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Wednesday, October 17, 2007

DNA racista ???

Pelo menos é a opinião do prêmio nobel em medicina e pioneiro no trabalho de deciframento do genoma humano James Watson, expressa recentemente ao jornal inglês "Sunday Times". Segundo o cientista, negros são sim menos inteligentes do que brancos.

A comunidade científica está chocada e acusa Watson de se deixar levar por preconceitos pessoais e de não ter provas concretas para tal afirmação. Há grandes espectativas para a primeira de uma série de palestras suas a serem dadas na Grã Bretanha a partir de quinta-feira. A declaração volta a acender uma polêmica que havia sido reforçada 13 anos antes pelo livro "The Bell curve" do analista político americano Charles Murray e já se mostrava extinta dos debates científicos.

Não entendo xongas de genética (salvo aquela besteira do terceiro ano). O que minha experiência pessoal mostra é que negros podem ser tão inteligentes ou estúpidos ou medianos quanto brancos, índios ou amarelos. Quantos brancos inteligentes você conhece? Muitos, imagino. E burros? Também, certo? E instáveis emocionalmente? E estáveis? Não sei... não opino enfaticamente em assunto do qual não entendo, mas por que tanta gente insiste em achar que os negros não podem ser tão variantes entre si quanto são os brancos? Bom... melhor deixar que os geneticistas resolvam esse pepino. Quem quiser saber detalhes sobre a polêmica, basta clicar aqui.


Sunday, May 06, 2007

Xuxa politicamente correta

Navegando pelo Youtube como de costume, eis que me deparo com trechos do programa que Xuxa Meneghel fez para a TV americana em meados de 93, nos tempos em que tentava ampliar seus poderes de rainha para o lado saxônico do continente, e, conseqüentemente, para o resto do mundo.



(Alguns trechos do "Xou da Xuxa" americano (lá chamado apenas de "Xuxa") podem ser encontrados aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui)

Pouco sei sobre detalhes deste programa. Pelos videos postados, vemos que o show procurava passar um clima de aldeia global, com bandeiras de vários países tremulando em meio ao público infantil. Seu formato e características não diferiam muito daquele com o qual nos acostumamos anos antes. Personagens em forma de bicho, brincadeiras de palco, crianças em volta, paquitas. Um urso panda dividia o palco com a apresentadora, assumindo o microfone na hora de fazer explicações mais complicadas sobre as brincadeiras, já que xuxa ainda não dominava totalmente a língua inglesa.

O que mais me chamou a atenção foi a forte diversidade racial do programa, significativamente superior àquela vista no Brasil, contando, inclusive, com a presença de uma paquita negra. Sabemos, claro, não se tratar de uma diversidade espontânea, mas meticulosamente premeditada para angariar simpatia das "minorias" e preencher requisitos politicamente corretos para elaboração de material infantil em solo americano. Mesmo assim, este quadro étnico - tão diversificado quanto o quadro étnico populacional brasileiro - não deixa de nos parecer incomum, visto que não estamos tão acostumados a vê-lo refletido em nossas telinhas. A multiracialidade de programas como o "Xou da Xuxa" na versão nacional tinha tendencias caucasianas, "pró-claras", paquitas brancas e loiras, crianças negras sendo sempre exceções em volta do palco. O racismo da TV nacional revela um ideal estético pós-escravista, ainda arraigado em preceitos coloniais, um brasil "mítico" mais branco do que negro, mais claro do que escuro, mais "europa morena" do que "indo-áfrica clara". A TV e a publicidade, ao contrário do cinema, não buscam alcançar verdades, mas alimentar mitos, aspirações ainda fortes no inconsciente coletivo de nossas classes média e alta, sonhos que acabam por contaminar também a mente dos desfavorecidos, rejeitados por uma multiracialidade que se quer mais clara, de olhos mais verdes, mais azuis, com cabelos mais lisos; a multiracialidade de "caprichos", novelas, "playboys" e "coleguinhas" do Luciano Huck, uma miscigenação que pouco condiz com as reais proporções étnicas da nação.



O Brasil da TV exalta o Brasil da realidade como algo abaixo dele, algo para ser reverenciado enquanto ocupa seu devido lugar de notícia de jornal, documentário, "agora ou nunca", "o povo fala" e "se vira nos trinta". Na telinha, a representatividade estética do "povo" só ganha status de maioria quando participa como "povo", virando exceção ou "acessório" no terreno dos grandes referenciais de desejo coletivo, o que só contribui para minar a auto-estima e os sonhos daqueles que se vêem pouco refletidos no "mundo ideal da TV".

Mudanças significativas vêm ocorrendo nesse sentido durante a última década, inclusive no que diz respeito ao trabalho da "rainha dos baixinhos", mas tais progressos são pequenos perto do que ainda precisa ser elaborado. Sabemos o quanto falta para nossa diversidade "espontânea" da TV atingir níveis ao menos próximos de nossa realidade e, ironicamente, da multiracialidade fictícia que alguns canais americanos politicamente corretos propagam.

(Alguns trechos do "Xou da Xuxa" nacional podem ser encontrados aqui, aqui, aqui ou aqui)

Thursday, March 29, 2007

Racismo em Brasilia

Acabo de ler no site do globo que um apartamento de estudantes africanos foi incendiado em Brasília por militantes racistas ao velho estilo Ku-Klux-Klan.
Que vivemos num país racista, todos sabem, mas este tipo de prática violenta e não escamoteada contradiz os métodos racistas culturais vigentes, alertando-nos para um possível desenvolvimento de um novo racismo, condizente com aqueles que já conhecemos no primeiro mundo. Claro que posso estar exagerando um pouco, mas o novo sistema de cotas raciais abriu essa brecha, gerou o pretexto ideal para que estudantes não negros possam assumir um racismo já latente de forma mais aberta, ou tranformem sua carga de insatisfações e angústias em ódio, descarregando-os sobre um grupo visível em cima do qual pensam poder justificar a origem dos próprios problemas.

Em suma, a hipocrisia nacional se revela outra vez, pois todos sabemos que vivemos numa nação desigual, e - por que não dizer? - racialmente desigual (tanto em termos sociais quanto histórico-culturais), mas enquanto essa desigualdade é praticada sem que se a declare, não há problemas. Pois todos podem fingir que nada acontece. Se, no entanto, algo é dito, ou pautado em lei, quer a favor dos negros (ex: cotas, revistas especializadas ou camisas 100% negro) ou mesmo contra (como no próprio caso do jornal, que certamente gerará caras e bocas de espanto e indignação em nossos racistas habituais que, outra vez, tentarão transformar seus colegas "declarados" em bodes espiatórios para se sentirem menos racistas), brasileiros não hesitam em erguer suas lanças de hipocrisia. Neste país, racismo deve ser praticado, mas nunca mencionado, e isso acaba colaborando ainda mais para a perpetuação do problema, pelo menos do modo como já o conhecemos.


Para acessar a reportagem, clique aqui