só colaborará para aumentar a popularidade do sujeito, afinal, uma fobia dessas reforçará a imagem de "homem sensível e frágil por trás da cara de mau" que lhe angariou tantos fãs.

Friday, March 26, 2010

O dia em que Ivan Drago existiu



Se você já assistiu aos principais filmes da saga de Rocky Balboa, sabe que Ivan Drago foi, senão O, um de seus mais notórios adversários. Lutador soviético desenvolvido em laboratórios secretos do KGB, sua meta, entre tantas, era servir de propaganda do regime socialista contra o grande satã estadunidense. Humilhou o inimigo na própria casa ao assassinar seu representante Apollo ao vivo diante de milhões de espectadores. Como vingança, os americanos enviaram seu "garanhão italiano" a Moscou, que, após um combate épico que ultrapassou as barreiras do possível e impossível do esporte, restabeleceu a supremacia yankee na categoria "pesados". Tudo bem que hoje quem manda entre os Heavy Weights não são mais os negões do Tio Sam, mas Russos, Ucranianos e outros representantes da antiga URSS, inspirados pela lenda de Drago, o (quase) invencível. O que nem todo mundo sabe é que um dia Drago lutou na vida real. Melhor dizendo, o ator Dolph Lundgren, que também foi lutador, entrentou Oleg Taktarov, outro lutador com experiência nas telonas. Taktarov é um profissional de MMA que já enfrentou gente do calibre de Marco Ruas e Tank Abbot. Lundgren, digo... Drago e Taktarov realizaram uma luta de exibição em solo russo, ao velho estilo Rocky, em uma homenagem aos bons e velhos tempos da cortina de ferro. Confira.

Wednesday, January 27, 2010

O "escândalo" Madonna



E eis que "bombásticas" fotos da musa pop sem o tratamento photoshop aparecem na net. Eram sobras de ensaios fotográficos que não receberam o típico tratamento virtual.

Convenhamos, "bombástico" mesmo é o teor da notícia e, possivelmente, o choque de alguns manés que vêem a vida como realidade vitual. A mulher tem 51 anos, tipo, cedo ou tarde, as pelancas, rugas, etc iam brotar, ora! Madonna não conseguiria ficar jovem para sempre; isso ainda não é possível. Para mim, ela até parece bem conservada nas tais fotos naturais. Se quiser conferí-las, clique aqui.

Escandalosa mesmo é a implacabilidade do show buzziness com suas estrelas no quesito "idade aparente".

Obs: Ah sim, esse blog esteve parado por dois meses, mas agora volta em definitivo. Escrevi, esse fim de semana, uma resenha sobre o filme Avatar. Posto-a na net em breve. Hoje vi que o Jabor tem uma opinião sobre o filme parecida com a minha.

Friday, April 24, 2009

Estranhas teorias de Quentin Tarantino - Parte 2



Já postei sobre esse assunto aqui no blog, destacando três trechos de filmes roteirizados pelo diretor, onde ele escancara teorias sobre Madonna, Top Gun e o Super Homem. Achei no youtube um curta-metragem escrito e dirigido por desconhecidos (pseudônimo 300 ml) e protagonizado por Selton Mello e Seu Jorge, que interpretam dois personagens numa mesa de restaurante. Um deles (Melo) tece teorias sobre os filmes de Quentin, interligando personagens de diferentes produções de modo bastante interessante, algo como um "código Tarantino" escondido em suas obras. Concordo com algumas partes e discordo de outras, como o lance do conteúdo da maleta, já que o personagem de Tim Roth em Pulp Fiction o reconhece como algo familiar. Lembremos que esse personagem não estava em Cães de Aluguel (o ator sim, mas como um policial). Minha opinião sobre o conteúdo da maleta foi motivo de um post em meu antigo blog até. Também discordo das teorias sobre Mia Wallace e a Noiva, mas o lance dos irmãos Vega tem tudo a ver.

Bom... asssista ao curta e tira suas conclusões.

Monday, March 30, 2009

Pitacos de domingo (1) - Futebol



1 - Julio Cesar

Há algumas semanas, escrevi um post especificamente sobre o goleiro
Julio Cesar, mas a preguiça e outros fatores me impediram de terminá-lo. Basicamente, eu dizia o seguinte: Na história do futebol, o Brasil já foi tudo, já teve melhor time, melhor jogador, melhor atacante, maior goleador do mundo, da copa, de todos os tempos, mas nunca melhor goleiro. Aliás, só de dez anos para cá nossa seleção passou a ser respeitada nessa posição. Nossa escola de goleiros hoje permite que tenhamos arqueiros de nível internacional tanto entre titulares quanto reservas, e agora, enfim, a coroação desse esforço. Julio Cesar é hoje tão bom que até lembra os grandes momentos do lendário Michel Preud´Homme. Faz o estilo do goleiro milagreiro, de saltos espetaculares e defesas "impossíveis", o extremo oposto da escola Taffarel, de boa colocação e defesas "seguras". Se até ontem havia dúvidas, agora a imprensa já começa a admitir o que muitos já enxergavam como inevitável. Julio Cesar é ou vai ser muito em breve, e indiscutivelmente, o melhor goleiro do mundo. Melhor que Casillas, Buffon, Peter Czec ou Van Der Sar - boa parte destes, já em descendente. Julio Cesar vem em ascenção e sua grande fase pode ser coroada na próxima copa do mundo, caso estejamos lá.



2 - Brasil 1 X 1 Equador

Quanto à seleção, me parece óbvio que Dunga não preparou o time para a cara do jogo, e esqueceu, como tantos outros treinadores esquecem, que cada partida tem um perfil. Repetiu a escalação da vitória contra a Itália contra um adversário que, todos sabiam, tinha como forte o jogo pelas pontas, os cruzamentos e a altitude. Nossa seleção quis jogar mais encolhida e esperar os contra-ataques, mas não tinha sido armada para fazer esse jogo, nem para garantir a posse de bola nos chutões de Julio Cesar, nem para evitar os rebotes, naturais em partidas sob pressão. E se altitude sempre foi problema para o Brasil, se todos sabiam disso, porque não se prepararam para "segurar a avalanche" e aproveitar os contra-ataques, marcando do meio para trás? Pior, se o adversário se destacava pelas pontas, porque deixar seus melhores valores nas mãos de gente como Marcelo e Daniel Alves, ótimos no ataque e patéticos na defesa? Nossa escola de laterais precisa aprender a defender também. Lateral não é ponta. Se almejamos manter o estilo laterais-alas pós-94, precisamos de jogadores capazes de executar essa função ou de esquemas que não façam a defesa depender tanto da atitude individual deles. A cobertura de Josué, aliás, foi igualmente ridícula. Dando bote errado, chegando atrasado sempre, fazendo falta e tomando "come" toda vida.



Ninguém está falando muito a respeito ainda, mas nossa situação nas eliminatórias já é alarmante, quase tão complicada quanto em 2001. Temos, pela primeira vez, empatado jogos fáceis em casa e contando demais com os tropeços adversários. A partida contra o Peru é obrigação de vitória. Depois, será Uruguai em Montevidéu, Paraguai aqui e Argentina - muito melhor com Maradona e Billardo - em Buenos Aires. A máxima de que, bem ou mal, o Brasil sempre se classifica para a copa será colocada em cheque de novo.


Friday, February 20, 2009

Barrada no baile

Só que de verdade. Saiba mais aqui




Saturday, January 03, 2009

Patos pós-modernos



Assisti ontem ao filme Borat, com o audaciosíssimo Sasha Baron Cohen. O projeto funciona como um experimento e, segundo os envolvidos, muitas mudanças nos rumos do roteiro precisaram ser feitas, uma vez que ele foi posto em prática. Sasha já era conhecido na Inglaterra por personagens como Ali G – uma sátira à moda Gangsta Rap e aos wannabes do gênero e pelo próprio Borat que já tinha quadros no programa de Ali G. Nos Estados Unidos, sua popularidade era menor, mas ele já havia feito uma apresentação no show de David Letterman bem antes do famigerado filme ser lançado por lá.

Para quem não sabe, Borat, o personagem, é um repórter do Cazaquistão que faz um documentário nos Estados Unidos destinado a seus conterrâneos, mostrando, através de entrevistas com os americanos, as virtudes do povo que habita a nação mais poderosa do planeta.

Com este discurso em mãos, Borat convence suas vítimas a participar do experimento, que na verdade é uma grande pegadinha. Tanto o personagem quanto sua terra de origem são retratados no filme de modo absurdamente estereotipado, rude e politicamente incorreto, mas, no caso de Borat, verossímil o bastante em seu sotaque e trejeitos para serem tidos como reais pelos entrevistados. Com isso, o projeto expõe as limitações, a ignorância e a hipocrisia de algumas alas do povo americano aprisionadas em seu narcisismo ideológico de donos da verdade.

Um olhar mais atento nos mostra que o filme vai além disso. Na verdade, nem todos os supostos participantes involuntários do projeto são, de fato, vítimas, e com isso, Borat revela que somos nós também patos da pegadinha.



Mas Borat não é só uma pegadinha. É a celebração de algo que vem acontecendo na TV há tempos: uma mesclagem entre as linguagens tidas como ficcionais e realistas ao ponto do espectador se perguntar onde uma coisa acaba e a outra começa e, num nível mais profundo, aperceber-se de que os dois já se fundiram numa coisa só e geraram novos gêneros narrativos que o público atual não tem dificuldade para assimilar. Borat existe e não existe. Nós "existimos" e "não existimos". O mundo do espetáculo pode ser mais real que a realidade, ou ser a própria realidade. Pode se divertir com nossa passividade existencial como nos divertíamos com os espetáculos antes deles nos tornarem passivos. Somos espetáculo. Espetáculo do espetáculo. A vida é um complexo de peças operadas pela indústria cultural.



Andy Kaufman tinha feito isso nos anos oitenta, mas seu público era diferente e o resultado das pegadinhas que armava com celebridades se fingindo de vítimas e confusões simuladas para acarretar reações no público em programas ao vivo foi um turbilhão de problemas que praticamente o tiraram do showbizz e impediram que alguém noticiasse seu câncer até a morte do ator comprová-lo.

O espectador pós-moderno não liga em ser manipulado, em descobrir que a verdade era mentira, que a mentira era verdade, que a verdade pode ou não ser mentira e que a ausência de mentira ou de verdade é uma realidade. Borat celebra (sacaneando) esse mundo. "O que é o Cazaquistão? Um país? Ah, aquele país fictício que aparece no filme do Borat, mas existe de verdade. O tal carro de sorvete percorreu mesmo os EUA? A pegadinha da Pamela Anderson foi armada? Quantos documentaristas, de fato, ficavam atrás das câmeras enquanto as vítimas eram filmadas?" Sei lá. Nem quero saber. É cinema e televisão, e o que vale é o que aparece. Sempre foi assim, mas talvez nenhum público estivesse tão pronto para encarar isso de modo mais assumido e relaxado como nas duas últimas décadas, estendendo isso a seus cotidianos.



Ah, tudo bem! Falando na boa... Fiquei sim curioso e dei uma pesquisada na pegadinha da Pamela Anderson para saber se foi armada. Foi. Descobrir isso me fez gostar mais da moça que, cá entre nós, mandou bem para diabo ao ser ensacada e fugir. Não consigo deixar de rir ao rever o trecho. A luta dos caras nus também foi qualquer coisa de sublime.

Há cenas inéditas de Borat nos EUA filmadas para sua série britânica, com o título de "Guia de Borat para os EUA". Parte desse material pode ser acessada através do youtube. Veja alguns episódios:

1 - Borat visita uma partida de Baseball

2 - Borat não consegue entender o sentido de um museu na California, tenta comprar um escravo e vai a outro rodeio.

3 - Aprenda a se defender da garra de um judeu

4 - Borat no clube de tiro

5 - Borat aprende a degustar vinho

6 - Borat toma aulas de boas maneiras

7 - Borat participa de um encontro arranjado, mas antes, pede dicas à conselheira

8 - Borat na academia

9 - Borat conversa com um anti-semita e quer aprender a caçar judeus

E não é só nos States que ele expõe o preconceito da galera não. Dois quadros do Guia de Borat para a Grã Bretanha:

1 - Borat na universidade de Cambridge, expondo o machismo da galera e aprendendo a jogar criquet.

2 - Borat aprende a flertar e a ser um cavalheiro


Tuesday, September 23, 2008

Tina Fey interpreta Sarah Palin



Desde o primeiro anúncio de Sarah Palin como postulante à vice-presidência dos Estados Unidos, estava escrito na mente de todos o nome da atriz que deveria parodiá-la no famoso Saturday Night Live. Tina Fey, uma das maiores comediantes americanas da atualidade, já estava fora do elenco regular do programa, mas foi chamada de volta a um papel que não poderia ser dado a outra pessoa. A nova temporada do Saturday Night Live estreou essa semana e com o pé direito: um pronunciamento conjunto de Sarah Palin e Hillary Clinton, interpretadas respectivamente por Tina Fey e Amy Pouhler.

Wednesday, September 10, 2008

Reaças em alto mar



Enquanto o resto do mundo reza para que Barack Obama crave um fim na era Bush e devolva um pouco de sensatez à Casa Branca, há uma parte significativa do povo americano unindo forças para perpetuar o absurdo de suas já conhecidas crenças e, conseqüentemente, seu estilo de vida. Gente que vê nos Estados Unidos da América o guardião mundial dos bons princípios do planeta e o direito de dirigir e explorar povos que mal conhecem e dos quais dependem a fim de manter sua redoma artificial de débito, consumismo, corporocracia, isolamento, poluição e ignorância, hoje em crise ante os olhos da política e economia mundial. Para tantos entre nós parece absurdo que, no evidente fracasso do mandato de George W. Bush, John McCain ainda consiga se manter empatado com Obama nas pesquisas. Quem são esses americanos que sustentam a gangue de Karl Rove na Casa Branca há oito anos? Quem são os alienados que insistem em ver na invasão do Iraque um sucesso inquestionável e uma missão com propósitos divinos? Sabemos que, sob o ponto de vista interno, duelos entre democratas e republicanos dizem respeito a mais coisas do que as questões internacionais que nos chegam via TV e internet. O eleitor yankee comum pode ser tão egoísta quanto qualquer outro, e se somarmos este egoísmo ao egoísmo cultural que a mídia, os códigos vigentes e sua própria voluntariedade o submetem, temos um conjunto de populações isoladas da realidade pela fé em princípios ultrapassados. Um tradicionalismo político-religioso de trocentos anos afundando ao sopro dos novos tempos, insistindo em agarrar-se no que pode, demolindo o mundo inteiro, se preciso, para não perecer. Sarah Palin é a nova cartada dessa gente. Uma figura de ares joviais, um neo-feminismo anti-feminista, uma aura de vencedora, de boa mãe, boa esposa, embalagem sofisticada e "hip" o bastante para atrair novos públicos a velhos ideais, como a volta do criacionismo às escolas, o fim da lei do aborto e do casamento homossexual. Se os liberais têm em seu Obama um possível elo com uma nova América, os conservadores apostam em Palin para dizer que o velho também pode ser novo, ou ao menos parecer novo. E na terra da ilusão e do entretenimento, o "show de luzes" tem mais importância do que palavras na hora de aumentar o rebanho.



Lembremos que Sarah será vice de um homem de 72 anos, com várias reincidências de câncer e um histórico médico que, nos últimos 8 anos, ultrapassa as 250 páginas.

A leitores curiosos sobre quem seriam ou como pensam esses republicanos comuns (e incomuns) que pouco aparecem na MTV, um artigo interessante. A revista Le Monde Diplomatique publicou em fevereiro uma matéria sobre um cruzeiro realizado para assinantes da National Review, bíblia do conservacionismo americano. O jornalista inglês Johann Har penetrou a "nau dos reaças" para analisar o perfil de seus viajantes; o que eles dizem quando longe de "ouvidos indiscretos". A matéria é de tirar o chapéu.

Para lê-la, clique
aqui




Tuesday, August 05, 2008

Fama com cara de mico - Parte II



Quarenta anos atrás, Andy Warhol profetizou que um dia cada cidadão teria direito a 15 minutos de fama. A internet e, mais precisamente, o youtube, fizeram isso ocorrer. Hoje, qualquer um pode virar celebridade instantânea na rede, para o bem ou para o mal. Qualquer fato corriqueiro e esquecível em qualquer canto do mundo pode alçar imortalidade pela lente de um celular, erigindo ou demolindo reputações em segundos.

Escrevi sobre o assunto em fevereiro neste mesmo blog e quero retomá-lo. O video abaixo foi postado no youtube e divulgado através do blog Kibeloco, o mais popular da internet nacional. Seus protagonistas não foram os responsáveis diretos pela filmagem e provavelmente não a postaram, mas "pagarão" por sua difusão, independentemente de quem a tenha feito e do que ocorra a seguir. Anonimato e privacidade não são mais direitos do cidadão, porém privilégio de quem for sortudo ou "sagaz" para não ser flagrado em momentos de fraqueza e culpado por isso. Nós, da arquibancada de uma arena, vibramos com a morte "justa" de conterrâneos. Agradecemos aos céus por ainda termos o bilhete; pela sorte de estar aqui e não lá, ao menos até agora. Podemos não ser gladiadores bajulados, mas também não somos vítimas de leões. A eles, a roleta da fama deliberada ou casual, boa ou ruim. A nós, o conforto da multidão sempre "certa".

Abaixo, o video divulgado no site Kibeloco.

Thursday, May 29, 2008

Críticos, críticas e criticados - Parte II



"Indiana Jones and the Kingdom of the Cristal Skull" parece seguir um pouco a lógica de "Speed Racer" em relação às recepções de crítica e público, ou seja, gente endeusando e rebaixando. Pablo Villaça odiou o filme. Rubem Ewald Filho e o bonequinho do globo adoraram. Uma pesquisa de público elaborada em cinemas americanos mostrou resultados similares: satisfação e decepção, confirmando a teoria do comentário de 10 de maio.

Meu papo sobre este novo Indiana ficará para a próxima postagem. O foco, porém, permanece em Cannes, onde Fernando Meirelles recebeu algumas críticas duras por seu filme "Blindness", baseado no livro de José Saramago. O escritor também pôde conferir a adaptação em Portugal, na companhia de Fernando, e concedeu um aval mais favorável. Tocante, aliás. Não é comum ver um autor do calibre dele aprovando uma adaptação cinematográfica de sua obra como neste caso. Seria ela uma crítica definitiva?

Acompanhe o momento em que Saramago termina de assistir "Blindness".



Visto isso, tudo parece meio resolvido na opinião do internauta. Saramago, que não é qualquer "zé roela", mas o escritor vivo de língua portuguesa mais respeitado do mundo (cuja obra em questão recebe igual reverência na cabeça de críticos como os que detrataram Blindness), aprovar o filme soa como uma certificado definitivo de que a adaptação é boa e faz jus a seu livro, independente do que digam terceiros, certo? Pode ser. A palavra do mestre tem peso, mas lembremos de casos em que autores ficaram felizes com filmes flagrantemente ruins tirados de suas obras, ou da implicância de Stephen King com "O Iluminado" de Kubrick e a satisfação deste escritor com a versão seguinte de 1997, que ajudou a produzir. Para críticos e cinéfilos em geral, o filme de Stanley ganha fácil de seu irmão póstumo.

Tais situações geralmente ocorrem quando há interferência direta do escritor sobre a adaptação, o que não foi o caso de Saramago em Blindness, ou seja, mais um pontinho para Fernando.

O texto a seguir foi tirado do blog de Luiz Carlos Mertem e relata o mesmo instante mostrado no vídeo, mas com uma parte da conversa entre Meirelles e Saramago que não havia sido filmada.

"CANNES - Havia pedido a Fernando Meirelles que me desse notícias sobre a exibição de 'Blindness' (Ensaio sobre a Cegueira) para o escritor José Saramago, autor do livro, sábado em Lisboa. Abri há pouco meus e-mails e encontrei o relato do Fernando sobre o que ocorreu. Ele me disse que na internet já vazou como foi a sessão, mas acho que Fernando, generoso como sempre, não vai ficar brabo comigo - perdoem-me o gauchês - se eu repassar para vocês uma partezinha do seu e-mail. Retirei tudo o que havia de mais pessoal, como comentários que ele me faz, e me centro no fato, tal como o viveu. Vamos lá:
`O resumo da história é que apesar de ter feito uma projeção muito escura e com um som ruim, ao acabar a sessão o Saramago estava muito emocionado e nós dois ficamos nos esforçando para não chorarmos juntos. Ele enxugou uma lágrima e eu num impulso beijei-lhe a testa. Foi muito emocionante. Com a voz embargada ele me disse que ao acabar de assistir ao filme se sentia tão feliz quanto no dia em que terminou de escrever Ensaio Sobre a Cegueira. Não precisava ouvir
mais nada mas perguntei sua opinião sobre alguns cortes que eu quero fazer na locução. Ele me pediu para não mexer em nada. Disse que o filme está muito preciso, nada falta e não existem excessos ou pompa. Ele gostou da economia do filme, especialmente na cena final. Simples, sem tentar criar momentos espetaculares ou recursos para acentuar a
emoção.'
Depois de vários dias sob pressão aqui em Cannes, com críticas divergentes e até contraditórias, acho que agora o Fernando relaxou. Bom para ele."




Coming next: Uma resenha sobre o filme Indiana Jones and the Kingdom of the Cristal Skull. Aguarde.


Friday, May 16, 2008

Kill Bill, o re-retorno



Adivinhem o que achei lá no Blog do Bonequinho?

Texto de Rodrigo Fonseca:

CANNES - Convidado especial de Cannes, onde lecionará sobre seu processo de direção em uma aula magna, Quentin Tarantino acaba de anunciar seu novo projeto como realizador: filmar "Kill Bill - Volume 3". Tarantino, que fará sua palestra na Croisette na próxima quinta-feira saiu chamuscado após o fracasso do projeto "Grindhouse", no qual ele dirigiu o thriller rodoviário à prova de morte. Na terceira aventura da personagem A Noiva, Tarantino voltará a trabalhar com sua musa Uma Thurman.


Wednesday, April 30, 2008

Ato falho, "seu nonô"!



Todos lembram de quando Sergio Noronha, comentarista futebolístico da Rede Globo, foi pego dormindo diante das câmeras. Grande gafe, sem dúvida.

Ontem, na transmissão de um jogo entre Fluminense e Atlético Nacional pela libertadores, o vacilo foi mais leve, mas qualquer espectador atento pôde notar a saia justa em que "seu nonô" quase se coloca ante os patrões.

Nem sempre é de praxe, na Rede Globo, admitir-se abertamente quando a transmissão de um evento não é feita no local mas em estúdio. Se não mentem, também não assumem. Há, claro, exceções, porém esta não era uma delas. Em determinado instante da partida, Noronha alega que o fluminense é superior ao adversário tanto "aqui" quanto na Colômbia (local da partida), faz uma pequena pausa, e complementa: "quanto no Rio". Resumindo: "Tanto aqui, quanto na Colômbia, quanto no Rio."

Ok, "seu nonô", sem problema. Errar é humano e, nesse caso, compreensibilíssimo. Chato mesmo é o hábito da Globo de querer disfarçar. A transmissão é do Rio? Não tem ninguém na Colômbia? (Confesso que não sei se tinha ou não tinha um reporter em campo). Fala na boa. Qual é o problema? Pior que isso, só os jogos de volei transmitidos pela matriz ou pela sucurssal SporTV onde as equipes não podem ser chamadas pelo nome em função do patrocinador e assumem o nome da cidade-sede. Rexona vira "Rio de Janeiro", Cimed vira "Florianópolis" e por aí vai. Coisa de emissora que tem rei na barriga.


Thursday, February 21, 2008

Fama com cara de mico



Houve um tempo em que não existia youtube, a maioria das pessoas não falava inglês e nossos embaraços públicos tendiam a ser conhecidos apenas localmente, raras exceções, ou seja, um "filme queimado" poderia ser restaurado, tão logo o humilhado mudasse de bairro, colégio, cidade, estado, ou, em casos extremos, de país. Viabilizar a profecia de Warholl dos 15 minutos de fama não foi a única conquista propiciada pela evolução tecnológica recente. A contrapartida deste feito foi justamente potencializar nossos micos a dimensões globais. Hoje, três minutos de deslize na frente de um celular podem aniquilar uma reputação para sempre, e via satélite. Se tal embaraço ocorre num programa de TV então, o desastre é quase certo, e 15 minutos de fama viram uma vida de pesadelo.

Quem sonha em embarcar na onda da fama instantânea que Reality shows e exibições youtubianas viabilizam, deve pensar bem, porque o tiro pode sair pela culatra. Big Brothers e American Idols funcionam como um pacto com o diabo onde mundos de sonhos são oferecidos pela bagatela de uma alma, uma reputação. Para muitos, um trato justo pelo qual vale a pena arriscar-se e perder-se. Para os menos preparados, um jogo perigoso que em vez de escancarar portas, pode selar oportunidades por anos.



O mundo da fama e glória televisiva foi sempre assim? Claro. Mas antes os acessos eram mais restritos, difíceis, demorados e para pessoas com um mínimo de preparo. O que rolava de ruim nos shows de calouros de ontem não se compara com o absurdo dos American Idols de hoje, até porque, diferentemente de seus antecessores, o foco dos programas atuais não está em revelar talentos, como se supõe, mas em expor a falta deles, elevar mundanismo e mediocridade à condição de excelência, subverter relações de valor e gerar entretenimento pelo caminho inverso ao do talento e do mérito, divertindo pela vergonha da incapacidade, pela humilhação, embaraço e "saia justa". A maior parte dos aprovados não se revela vencedora, mas meros sobreviventes, gente que só escapou da sina do mico. Em suma, sua aprovação não "abriu portas", não os levou a "algum lugar"; só os poupou da armadilha. Pior que isso é ver tantos entrando nessa canoa sem perceber o engodo, despreparados para as verdades do trato. "American Idol" e "O Aprendiz" atraem público pelo que geram de pérfido, e a busca do talento é só uma desculpa, já que o espectador quer ver sangue, ver Simon destroçar a inocência de um coitado ou Trump aniquilar um ego em nome da sagrada eficiencia corporativa. Quem assiste esses shows não deseja presenciar sonhos se realizando, mas se destroçando, aliviar a dor própria com a alheia, ver seu cotidiano de desilusão refletido e ampliado em "heróis-consolo"; sentir-se menos triste por "pelo menos" não ser aquele pobre coitado que se fudeu na telinha.



Dias atrás, um garoto alemão de dezessete anos imaginou que podia testar suas aptidões num programa cópia de "American Idol" exibido em seu país, que conta inclusive com uma versão "Hans" do famigerado Simon. O moleque, que não tinha talento algum mas contava com o apoio do pai, estava nervoso e decerto não esperava que sua chance ao estrelato fosse virar a sina de uma vida. O mega-mico que pagou, além de render um colapso nervoso em rede nacional, custou também o respeito dos colegas na vizinhança e na escola, onde não pára de ser zoado desde então. E não lhe bastará mudar de colégio, de bairro, ou cidade. Seu único aliado talvez seja a memória curta que caracteriza boa parte do público televisivo atual. Seria ela curta o bastante? E quem viu o mico de tabela? Esquecerá também?

Se você sonha em fazer um pacto de popularidade com Mephistópheles, fique atento às entrelinhas, ou acabará enrolado nelas, talvez para sempre.

Abaixo, o famigerado episódio alemão de "Ídolos", estrelando Raymund Ringele e sua antológica perfomance, antes e depois do veredito dos jurados.



Se por acaso você não entende as legendas em inglês, não se preocupe. Certos vexames dispensam palavras.

Saturday, January 12, 2008

Jerry Seinfeld perde a linha com Larry King



Para quem não sabe, Jerry Seinfeld é um comediante novaiorquino de "Stand Up" que criou e protagonizou o "sitcom" de maior sucesso na história da TV americana, tornando-se milionário e mundialmente conhecido. Sua série durou nove anos e só saiu do ar porque o ator quis encerrá-la durante o ápice, em 1998, antes que sua fórmula se deteriorasse, o que poderia prejudicar seu legado no futuro. Passados quase dez anos desde então, Seinfeld continuou trabalhando no palco com "stand-up" mas pouco fez para a TV e o cinema e, por isso, sua aura de superstar sofreu um natural desgaste, desgaste este, aliás, nem sempre bem assimilado por quem se acostumou a estar no topo do mundo e da consciencia das pessoas.

Em entrevista recente ao "Talk Show" de Larry King, Seinfeld mostrou-se extremamente ofendido ao perceber que Larry tinha dúvidas sobre seu programa ter sido ou não cancelado pela NBC. Meses após o vexame antológico do colega Michael Richards, foi a vez de Jerry Seinfeld mostrar que humildade, espírito esportivo e serenidade para lidar com o "pós-fama" não são seu forte.

Segue então um trecho da entrevista original, cujo foco seria o filme "Bee movie", do qual Jerry participa como protagonista. A tradução para o português das falas de Larry e Seinfeld vem logo abaixo do vídeo, acompanhadas de pequenas descrições e comentários entre parênteses. Perdoem-me por qualquer falha com uma palavrinha ou outra. Todas as falas e frases relevantes da entrevista estão traduzidas na íntegra.



Larry King - Durou quanto (referindo-se ao tempo de duração da série Seinfeld enquanto esteve no ar)?

Jerry Seinfeld - 9 anos, 180 episódios.

Larry - Você desistiu, certo?

Jerry - Desisti.

Larry (falando de modo hesitante) - Eles não te cancelaram... Você os cancelou...

Jerry (com ar de resignação e surpresa depois de fazer uma pausa indignada) - Você não sabia disso?


Larry - Não. Eu estou lhe perguntando.

Jerry - Acha que eu fui cancelado? Você está sob a impressão de que eu fui cancelado?

Larry - Eu, tipo... por acaso te magoei, Jerry?

Jerry - Eu pensei que isso estivesse muito bem documentado... isso... Isso aqui ainda é a CNN?

(Pequeno corte)

Jerry - Eu era o show NÚMERO 1 da televisão, Larry!

Larry - Você sempre...?

Jerry - VOCÊ SABE QUEM EU SOU??? (risos amarelos)

Larry (dá uma risada embaraçosa) - Judeu! Brooklyn!

Jerry - Sim!

Larry - Ok!

Jerry (enfatizando) - 75 milhões de espectadores! Último episódio!

Larry - Ok! Ei! Não fique tão ofendido!

Jerry - Ma... Mas existe uma grande diferença entre ser cancelado e ser o número um.

Larry (já perdendo a linha) - Ok! Me desculpe!

(Jerry ri sarcasticamente)

Larry (dirigindo-se ao público) - Voltaremos em seguida...

Jerry - por Deus...!

Larry - "Bee Movie" estréia...


(Jerry, ainda resignado, volta a rir, interrompendo Larry)

Larry - "Bee Movie" estréia...

Jerry - Alguém poderia arrumar um currículo aqui para mim?

Larry - "Bee Movie" estréia amanhã.

Jerry - Para que o Larry possa dar uma olhada?

Larry (que chama a atenção de Seinfeld, mas de modo educado) - Ei! Ops! Psiu! Voltamos em seguida!




Alguns ótimos comentários (em inglês) sobre Seinfeld e a polêmica entrevista, você encontra neste vídeo extraído de outro programa.

Há também quem considere tudo isso uma grande farsa para promover o filme. Será? Tudo é possível e "válido" na guerra do showbizz.


Wednesday, November 14, 2007

Quem é esse tal "Evangelista Ignácio"????

Perdão, pessoal! Continuo aprisionado por um relatório de faculdade que já tem 50 páginas e nenhuma previsão para ficar pronto, quero dizer, talvez no fim do mês, dependendo das circunstâncias.



Para meus poucos e sempre amados leitores, aqui vão duas pérolas da rede. Primeiro, o bloco inicial da entrevista de ontem do programa do . Um tal de Evangelista Ignácio de Oliveira, auto-intitulado "verdadeiro inventor da asa-delta" e tema de um documentário recentemente lançado, não aparenta bater bem da cachola nessa entrevista
aqui, que mais parece papo de maluco. O cara não fala coisa com coisa e o Jô, que começa meio perdido tentando achar um gancho para seguir bem no papo, vai aos poucos tirando um sarro com a do cara e entrando na doideira dele, para delírio da platéia.Uma das entrevistas mais bizarras que já vi no programa. Pena que só tem o primeiro bloco, mas vale à pena.


A segunda pérola, bem... Chuck Norris enunciando as 10 maiores verdades sobre Chuck Norris.



Uma gravação mais extensa desse vídeo, você acha aqui. Não coloquei por causa da qualidade, bem inferior à do vídeo acima


Sunday, May 06, 2007

Xuxa politicamente correta

Navegando pelo Youtube como de costume, eis que me deparo com trechos do programa que Xuxa Meneghel fez para a TV americana em meados de 93, nos tempos em que tentava ampliar seus poderes de rainha para o lado saxônico do continente, e, conseqüentemente, para o resto do mundo.



(Alguns trechos do "Xou da Xuxa" americano (lá chamado apenas de "Xuxa") podem ser encontrados aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui)

Pouco sei sobre detalhes deste programa. Pelos videos postados, vemos que o show procurava passar um clima de aldeia global, com bandeiras de vários países tremulando em meio ao público infantil. Seu formato e características não diferiam muito daquele com o qual nos acostumamos anos antes. Personagens em forma de bicho, brincadeiras de palco, crianças em volta, paquitas. Um urso panda dividia o palco com a apresentadora, assumindo o microfone na hora de fazer explicações mais complicadas sobre as brincadeiras, já que xuxa ainda não dominava totalmente a língua inglesa.

O que mais me chamou a atenção foi a forte diversidade racial do programa, significativamente superior àquela vista no Brasil, contando, inclusive, com a presença de uma paquita negra. Sabemos, claro, não se tratar de uma diversidade espontânea, mas meticulosamente premeditada para angariar simpatia das "minorias" e preencher requisitos politicamente corretos para elaboração de material infantil em solo americano. Mesmo assim, este quadro étnico - tão diversificado quanto o quadro étnico populacional brasileiro - não deixa de nos parecer incomum, visto que não estamos tão acostumados a vê-lo refletido em nossas telinhas. A multiracialidade de programas como o "Xou da Xuxa" na versão nacional tinha tendencias caucasianas, "pró-claras", paquitas brancas e loiras, crianças negras sendo sempre exceções em volta do palco. O racismo da TV nacional revela um ideal estético pós-escravista, ainda arraigado em preceitos coloniais, um brasil "mítico" mais branco do que negro, mais claro do que escuro, mais "europa morena" do que "indo-áfrica clara". A TV e a publicidade, ao contrário do cinema, não buscam alcançar verdades, mas alimentar mitos, aspirações ainda fortes no inconsciente coletivo de nossas classes média e alta, sonhos que acabam por contaminar também a mente dos desfavorecidos, rejeitados por uma multiracialidade que se quer mais clara, de olhos mais verdes, mais azuis, com cabelos mais lisos; a multiracialidade de "caprichos", novelas, "playboys" e "coleguinhas" do Luciano Huck, uma miscigenação que pouco condiz com as reais proporções étnicas da nação.



O Brasil da TV exalta o Brasil da realidade como algo abaixo dele, algo para ser reverenciado enquanto ocupa seu devido lugar de notícia de jornal, documentário, "agora ou nunca", "o povo fala" e "se vira nos trinta". Na telinha, a representatividade estética do "povo" só ganha status de maioria quando participa como "povo", virando exceção ou "acessório" no terreno dos grandes referenciais de desejo coletivo, o que só contribui para minar a auto-estima e os sonhos daqueles que se vêem pouco refletidos no "mundo ideal da TV".

Mudanças significativas vêm ocorrendo nesse sentido durante a última década, inclusive no que diz respeito ao trabalho da "rainha dos baixinhos", mas tais progressos são pequenos perto do que ainda precisa ser elaborado. Sabemos o quanto falta para nossa diversidade "espontânea" da TV atingir níveis ao menos próximos de nossa realidade e, ironicamente, da multiracialidade fictícia que alguns canais americanos politicamente corretos propagam.

(Alguns trechos do "Xou da Xuxa" nacional podem ser encontrados aqui, aqui, aqui ou aqui)