Showing posts with label resenhas. Show all posts
Showing posts with label resenhas. Show all posts

Sunday, January 31, 2010

Avatar e o retorno do humanismo ao cinema high tech



Uma das mais agradáveis surpresas desse verão, e certamente do cinema americano dos últimos anos, foi a nova e caríssima empreitada de James Cameron, Avatar.

Cameron esteve longe da indústria cinematográfica desde 1997, quando produziu Titanic, e trabalhou pelo menos cinco anos até conceber seu mais novo filho audiovisual e razão de ser deste artigo.

Quando os dinossauros digitais de Jurassic Park surpreenderam o mundo, abrindo um portal de possibilidades com as maravilhas dos efeitos visuais, achou-se que uma nova e prodigiosa fase se iniciaria para a Hollywood de orçamentos milionários. Muitos críticos e puristas do cinema de arte até torceram o nariz, mas o que estes não compreendem é que filmes como Star Wars e Indiana Jones não foram feitos para abordar tramas complexas ou que gerem grandes reflexões, ainda que isso venha a ocorrer numa escala moderada como conseqüência de um trabalho bem feito. O roteiro precisa ser relativamente simples e, sobretudo, funcional. Tais filmes geram empatia e surpreendem pela experiência que propõem a partir de uma idéia de grandeza, de "cinema maior do que nós", onde a tecnologia, o estado da arte dos efeitos visuais tem papel importantíssimo no processo de imersão do espectador à trama. Não se basta em si, ou pelo menos não deveria. Mas o roteiro não é a razão de ser desse tipo de filme, que, quando bem executado, consegue colocar a pirotecnia de milhões de dólares a serviço da história e dos personagens, que é com quem realmente empatizamos. Era assim na época de Dorothy e O Mágico de Oz, e foi assim com E.T. e Guerra nas Estrelas.



Mas, voltando aos dinossauros de Jurassic Park, podemos dizer que o tiro dos efeitos digitais saiu pela culatra e um meteoro quase extinguiu as espécies que prometiam evoluir a partir daquele mega-sucesso. Os anos seguintes testemunharam a ascensão de um cinema pouco preocupado em contar histórias ou criar personagens "vivos", um cinema narcisista e preguiçoso que se bastava nos abusos da computação gráfica, executados com a competência de uma criança que se lambuza com o melado recém-provado. Alimentando essa nova fase, uma legião de espectadores criados a videogame e internet para quem a riqueza e as variantes do mundo dos átomos e da tragédia humana não faziam sentido. Ironicamente, Matrix, um bom filme, trabalhou contra seu próprio roteiro, gerando uma prole de filhos bastardos que só lhe herdaram as perigosas entrelinhas, sem a mensagem que lhes dava outro sentido. O cinemão dos efeitos visuais virou isso. Efeitos visuais de estúdio. Filmes indiferentes para públicos indiferentes, feitos como o mínimo de criatividade e vida necessários, a ponto de questionarmos se essa tecnologia havia realmente melhorado o cinema de grande público ou só o transformado numa fábrica de caprichos para designers e técnicos virtuais.



Houve, nesse período, as sempre felizes exceções, mas nenhuma que pudesse alçar posição de referência. Avatar chega num momento oportuno justamente por oferecer saídas a uma corrente da indústria cinematográfica que parecia fadada à mediocridade. A opção pelo 3D e o desenvolvimento desta a níveis além do elaborado até então, explorando possibilidades inviáveis em duas dimensões, ou seja, cinema 3D tratado como tal, abriu campo fértil para que essa tecnologia virtual pudesse se sentir mais útil do que nociva, fundamental, dentro de um nicho mais "seu". O cinema pipoca 2D não se absterá desses recursos, mas se sentirá livre da necessidade de elevá-los à enésima potência para criar ilusões de estado da arte e impacto tecnológico de ponta, usando-os, enfim, com moderação a serviço da narrativa sem culpa ou medo de perder grana. O 3D será o carro chefe do blue screen, das novidades high-tech, e precisa delas mais do que o 2D precisava para tornar-se possível e crível, que é o ponto crucial. A pirotecnia de Avatar tem peso, razão de ser, textura, vida, pode-se quase tocá-la enquanto o filme se desenrola. Avatar seria impossível sem ela. E o melhor é que ela não dispensa mas potencializa o trabalho dos atores e os elementos orgânicos e humanos inerentes à trama. Pandora existe. Respira. Tal qual seus habitantes. Nunca até então um personagem virtual havia sido tão capaz de se tornar "humano" e gerar empatia no espectador do mesmo modo que um humano faria. Os monstruosos veículos futuristas dos terráqueos fazem o contraponto perfeito com a vida do planeta, quase como uma alegoria desse embate pós-moderno entre coisas e pessoas. As coisas, os vilões, os fuzileiros navais que filmes como 300 transformaram em astros de um mundo predatório e indiferente são questionados e desconstruídos. A ameaça externa somos nós. Eles, os Na´vi, são os humanos; aquilo que estamos deixando de ser.



Este filme pode ser analisado sob diferentes vertentes. Técnicas, ideológicas, históricas... Não é original na premissa do roteiro, pois Dança com Lobos e O Último Samurai tocaram em temas semelhantes, mas Avatar o desenvolveu de forma distinta, misturando-os à ficção científica e incluindo questões como a destruição da natureza pelo homem e a guerra contra o terror. Ver um filme assim sendo campeão de bilheteria e referência de estado da arte para o futuro do cinema nos dá esperança. De uma tecnologia crescendo a favor e não contra os dilemas humanos, como ocorre hoje dentro e fora da ficção. Ao contrário de Matrix, a mensagem de Avatar também pode ser apreciada na execução, no "como" do aparato técnico e das entrelinhas. Talvez por isso seus filhos nasçam menos deturpados que os do antecessor. A prova de que cinema "de ponta" para dar grana ainda pode ser veículo para boas histórias, personagens e iniciativas humanistas, diretas e indiretas.


Tuesday, March 10, 2009

Watchmen - um clipe metido a filme



Sou fã da série Watchmen dos quadrinhos. Li há pouco tempo e achei fantástica. A "Graphic Novel" de Alan Moore e David Gibbons tem tal relevância no mundo dos gibis e da ficção, que recebeu honrarias dedicada à pérolas da literatura. É a única HQ a constar na lista das 100 maiores obras literárias em língua inglesa escritas desde 1923, elaborada pelos críticos da revista Time, por exemplo. Com isso, choveram intentos para adaptar Watchmen à telona. Entre os candidatos, Terry Gilliam, que até tentou, mas achou a história intransferível devido à características fortemente relacionadas à midia original. Além disso, o enredo é longo e profundo, com histórias dentro de histórias dentro de histórias, todas densas, concatenadas e repletas de mensagens subliminares que nos fazem ingressar num mundo vivo, vibrante e que diz muito sobre a modernidade e a década em que foi escrito. Não foi por acaso que levaram vinte anos para transformar Watchmen em filme.

O desafio era imenso; os fãs da série, exigentes. Desconfiança pairava no ar, mas os primeiros sinais de recepção foram favoráveis. Críticos de alto calibre como Pablo Villaça, de quem sou fã, elogiaram o filme, como também o bonequinho do globo e outras mídias especializadas. Dos fãs, resposta igual, e apesar de minhas desconfianças (uma vez que assisti ao trailer e também fiquei ciente de quem dirigia o projeto), pensei que, no fim, fosse concordar com a opinião hegemônica de que, ao menos como versão, Watchmen, o filme, era bom. Desencanei e desembolsei dezesseis reais por uma cadeira no Roxy de Copacabana, esperando me divertir.



O longa começa. Empolga-me, o início. O Comediante era parecido com o do quadrinho e sua morte seria encenada em vez de insinuada em flashes como na HQ. "Ok. No problem". Veio a primeira luta e meus temores ganharam forma. Sim, as tais piruetas de enquadramento girando em 360 graus enquanto a imagem alterna lentidão com rapidez estavam acontecendo de novo, exatamente como naquele filme sobre espartanos, como é mesmo o nome? Ah, "300". Do mesmo diretor, não é? Ignorei-as e perdoei o virtuosismo besta me distraindo da história. O comediante quebra o vidro, a câmera pára e gira e volta e close no smiley ensangüentado quicando no chão. Com cinco minutos de filme, a empolgação inicial dá lugar ao tédio. Sim, aquilo era mais ou menos o que meus maus pressentimentos temiam. "300" com roupa de super-herói. Alan Moore não merecia isso.



Watchmen, o filme, é um fracasso. Terry Gilliam faria melhor. O roteiro precisou ser mudado e adaptado à curta duração do projeto e nisso os responsáveis mostraram empenho. Muitos diálogos do quadrinho estão lá, linha por linha, ou com passagens inseridas em outras falas. Flashbacks foram enxugados ou realocados, preservando suas sub-tramas básicas dentro do possível. O enredo do filme, embora enxuto e diferente, mostra-se fiel ao gibi, e talvez tenha sido isso a me revoltar mais que tudo, ver falas que eu tão bem conhecia mudando de contexto a ponto de "desdizer" o que diziam no quadrinho. A aparente fidelidade da adaptação funcionando como um álibi para que Zack Snyder, "o virtuoso", fizesse seu videoclipe de duas horas e meia sem importunações. E é isso que Watchmen é. Um clipão chinfim de duas horas e meia amparado por falas supostamente geniais desprovidas de um contexto que as faça dizer o que querem.

A HQ funcionava em níveis múltiplos de percepção, mas o filme se mantem no nível 1. Cada quadro precisa ser tão impactante quanto uma capa de revista. Mas uma sinfonia não pode ser tocada no apogeu do início ao fim. Musicalmente, ela deve "contar uma história", assim como Watchmen deve contar uma história, e uma história tem etapas, tem introdução, apogeu, conclusão... No caso de Watchmen, vai além, mas possui altos e baixos e nuances e silêncios reflexivos que fazem um emaranhado de elocubrações e situações ganharem sentido. Snyder ignora isso. Para ele, tanto faz se é um filme de faroeste, espartanos machistas de sunga ou super-heróis aposentados às vésperas do armagedon, o que vale é manter o espectador em contínuo deslumbre visual, olhos gozando a cada granulação de frame, cada salto, coreografia, gota caindo do cabelo meticulosamente esvoaçante do protagonista. Não há tempo ou espaço para pausas dramáticas, silêncios reflexivos, "ascendente e descendentes" que permitam a devida ingestão do que os diálogos propõem. As falas do roteiro têm de dar espaço ao exagero estético que nunca "afrouxa" e, por isso, mal se ouve o que é dito ante o show de estímulos. Talvez fosse melhor que não houvesse falas.


Chego a pensar nesse filme como um atentado à grandeza do quadrinho. Excedo-me? Duvido. Snyder pegou os diálogos de Moore e os anulou. Fez com que trabalhassem em prol do que questionavam. A crítica aos tempos republicanos, a Reagan, às visões unilaterais e suas conseqüências, às inversões de valores de uma sociedade doente que gera gente como Rorschach e o Comediante, "guardiões" de um mundo "torto", tudo isso virou apologia e brincadeira na mão de Snyder, como também a violência, presente na HQ, mas não de modo gratuito, gerando-nos, por isso, impacto e empatia com personagens e situações. No filme, não há empatia, ou humanismo, ou pontes que nos permitam entrar na história, pois não há história, só uma seqüência vazia de eventos.



O filme é um simulacro bidimensional do quadrinho. A morte do anão se finge fiel à obra, mas só quer mostrar sangue, maldade, maldade divertidinha. O Coruja não se choca com a atitude do ex-colega. Apoia-o numa careta como se dissesse "hell, yeah, kill this motherfucker" por dentro; o mesmo prazer mórbido dos espectadores que acharam engraçado quando Rorschach picou a cabeça de um assassino com um cutelo. "A seqüência foi quase igual ao quadrinho, com uma mísera diferença!" brada a mim um fã, no que respondo: Não. Não foi "igualzinha" ou quase. Fingiu que era. Simulou para legimimar o que Snyder queria que o público quisesse ver. A porrada, o braço cortado, o sangue digital que é "super maneiro, cara!". Esse Watchmen é um pornô onde os diálogos só prestam para entremear a ação que todo mundo espera. Mas a "ação" da HQ se dava "dentro da ação" ou onde ela não existia, uma "ação" que ocorria em nossos interiores pelo que não podíamos deixar de pensar, sentir, associar, na relação com o que a história nos comunicava. O psiquiatra só aparece no filme para que o filme nos diga que ele aparece, como uma penca de personagens, falas e seqüências dispensáveis; para que os fãs exclamem: "Ih, olha lá o psiquiatra da HQ! Ih, agora a seqüência das figuras! Ih, vai falar do cachorro agora, olha o cachorro, ih, legal, sinistro, assim desse jeito!" Nada acontece que não seja para justificar o lusco-fusco, o "verdadeiro filme de Snyder" como obra cult ou algo mais que um mero videoclipe.



Se entivesse vivo, Baudrillard consideraria a associação entre o longa e a HQ uma alegoria muito melhor de seu "Simulacros e Simulações" do que Matrix, onde se adorava citar o filósofo nos bastidores. As atuações em Watchmen seguem caminho idêntico. À exceção dos momentos de raiva, ironia, etc, as emoções são sempre em falsete; os personagens nada sentindo. São eles, não os atores, os verdadeiros intérpretes. Psicopatas interpretando humanos. Psicopatas simulando choque, tristeza ou compaixão a cada necessidade do enredo. Suas verdades interiores estampadas na máscara mórbida que, quando podia, deixava transparecer o material sádico e impassível do qual era feita.

Talvez o fato de poucos perceberem isso, que a mim parece óbvio, seja um sinal de que a doença que Moore denunciou em sua obra tenha contaminado o consenso público. Estamos mais rorschachiados e comediantizados do que nossos predecessores. Esses filmes e nossa aceitação deles refletem isso. Watchmen é a "grande piada" do Comediante Snyder para os Rorschachs dentro de nós.



Não creio que não existam qualidades no filme, mas estas são inofensivas frente ao desastre do conjunto. Para não dizer que odiei tudo, penso que um esboço de trama ameaçou dar as caras nos minutos finais, e de repente as falas moveram-se nas tumbas, levantaram-se, ameaçaram fazer-se valer e lutar contra o exagero visual pela atenção do espectador, estrebucharam e desfaleceram, pois era tarde e o estrago estava feito. Tecnicamente, muitas das soluções do roteiro adaptado fizeram sentindo (há falhas também), incluindo o fim alternativo, que precisou de menos retrospectos que o fim original requeriria, parecendo-me eficiente.

Tenho mais a falar de Watchmen, para o bem e para o mal, porém o choque negativo pela escolha do diretor, por sua interpretação do trabalho de Moore e pelo fato de tantos não terem exposto sua mediocridade me fez querer "botar para fora" em palavras e deixar de lado questões mais específicas do roteiro ou desse e daquele ator. Sei que não sou dono da verdade, e também não quero posar de politicamente correto, ou anti-estético, ou anti-violência, que para mim pode ser um recurso ótimo, desde que nas mãos certas, quer críticas ou sádicas. Um projeto como Watchmen merecia um diretor comprometido com a essência da trama.



Snyder é péssimo. Exagero por exagero, sanguinolência, impacto, porrada... prefiro Tarantino ou Rodrigues. Nenhum dos três faria Watchmen, dependendo de mim, mas Tarantino sabe diferenciar filme de videoclipe e Snyder não.




Nota posterior do autor: Escrevi este texto ontem (9/3) e o publiquei aqui na última madrugada. Sei que 90% da crítica apoia o filme, mas, aos poucos, vou descobrindo opiniões de fãs e especialistas com visões parecidas com a minha. Há minutos, esbarrei com um comentário de Isabela Boscov, da revista Veja, que tem muito a ver com o que escrevi. Para quem quer conferir o que ela disse, basta clicar aqui.


Saturday, January 03, 2009

Patos pós-modernos



Assisti ontem ao filme Borat, com o audaciosíssimo Sasha Baron Cohen. O projeto funciona como um experimento e, segundo os envolvidos, muitas mudanças nos rumos do roteiro precisaram ser feitas, uma vez que ele foi posto em prática. Sasha já era conhecido na Inglaterra por personagens como Ali G – uma sátira à moda Gangsta Rap e aos wannabes do gênero e pelo próprio Borat que já tinha quadros no programa de Ali G. Nos Estados Unidos, sua popularidade era menor, mas ele já havia feito uma apresentação no show de David Letterman bem antes do famigerado filme ser lançado por lá.

Para quem não sabe, Borat, o personagem, é um repórter do Cazaquistão que faz um documentário nos Estados Unidos destinado a seus conterrâneos, mostrando, através de entrevistas com os americanos, as virtudes do povo que habita a nação mais poderosa do planeta.

Com este discurso em mãos, Borat convence suas vítimas a participar do experimento, que na verdade é uma grande pegadinha. Tanto o personagem quanto sua terra de origem são retratados no filme de modo absurdamente estereotipado, rude e politicamente incorreto, mas, no caso de Borat, verossímil o bastante em seu sotaque e trejeitos para serem tidos como reais pelos entrevistados. Com isso, o projeto expõe as limitações, a ignorância e a hipocrisia de algumas alas do povo americano aprisionadas em seu narcisismo ideológico de donos da verdade.

Um olhar mais atento nos mostra que o filme vai além disso. Na verdade, nem todos os supostos participantes involuntários do projeto são, de fato, vítimas, e com isso, Borat revela que somos nós também patos da pegadinha.



Mas Borat não é só uma pegadinha. É a celebração de algo que vem acontecendo na TV há tempos: uma mesclagem entre as linguagens tidas como ficcionais e realistas ao ponto do espectador se perguntar onde uma coisa acaba e a outra começa e, num nível mais profundo, aperceber-se de que os dois já se fundiram numa coisa só e geraram novos gêneros narrativos que o público atual não tem dificuldade para assimilar. Borat existe e não existe. Nós "existimos" e "não existimos". O mundo do espetáculo pode ser mais real que a realidade, ou ser a própria realidade. Pode se divertir com nossa passividade existencial como nos divertíamos com os espetáculos antes deles nos tornarem passivos. Somos espetáculo. Espetáculo do espetáculo. A vida é um complexo de peças operadas pela indústria cultural.



Andy Kaufman tinha feito isso nos anos oitenta, mas seu público era diferente e o resultado das pegadinhas que armava com celebridades se fingindo de vítimas e confusões simuladas para acarretar reações no público em programas ao vivo foi um turbilhão de problemas que praticamente o tiraram do showbizz e impediram que alguém noticiasse seu câncer até a morte do ator comprová-lo.

O espectador pós-moderno não liga em ser manipulado, em descobrir que a verdade era mentira, que a mentira era verdade, que a verdade pode ou não ser mentira e que a ausência de mentira ou de verdade é uma realidade. Borat celebra (sacaneando) esse mundo. "O que é o Cazaquistão? Um país? Ah, aquele país fictício que aparece no filme do Borat, mas existe de verdade. O tal carro de sorvete percorreu mesmo os EUA? A pegadinha da Pamela Anderson foi armada? Quantos documentaristas, de fato, ficavam atrás das câmeras enquanto as vítimas eram filmadas?" Sei lá. Nem quero saber. É cinema e televisão, e o que vale é o que aparece. Sempre foi assim, mas talvez nenhum público estivesse tão pronto para encarar isso de modo mais assumido e relaxado como nas duas últimas décadas, estendendo isso a seus cotidianos.



Ah, tudo bem! Falando na boa... Fiquei sim curioso e dei uma pesquisada na pegadinha da Pamela Anderson para saber se foi armada. Foi. Descobrir isso me fez gostar mais da moça que, cá entre nós, mandou bem para diabo ao ser ensacada e fugir. Não consigo deixar de rir ao rever o trecho. A luta dos caras nus também foi qualquer coisa de sublime.

Há cenas inéditas de Borat nos EUA filmadas para sua série britânica, com o título de "Guia de Borat para os EUA". Parte desse material pode ser acessada através do youtube. Veja alguns episódios:

1 - Borat visita uma partida de Baseball

2 - Borat não consegue entender o sentido de um museu na California, tenta comprar um escravo e vai a outro rodeio.

3 - Aprenda a se defender da garra de um judeu

4 - Borat no clube de tiro

5 - Borat aprende a degustar vinho

6 - Borat toma aulas de boas maneiras

7 - Borat participa de um encontro arranjado, mas antes, pede dicas à conselheira

8 - Borat na academia

9 - Borat conversa com um anti-semita e quer aprender a caçar judeus

E não é só nos States que ele expõe o preconceito da galera não. Dois quadros do Guia de Borat para a Grã Bretanha:

1 - Borat na universidade de Cambridge, expondo o machismo da galera e aprendendo a jogar criquet.

2 - Borat aprende a flertar e a ser um cavalheiro


Sunday, November 09, 2008

Muito pior que um besteirol americano



Jason Friedberg e Aaron Seltzer são dois diretores e roteiristas de comédia cujas maiores influências, imagino, devem estar naqueles nonsenses que marcaram época no cinema americano dos anos oitenta, trabalhos de Jim Abrams, David Zucker, como Top Gang, Aperte os Cintos que o Piloto Sumiu, ou Corra que a Polícia vem aí, uma linha, aliás, derivada de um estilo cômico desenvolvido na Grã-Bretanha em meados de 70 por gênios como o pessoal do Monty Python Flying Circus. Seus filhotes oitentistas americanóides nasceram com o selo Hollywood do fast delivery e da cultura de massa que demanda piadas de entendimento fácil, instantâneo, sem rodeios verborrágicos, reflexões ou referências de cunho erudito. Ainda assim, apresentavam uma qualidade apreciável que, pelo menos até certo ponto, justificava a paternidade. Décadas transcorreram e uma nova geração de roteiristas e diretores assumiu o poder da máquina, uma geração que aprendeu a fazer graça com Abrams e Zucker, mas também com o Saturday Night Live, em seus altos e baixos, e, mais recentemente, com o não tão criativo Mad TV, entre outras bobagens de igual calão. Friedberg e Seltzer estão nesse grupo, as cópias das cópias das cópias (e, lembremos, falo aqui de gravação analógica, como nas fitas cassete, em que uma parte da qualidade se perde durante o processo), o eco do eco do eco, a reverberação difusa, careta e inofensiva do que um dia foi iconoclastia de gente grande. Se os Pythons procuravam na filosofia, na política e na história as referências geradoras para seu material, "gênios" como Friedberg e Seltzer têm na MTV, Reality Shows, comerciais e sitcoms de baixa qualidade, a principal inspiração de suas piadas. Duro de Espiar, trabalho de estréia da dupla escrevendo, não chega a ser ruim. Bem abaixo dos grandes sucessos de Leslie Nilsen, é verdade, mas ainda capaz de arrancar risadas (minhas, pelo menos). Depois disso, os dois tiveram a chance de aprender algo (seria possível?) integrando o time de roteiristas de "Todo Mundo em Pânico 1 e 2", outros netos bizonhos da geração Python, filmes que determinariam o modus-operandi da próxima "dinastia nonsense parodia" em Hollywood. O pior disso tudo é que nem igualar o nível destes dois filmes este pessoal tem conseguido. As seqüências da franquia são inócuas, ainda que uma delas contasse com a participação de Zucker, hoje uma sombra do que foi no passado. Os trabalhos subseqüentes da dupla Alka Seltzer/Friedberg (dessa vez escrevendo e dirigindo) são uma piada pronta onde a graça está na incompetência da dupla, que, como outros de sua estirpe, acha que fazer comédia é juntar um punhado de referenciais pop e expor sua ridicularidade essencial à ridicularidade cômica pelo método infanto-pastelão. O problema ocorre quando constatamos que a ridicularidade da paródia pertence à mesma árvore genealógica da ridicularidade a ser parodiada, ou seja, lixo lixificado a uma audiência nascida do dejeto, a nadificação do nada para ninguém ver. Não há vestígio de inteligência, criatividade, originalidade ou bom senso no mecanismo cômico de Os Espartalhões, Date Movie, Disaster Movie e outros tantos blockbusters-paródia sem sustância, sem razão de ser, sem algo que justifique sua existência como filme. São a versão nonsense dos "Gigolôs Americanos" e "Norbits" da vida. E não me venham os porta-vozes do cinema decerebrado defender esses filmes como diversão despretensiosa. Despretensioso era Porkys, Última Despedida de Solteiro, Eu, Eu Mesmo e Irene, Debi & Loide... As produções sobre as quais escrevo estão aquém do despretensioso, aquém do decerebrado, do besteirol, da diversão fugaz, são a derradeira distorção dos fundamentos da sátira e da paródia. Se a paródia visa profanar a aura intocável de um ícone, temos aqui a profanação do próprio papel da paródia, e, de certo modo, a relegitimização do mecanismo que ela pretendia atacar e do falso ícone que ela deveria expor.



Por essas e outras, na hora de escolher entre comédias pós-modernas, fico com outras correntes, com os "despretensiosos" mais sagazes, com a galera do Superbad ou do Tropic Thunder, que sabe ser criativa e fazer jus a seus antecessores, mesmo quando quer sacaneá-los.

Friday, November 30, 2007

Leonidas X Beowulf - Quem berra mais?


Depois ficam perguntando por que costumo passar longe de certas superproduções hollywoodianas de sucesso. Como se não bastasse a modinha "pós-senhor dos anéis e gladiador" de reproduzir infinitamente os mesmos dilemas, personagens, seqüências, situações, adicionando técnicas pseudo-inovadoras para criar uma impressão de upgrade de um mesmo filme que, pelo sucesso original, merece ser repetido "ad eternum" em novas versões à públicos indiferentes ao fenômeno, compulsivos, ávidos em "sentir aquilo de novo", reviver a batalha dos campos de Pellenor quantas vezes for imaginável, em formas, ângulos, "épocas" diferentes, desde que evoquem o mesmo conjunto mítico de espadas, flechas, guerreiros sarados e destemidos, mulheres exuberantes e muito sangue, não bastassem estas reproduções preguiçosas e vazias que mais parecem videogames onde nossos arquétipos cognitivos estão sendo "jogados" pelos personagens da tela, a "sétima arte hollywoodiana" deseja ir além, e de modo mais bizonho. Vem aí a nova versão "Gladiador-Senhor dos Anéis-Tróia-Alexandre-Cruzada-300" do mercado.


O nome é Beowulf, e pouco importa em que lenda ou mito nórdico, grego ou germânico esse filme se baseie. O mito do enredo é irrelevante quando a questão maior está em rebatizá-lo para novos padrões high tech, corporocratas, republicanos, repetiticionistas, insosos de frases prontas e personagens unidimensionais que sonham em tornar a complexidade daquilo que um dia chamamos de mundo real tão simples, manipulável e desprovida de "periféricos complicados, insolúveis e indecifráveis" quanto um The Sims II ou Ultima Online (na verdade, bem pior). Antes de criticar este filme como obra, até porque por mais que um filme pareça horroroso, é sempre injusto criticá-lo antes de assistí-lo, prefiro me ater no produto, àquilo que as redes de associações evocadas pelos trailers me suscitam. Ora essa! Mesmo o espectador mais "blockbusterizado" da existência não consegue evitar uma pontinha de riso ao ouvir o protagonista Beowulf mimetizando o Role Model "herói macho" da moda estadunidense em seus berros "pit bichais". Aguentar os ataques histéricos de Leônidas em 300 já "dava no saco". Encarar um clone daquele troço é o fim do mundo! De que adianta pesquisarem um calhamaço de referências mitológicas, históricas, indumentária, arquitetura, costumes, se, no fim, tudo se reduz a um "This is Sparta"? E não é só! O filme faz claras alusões a personagens e situações de "Senhor dos Anéis" e seus filhos bastardos, trazendo de volta a "sempre igual" Angelina Jolie, mulher fatal de uma cara só, de um personagem só, de uma boca só (salvo raras exceções, e esta provavelmente não é uma delas). A mensagem subliminar "não tão subliminar" do produto é clara: "Se você gosta deste joguinho conhecido, compre a versão 2008! Tem Leônidas e Angelina com novas habilidades, "skins", apetrechos e opções, tem versão aprimorada do Gollum e outros monstrinhos digitais, animação computadorizada, guerra na chuva em câmera lenta com flechas voando, grandes exércitos, brados épicos despropozitados e tudo aquilo que você aprendeu a curtir repetidamente. Pelos trailers, Beowulf mais parece um FIFA 2008 dos épicos, ou pior, um joguinho concorrente tentando imitar a imitação que a "bola da vez" anterior fez da "bola da vez" anterior. Chega desses épicos high tech de fachada! Outro Leônidas já é sacanagem!!!

Na foto acima, Leonidas (versão oxigenada) e Gimli, digo... Beowulf e Wiglaf

De positivo... certos nomes do elenco, talvez chamados para conceder auras de legitimidade, qualidade e talento a algo tão descaradamente imitativo. John Malcovich, Anthony Hopkins e o diretor Robert Zemeckis têm um currículo invejável nas costas, mas também tinham Ridley Scott e Oliver Stone antes de Cruzada e Alexandre (tudo bem que com alguns tropeços pelo caminho). Não lembro de um longa de Zemeckis que tenha me desagradado. Curti Náufrago, Forrest Gump, a franquia "De Volta Para o Futuro" e outros filmes do sujeito. Seria esse o primeiro abacaxi em que ele resolveu se meter? Bom... esperemos para ver!

Para quem tem saudades do Leônidas, uma palhinha de seu clone Beowulf.



"Tonight, we die in Hell!" Quer dizer... "We will be different!", "This is SPARTAAAAAA!", porra, errei de novo! "I AM BEOWULF!!"

E se você acha que não gostei de Senhor dos Anéis, enganou-se, pois, apesar de visivelmente comercial e hollywoodianamente engajado, este filme funcionou mais como um referencial de modismos do que como um seguidor decerebrado, como foram seus filhos bastardos Tróia, Alexandre, Cruzada, 300 (derivado da obra de Frank miller), e, muito provavelmente, Beowulf. "Lord of the Rings" pode ter lá seus defeitos, mas dá chocolate em todos estes filmes juntos.


Para fechar, uma prévia do confronto final entre os berros de Leonidas e Beowulf. Quem levará a melhor?



Monday, September 03, 2007

Resenha - Tropa de Elite - 2007



Não dá mais para segurar a avalanche. O filme Tropa de Elite, longa brasileiro dirigido pelo cineasta José Padilha com o apoio de ex integrantes da polícia, que tem como base um livro "quase" homônimo, escrito à três mãos, incluindo a do renomado antropólogo Luis Eduardo Soares, já se espalhou pelo Rio de Janeiro e território nacional antes mesmo de aparecer na telona. A produção deveria estrear em novembro, mas uma versão inacabada dela caiu em mãos erradas e virou cópia pirata, circulando aos milhares pelo mercado informal, depois internet, youtube, e, segundo uma certa fonte, quarteis da Polícia Militar. Atores até então desconhecidos, como o ex-bilheteiro André Ramiro, já são abordados na rua como celebridades.






Tropa de Elite pode ser nosso próximo "Cidade de Deus" em termos de repercussão nacional e internacional, pois ostenta bons ingredientes comerciais, é excepcional pelo ponto de vista técnico, possui um enredo impecável que esmiuça com ousadia, mas também um certo senso de justiça, o universo corrupto e desamparado da polícia militar carioca, onde um oficial precisa se virar ganhando "quinhentos contos por mês", correndo risco diário de vida, caso não fature "um por fora" ou não faça acordos com os donos do morro oferecendo tréguas esporádicas em troca do "arrego". O filme traça um perfil complexo e profundo do Rio de Janeiro, começando pelas relações internas dentro da polícia, que precisa achar um "jeitinho" de funcionar ante o descaso constante do governo e a sordidez de determinados elementos de alta patente dispostos a contaminar todo um sistema supostamente destinado à proteção do cidadão, transformando-o numa rede fraudulenta e corrupta onde o policial mais honesto e bem intencionado precisa passar por cima da lei para não sucumbir. Um desses policiais é André Matias, aspirante ao oficialato e estudante de direito. Através dele, o autor estabelece elos entre a guerra do tráfico e o mundo acadêmico da elite juvenil que discute sociologia carioca a partir de Foucault e não dispensa seu baseadinho enquanto o couro come lá fora; que recorre a ONGs para concretizar projetos de consciencia social, mas nem sempre se apercebe das reais questões inerentes ao submundo que ingenuamente almeja entender e influenciar, e que está inevitavelmente além (ou aquém) de suas realidades.



Tropa de elite não é um filme de mocinhos e bandidos; não busca apontar "certos" e "errados" na índole individual dos personagens mais do que ater-se às questões e poderes envolvidos no jogo de cartas marcadas que é a vida carioca. Quase todos os personagens, do mais honesto ao mais cruel, corrupto ou tolo, define-se como um elo, uma peça que muda constantemente de posição e, conseqüentemente, de papel e índole. Cada policial, cidadão ou bandido é um ser humano com uma história de vida particular.

Além disso, mesmo percorrendo o âmago da sordidez humana em busca de seus "porquês", o roteiro consegue fugir das típicas insinuações fatalistas de filmes semelhantes, quando, subconscientemente, envolve o espectador na guerra do tráfico, afirmando nas entrelinhas, e às vezes nas linhas mesmo, que somos todos parte dela, queiramos ou não. Ou nos omitimos, ou nos corrompemos ou entramos para a "guerra".



Uma das chaves para este anti-fatalismo é a perspectiva pela qual o Rio nos é esmiuçado. Quem conta a história é Nascimento, capitão da tropa alfa do comando de operações especiais da polícia militar, o bope, considerado por alguns o mais treinado esquadrão de combate urbano existente. Nascimento é inspirado numa figura real, o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, co-autor do livro Elite da Tropa e do roteiro do longa. Como Pimentel ou qualquer policial de carreira, Nascimento foi podado, esfolado e forjado nos confins do inferno, porém, diferentemente de tantos, tornou-se mais samurai do que demônio ou ovelha. Compreende que o Rio não é uma cidade de santos, mas se recusa a abandonar um certo senso de integridade que o ajuda a conviver com o caos. Ele e sua equipe são brutais, eficientes, implacáveis e assustadores como manda a função, mas virtuosos na medida do possível e orgulhosos do papel que exercem.



Numa era em que o cinema ocupa lugar de referência mítica do corpo social, Tropa de Elite consegue ser simultaneamente crítico e inspirador, analítico e ideológico, político e científico, realisticamente cínico, brutal, mas essencialmente otimista e engajado sem ufanismos. Seus personagens principais e coadjuvantes têm vida, falam por si enquanto o filme exerce opinião própria pelos protagonistas. Em suma, pontos de vista hegemônicos circulam entre diferentes "realidades individuais" que são expostas de modo elaborado o bastante para que possamos discordar constantemente de quem conta a estória, afinal, o próprio capitão Nascimento sofre pelos menos motivos.


Wagner Moura interpreta o capitão da tropa alfa.

Não posso também deixar de mencionar o ineditismo de um filme artisticamente relevante contado pela ótica militar, policial, um autêntico marco em nosso cinema, que aos poucos abandona a antiga postura revanchista pós-ditadura e também aquela velha ótica do oprimido intrinsecamente bom. Pré-determinar se os maconheiros de faculdade estão certos ou errados ao enrolar seu baseado é menos vital do que produzir referenciais múltiplos acerca da questão, mesmo no terreno da "alta-cultura", ainda dominado pela perspectiva "liberacionista" dos intelectuais. É bom saber que alguns deles estão arregaçando mangas, misturando-se com o cidadão comum e a realidade de "quem têm o pé no chão", passando-lhes o microfone e a palavra. Nosso Brasil ainda tem muito a ouvir do Brasil e o cinema pode ser um excelente canal.


Curiosidade:



Tal qual "capitão" Nascimento, o personagem André Matias é também inspirado num agente do Bope. André Baptista é o terceiro autor de Elite da Tropa e, como Pimentel, participou do documentario Ônibus 174, também dirigido por José padilha, concedendo declarações sobre o incidente retratado. Na ocasião, era ele quem chefiava o cerco policial e as negociações com Sandro Barbosa enquanto este ameaçava reféns dentro do ônibus. Se de 2002 (ano do documentário) para cá Bapstita podia ser visto com certa antipatia pelo trágico desfecho da operação ou pelo modo inclemente como se referia ao sequestrador, sua imagem pública tenderá a mudar após "Tropa de Elite".

De um jeito ou de outro, pretendo ir ao cinema assistir à versão final e incentivo quem já viu o filme a fazer o mesmo por vários motivos. Entre eles, o fato da versão corrente sequer estar finalizada; há falhas óbvias de acabamento em alguns cortes. É provável que vejamos cenas inéditas e até um desfecho diferente na versão final. Além disso, Padilha e os demais envolvidos merecem reconhecimento pelo grande trabalho que fizeram.




Neste trecho de 10 minutos do filme Ônibus 174, pode-se ver André Baptista e Rodrigo Pimentel concedendo depoimentos


Mais curiosidades:

O ator André Ramiro (que interpreta Matias) já foi escalado para um longa ficcional de Bruno Barreto sobre o incidente do 174, que retrata o mesmo tema documentado por Padilha em 2002. Ramiro fará o próprio André Baptista, embora no filme ele deva se chamar Souza. Baptista coordenou pessoalmente o trabalho do ator.



André Ramiro reconstitui as negociações entre Baptista e Sandro Barbosa no novo filme de Barreto.

Para quem leu este texto inteiro e ainda não viu o filme, não se preocupe. Pouco revelei sobre o enredo e as surpresas reservadas por Padilha nessa versão inacabada, e, não, não comprei cópia pirata do filme. Qualquer um pode assistir Tropa de Elite na íntegra pelo
youtube ou baixando na grande rede.


Links para o orkut dos atores do filme André Ramiro, Paulo Vilela, Fabio Lago e Rafael Teixeira.




texto tembém publicado nos sites Recanto das Letras e Domínio Cultural.