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Wednesday, May 12, 2010

Tabus Idiotas - Parte II



Sobre a convocação de Dunga ontem, acho que já me pronunciei o suficiente no post Erros que Geram Erros, do dia 9 de fevereiro, quando a exclusão de Ronaldinho em detrimento do "sempre leal e guerreiro" Julio Baptista era fato anunciado. Gostei de Grafite no ataque em lugar de Adriano, que nunca funcionou no esquema do treinador. Grafite só fez um jogo pelo Brasil, mas se entrosou bem no ataque. Tomara que faça assim na copa.

Sobre Ganso e Neymar, fico um pouco com a torcida, um pouco com o técnico. Acho que devíamos ter pelo menos um meia armador criativo nessa copa além de Kaká. Ou Ganso, ou Ronaldinho. E ter uma data FIFA só no ano é outra sacanagem. Houvesse três, ou seja, três amistosos da seleção, os garotos do santos teriam grandes chances de ir à copa. Com uma só, vira risco convocar. Se bem que jogar mundial com esse time de operários também é um risco.


Sunday, March 07, 2010

Os amigos do rei

O artigo a seguir é de autoria de Tostão e está presente em sua coluna. Achei muito interessante, por isso postei aqui. Seguem as palavras do mestre.



"No futebol, é dada muita importância a coisas que têm pouca ou nenhuma importância. Nas copas do mundo, o Brasil ganhou e perdeu, jogou muito bem e muito mal, com diferentes estratégias, dentro e fora de campo.

Já está definido. Se o Brasil ganhar ou perder, o motivo principal será Dunga. Isso é dar uma exagerada importância a Dunga ou a qualquer outro treinador.

Da mesma forma, a Argentina não estava tão ruim nas Eliminatórias porque Maradona é um técnico debiloide. Nem, de repente, após a vitória sobre a Alemanha, ele passou a ser um estrategista, somente porque a Argentina mostrou um time organizado, disciplinado, com ótima marcação e privilegiando os contra-ataques. Parecia o Brasil.

"As coisas não precisam de você"`, diz a belíssima música de Marina Lima e Antônio Cícero. O futebol também não precisa tanto dos técnicos. Eles são importantes, mas há coisas muito mais decisivas.

No fracasso na Copa de 66 e na conquista de 2002, a Seleção se concentrou em hotéis junto com a imprensa e os hóspedes. Na vitória em 70 e nas derrotas de 98 e 2006, o Brasil ficou em hotéis isolados. O tipo de concentração tem pouca importância.

Em todos os mundiais, que perdeu e que ganhou, havia um dia de folga na semana. Em 70, uns iam rezar, outros, conhecer a cidade, e alguns iam para a balada, como em 2006. Os jogadores de 70 não eram santos nem os de 2006 foram baderneiros.

Em 2002, não era raro encontrar um jogador no elevador do hotel, mesmo eles ficando em andares reservados. Como venceu, foi elogiada a proximidade dos jogadores com a imprensa e os hóspedes.

A concentração em Weggis, na Suíça, foi apontada como uma das principais causas do fracasso, em 2006. O hotel era fechado. Os treinos ficavam lotados de torcedores, como ocorre em quase todas as copas. É raro proibir a entrada de público. Em 70, como ocorreu em 2006, de vez em quando, um torcedor invadia o gramado, durante o treino.

O Brasil perdeu a Copa de 2006 porque os craques jogaram mal, alguns estavam fora de forma física (com ou sem balada no dia de folga), houve erros táticos, o time ficou prepotente e iludido com o oba-oba antes do Mundial, a França tinha mais conjunto e, do outro lado, estava Zidane. O restante é perfumaria.

A Seleção será superprotegida na África do Sul. Dunga mandou construir um muro de vidro em frente ao hotel. Quem está de fora não vê dentro, e quem está de dentro não vê o lado de fora. Espero que não haja cartilha nem obrigação dos jogadores cantarem o hino nacional, todos os dias.

Endosso a preocupação e as críticas de José Trajano à CBF, que não divulgou, até terminar esta coluna, as datas em que os jogadores iniciarão os treinos e que chegarão a Joanesburgo. Isso é essencial para o trabalho logístico da imprensa de todo o mundo. Se a CBF não tem ainda as datas, é por incompetência. A Copa está próxima.

Pelos antecedentes, tenho o direito de especular que a CBF quer dificultar o trabalho da imprensa, e que alguns privilegiados já têm a programação. A CBF tem muitos parceiros."


Tuesday, February 09, 2010

Erros que geram erros



Brasileiro é assim. Se a coisa deu errado há quatro anos por causa "disso, disso, disso", então, façamos o contrário e tudo vai dar certo. Tipo, não se analisa os detalhes e as particularidades das situações. Ou é 8 ou 80.

A não-convocação de Ronaldinho Gaúcho por Dunga para o amistoso contra o Eire me faz pensar que há grandes possibilidades dele realmente não ser chamado à copa. Na cabeça de Dunga, é a lição de 2006. Ronaldinho foi uma das estrelinhas mimadas daquele mundial, adora demais a "night", não quis ir à copa América, teve a fase deprimida no Milan, não foi bem na olimpíada, alugou quarto para farra três dias, etc, etc, e, para o treinador, talvez não seja um jogador "comprometido" com a seleção, não é "guerreiro", como aprendemos a querer que nossos "atletas" sejam, em vez de craques ou artistas da bola. Do outro lado da balança, o cara que teria de sair para que Ronaldinho entrasse: Julio Baptista, reserva de Kaká, o homem que aceitou jogar a copa América quando Kaká, Ronaldinho, Zé Roberto e Juninho não queriam; o jogador que, apesar das limitações, fez o meio de campo funcionar e trouxe o título contra a Argentina. Júlio é obediente, dedicado, "guerreiro", comprometido, disciplinado, tático e esteve "com o treinador" desde o começo. Agora, perto do Filet Mignon que é a Copa do Mundo, quando os mimados e os guerreiros igualmente desejam jogar, Dunga acha que deve recompensar quem o apoiou e à seleção na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. É normal que um treinador pense assim e que passe isso aos "atletas" no início de um novo "ciclo" ou numa convocação de emergência lá no meio desse ciclo, quando a nau está para afundar numa eliminatória, por exemplo. Felipão fez esse pacto com Edilson e Luizão nas qualificatórias de 2001, vetando Romário para o mundial da Ásia. José Roberto Guimarães, do volei feminino, prometeu a suas recém-chamadas pupilas que elas não perderiam o posto para uma estrela mais talentosa lá pelo final do ciclo, se "estivessem com ele" e fossem bem desde o começo. Resultado: Fernanda Venturini apareceu do nada para jogar Pequim e foi vetada. O objetivo deste pacto é garantir a união do grupo e a união do grupo com o treinador. "Se estão comigo, estou com vocês." Se o pacto é quebrado lá atrás ou lá na frente, os pupilos perdem a fé no "professor", percebem que, independentemente de se matarem nos treinos e nos jogos de menor importãncia, perderão vaga para os figurões quando a coisa realmente importar e, portanto, não se sacrificam, ferrando o técnico junto. Parece-me que a grande reclamação interna do elenco em 2006 é que os reservas se matavam a troco de nada enquanto os titulares se sentavam sobre os louros de sua história e seus "talentos diferenciados". No fim, Parreira perdeu todos, titulares e reservas.



Na sombra dessa "lição", vem 2010, e Julio Baptista é o reserva dedicado, enquanto Ronaldinho, a estrela mimada e desfocada, reflexo do mau exemplo de 2006. Dunga quer dar a mensagem a seus comandados, mirar-se no exemplo de 2002, e seguir a cartilha do que deu certo. Mas ele esquece que cada história é uma história, cada time é um time e que há sempre o imponderável à espreita. Em 2002, tudo podia ter dado errado contra a Bélgica e não deu. Se desse, a geração "Ronaldo-Rivaldo-Roberto Carlos e companhia" seria para sempre a "geração sem líder", "não teria vencido uma copa porque não tinha um Dunga" e o Brasil clamaria por seu novo Dunga em campo para a copa seguinte. Procurar-se-ia uma renovação apressada sem obedecer aos ciclos naturais de passagem de posto. Portanto, assim como a vitória pode esconder erros, a derrota pode exagerá-los até torná-los tabus idiotas.



A verdade é que não temos um elenco cheio de craques para 2010 como tínhamos em 2006, a ponto de podermos abrir mão de uma estrela aqui e ali, como podíamos. Possuímos um time aplicado e bom na medida do necessário, mas de criatividade limitada, como há muito não se via numa seleção brasileira. O meio-de-campo é um dos setores críticos, salvo da mediocridade pelas presenças de Felipe Melo e, principalmente, Kaká, centro nervoso do elenco inteiro. Se Kaká se ausentar da copa ou mesmo de uma partida ou duas ao longo da competição, o Brasil pode ficar tão perdido como a França de 2002 sem seu Zidane, e corre risco de fazer novo papelão. Seu reserva Julio Baptista não pode realmente substituí-lo. Ninguém pode. Ninguém exceto Ronaldinho Gaúcho, que também pode mudar a cara de uma partida com seu talento diferenciado que guerreiro nenhum adquire com aplicação. Ronaldinho é um craque no melhor sentido da palavra, daqueles que fulgurarão (ou fulgurariam) como marcos de sua geração daqui há 20 anos, dos que nasceram e cresceram craques, como Ronaldo, Romário, Kaká, Zico, Rivaldo e tantos antes. Bate falta, escanteio e dá passe como ninguém. Se a maneira de jogar do elenco titular está montada e não tem lugar para ele, ainda poderia ser um recurso para o meio da partida, quando o plano A falhar (e falhará em algum ponto da caminhada). Os Júlios, Elanos e Josués têm suas qualidades, mas não viram um jogo de cabeça para baixo, não destravam os nós táticos estabelecidos na prevalescência de uma estratégia sobre outra. Além disso, em copa do mundo, estrelas fazem toda a diferença. Felipão tinha três, e, também por isso, se absteve de Romário. Dunga não possui um reserva para Kaká e precisa de Ronaldinho, mas é provável que recompense seu cão de guarda Julio pelos serviços prestados, ainda que reze para não precisar deles de novo.

A nova era Dunga da seleção teve muitos acertos ao longo destes quatro anos, mas pode afundar em função deste único e crucial erro, provável lição para 2014. A de que nessa vida, nem tudo precisa ser "8 ou 80".



Wednesday, November 18, 2009

Triste dia para o futebol



Dou graças aos céus de não ter dedicado um segundo desta quarta-feira às importantes (e não tão importantes) partidas nela realizadas.

No maracanã, Fluminense e Cierro Portenho protagonizaram uma vergonha generalizada após o fim do jogo, tal qual o pobre Palmeiras, e entre os seus, após acachapante derrota para o Grêmio no Olímpico. Na Europa, as torcidas lamentam uma das classificações de copa mais vexaminosas dos últimos tempos, com Thierry Henry ajeitando, com a mão, o lance que qualificaria a França.

Os três episódios repercutirão semana afora e talvez a França seja vaiada em sua estréia na África do Sul. Temos aí nove candidatos a cabeça de chave para o sorteio dos oito grupos da copa e receio que França ou Holanda fique fora dessa lista, figurando na faixa das segundas-forças e determinando qual será o "grupo da morte" da vez. Espero que os franceses recebam esta honra, merecidíssima pelo futebol apresentado e pelo modo como se classificaram.

E torço, claro, para esse nono cabeça de chave, então rebaixado, não cair no grupo do Brasil.


Monday, March 30, 2009

Pitacos de domingo (1) - Futebol



1 - Julio Cesar

Há algumas semanas, escrevi um post especificamente sobre o goleiro
Julio Cesar, mas a preguiça e outros fatores me impediram de terminá-lo. Basicamente, eu dizia o seguinte: Na história do futebol, o Brasil já foi tudo, já teve melhor time, melhor jogador, melhor atacante, maior goleador do mundo, da copa, de todos os tempos, mas nunca melhor goleiro. Aliás, só de dez anos para cá nossa seleção passou a ser respeitada nessa posição. Nossa escola de goleiros hoje permite que tenhamos arqueiros de nível internacional tanto entre titulares quanto reservas, e agora, enfim, a coroação desse esforço. Julio Cesar é hoje tão bom que até lembra os grandes momentos do lendário Michel Preud´Homme. Faz o estilo do goleiro milagreiro, de saltos espetaculares e defesas "impossíveis", o extremo oposto da escola Taffarel, de boa colocação e defesas "seguras". Se até ontem havia dúvidas, agora a imprensa já começa a admitir o que muitos já enxergavam como inevitável. Julio Cesar é ou vai ser muito em breve, e indiscutivelmente, o melhor goleiro do mundo. Melhor que Casillas, Buffon, Peter Czec ou Van Der Sar - boa parte destes, já em descendente. Julio Cesar vem em ascenção e sua grande fase pode ser coroada na próxima copa do mundo, caso estejamos lá.



2 - Brasil 1 X 1 Equador

Quanto à seleção, me parece óbvio que Dunga não preparou o time para a cara do jogo, e esqueceu, como tantos outros treinadores esquecem, que cada partida tem um perfil. Repetiu a escalação da vitória contra a Itália contra um adversário que, todos sabiam, tinha como forte o jogo pelas pontas, os cruzamentos e a altitude. Nossa seleção quis jogar mais encolhida e esperar os contra-ataques, mas não tinha sido armada para fazer esse jogo, nem para garantir a posse de bola nos chutões de Julio Cesar, nem para evitar os rebotes, naturais em partidas sob pressão. E se altitude sempre foi problema para o Brasil, se todos sabiam disso, porque não se prepararam para "segurar a avalanche" e aproveitar os contra-ataques, marcando do meio para trás? Pior, se o adversário se destacava pelas pontas, porque deixar seus melhores valores nas mãos de gente como Marcelo e Daniel Alves, ótimos no ataque e patéticos na defesa? Nossa escola de laterais precisa aprender a defender também. Lateral não é ponta. Se almejamos manter o estilo laterais-alas pós-94, precisamos de jogadores capazes de executar essa função ou de esquemas que não façam a defesa depender tanto da atitude individual deles. A cobertura de Josué, aliás, foi igualmente ridícula. Dando bote errado, chegando atrasado sempre, fazendo falta e tomando "come" toda vida.



Ninguém está falando muito a respeito ainda, mas nossa situação nas eliminatórias já é alarmante, quase tão complicada quanto em 2001. Temos, pela primeira vez, empatado jogos fáceis em casa e contando demais com os tropeços adversários. A partida contra o Peru é obrigação de vitória. Depois, será Uruguai em Montevidéu, Paraguai aqui e Argentina - muito melhor com Maradona e Billardo - em Buenos Aires. A máxima de que, bem ou mal, o Brasil sempre se classifica para a copa será colocada em cheque de novo.


Thursday, October 16, 2008

Até quando, Dunga?



Não asssisti hoje ao terceiro e último debate entre McCain e Obama, e nas raras vezes em que sintonizei a CNN, vi os dois deliberando os mesmos assuntos do sempre. "Tax Cuts", "Helth Insurance", bla bla, bla....

Fiquei na Globo torcendo para que a seleção brasileira aproveitasse a oportunidade de faturar 3 pontinhos em casa e deslanchasse um pouco na tabela, podendo então perder como sempre faz para o Equador na altitude de Quito sem sair a segunda colocação.

Não deu, aliás, não deu mesmo. O jogo foi terrível e, se tivessem um pouco mais de paciência e soubessem valorizar a posse de bola em vez de dar chutões a esmo cada vez que chegavam perto da grande área, os colombianos poderiam ter saído daqui com uma vitória. Quanto ao Brasil, faltou entrosamento, faltou talento no meio de campo e nas laterais, faltou virada de jogo, passe longo de qualidade, jogada aérea, e sabe-se lá o que mais.

Nosso querido Dunga parece não se importar, por exemplo, em ter um bom cobrador de falta ou de escanteio durante a partida. Talvez para ele as tais jogadas de bola parada não façam muita diferença no placar, ainda que os fatos digam o contrário. Não me lembro de algum dia ter visto uma seleção brasileira que não possuísse um bom cobrador de escanteio e de falta, como nessa nova "era dunga". Em 2006, possuíamos três que sempre brigavam para ver quem batia. Ronaldinho, Juninho e Roberto Carlos. Hoje, a cada ausência de Ronaldinho, precisamos aturar Elano, Julio Baptista ou Pato na função, o que chega a ser uma afronta ao bom senso do torcedor, como também é uma afronta não ver jogadas ensaiadas que compensem essa carência.



Até quando nosso querido Dunga manterá seu esquema de 3 volantes mequetrefes para um elemento criativo no meio-de-campo? Não sou contra a presença de três volantes, desde que pelo menos um ou dois saibam partir com a bola nos pés quando preciso, dar um drible ou um passe, e nosso "trio de ferro" Josué, Elano e Gilberto Silva só sabe mesmo é marcar e correr. Nas laterais, o mesmo problema. Kleber ainda pouco a vontade e Maicon errando nas subidas, errando nas tabelas e nos dribles. Se há um ano esse time de meia-bocas podia compensar sua falta de talento com um certo entrosamento e um jogo coletivo veloz, agora não pode mais, e na individualidade fica muito difícil aos carregadores de piano dessa geração resolverem alguma coisa. Sem laterais, sem homens vindo de trás do meio de campo, sobra para Lúcio e Juan, que além de se sobrecarregarem na defesa, precisam fazer a função dos volantes e subir para o ataque. Não adianta esperar que Kaká, Robinho e Jô resolvam tudo. Além disso, a maneira que Dunga arma o time exige participação ofensiva dos volantes e laterais coordenados. Se não tem, fica difícil. A incapacidade de se fazer lançamentos longos que sobrevoem as tais "linhas de quatro" e deixem Joãozinho e Miguelito na cara do gol é flagrante a ponto de me fazer odiar Juninho Pernambucano e Zé Roberto por terem virado as costas à seleção numa época em que seriam tão necessários. Culpa de 2006, onde tivemos fartura, mas não sensatez, e mágoas ficaram nos que queriam e podiam jogar sério. A nova "era Dunga" está pagando o preço.



Sobre Ronaldinho, ok, está fora de forma e tal, mas não dava para colocar no banco? Ora essa, ele jogou mal contra o Chile, mas alguém lembra do primeiro gol? Foi de falta, não? Uma cobrança bem executada na cabeça de Luis Fabiano e "ops", "gol", não? Pois é! Quem é que vai bater as faltas agora, Dunga? O Elano? Pelamordedeus!

Li num site uma declaração de nosso técnico: "Diferentemente de antes, estamos ganhando jogos fora de casa". Não é bem assim, Dunga. Nas eliminatórias para 2002 e 2006, vencemos, ao longo do primeiro turno da competição, duas partidas entre de cinco disputadas fora de casa, exatamente como agora, e até que você ganhe um terceiro jogo em solo adversário no segundo turno, o que espero e torço que consiga, não pode alegar que fez melhor do que Parreira ou Luxemburgo nas gestões anteriores. Nosso segundo lugar na tabela se deve mais aos tropeços dos adversários do que a méritos próprios. De bom, pelo lado canarinho, só a linha final da defesa, Juan, Lúcio e Julio Cesar, o verdadeiro "trio de ferro" a evitar que repressa estoure. No mais, muito "lero-lero" e pouco futebol. Até quando?




Thursday, August 14, 2008

Fato ou mito? - A bolada assassina


Inicia-se hoje, uma nova série neste blog. "Fato ou mito?" terá como objetivo apurar lendas antigas e modernas que, por repetição ou por tradição, viram verdades no palavrório público, ainda que boa parte de seus sustentadores sequer tenha noção se são, da fato, legítimas.

Um desses mitos permeia a história futebolística e fala de algo ocorrido na primeira fase da Copa do Mundo de 1990. Quem tem mais de 25 anos talvez se lembre de um lance em que o lateral Branco, da seleção brasileira, e cujo chute ganharia a alcunha de "Bomba Santa" no mundial seguinte, acerta uma bolada na cabeça de um jogador escocês durante uma cobrança de falta. O jogador desmaia, é atendido em campo, volta a jogar, desmaia outra vez e é levado a um hospital local.

Diz a lenda que, dias depois, este escocês viria a falecer por causa do incidente. Fato ou mito?

O atleta chamava-se Murdo McLeod, e o chute que recebeu teve realmente conseqüências sérias, tanto que boa parte de suas lembranças sobre a copa de 90 foram apagadas de sua consciência. A morte dele, contudo, é só um mito. McLeod continua vivo e muito bem, escrevendo para o jornal Daily Record e comentando para a BBC de seu país. A exceção das lembranças perdidas do mundial, o "chute assassino" nada mais lhe acarretou senão piadas e lendas. Hoje, McLeod menciona o episódio sempre que seu comprometimento com o futebol escocês é colocado em cheque.


Saturday, June 14, 2008

Números amargos



Às vesperas de Brasil X Paraguai, penso na estranha dificuldade que nossos atletas encontram sempre que jogam em solo adversário. Se, até hoje, jamais perdemos uma partida de eliminatória dentro de casa, pode-se dizer que, jogando fora, compensamos esta eficiência com um retrospecto "para lá" de medíocre.

Juntemos todas as partidas da seleção disputadas em solo adversário valendo vaga para as copas de 90, 94, 2002, 2006 e 2010 (não jogamos o torneio classificatório para 98). Desconsideremos apenas os confrontos contra o tradicional saco de pancadas do continente, hoje promovido à time levemente competitivo, a Venezuela. Teremos a seguinte situação:


Eliminatórias para a copa de 1990: 1 jogo disputado (contra o Chile), nenhuma vitória.


Eliminatórias para a copa de 1994: 3 jogos disputados (contra Uruguai, Bolívia, Equador), nenhuma vitória.

Eliminatórias para a copa de 2002: 8 jogos disputados (contra Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia) uma vitória (contra o Peru).

Eliminatórias para a copa de 2006: 8 jogos disputados (contra Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia), uma vitória (contra a Colômbia).

Eliminatórias para a copa de 2010 até o momento: 2 jogos disputados (contra Colômbia e Peru), nenhuma vitória.

Saldo final: Em 22 jogos de eliminatória disputados fora de casa contra adversários competitivos que não a Venezuela, o Brasil só ganhou DOIS.




Sunday, April 27, 2008

Filme oficial da copa de 1982



Há alguns meses, "Notícias do Front" presenteou seus leitores com um grande achado futebolístico. HERO, filme oficial da copa de 86, em versão editada, que infelizmente foi cortada do youtube.
Não se entristeça, todavia. Onde Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela. Para o clube dos saudosistas do futebol-arte, "Notícias do Front" reserva um presente. Sim! A copa de Zico, Sócrates, Junior e Falcão, a copa que tantos consideram a melhor dos últimos trinta anos, a última da era clássica. 1982 marcaria a história dos mundiais justamente pelo casamento de grandes gerações de atletas, jogos muito técnicos e um time brasileiro que não chegou longe mas encantou o globo. Confira Arnaldo César Coelho dando tremeliques na finalíssima; jante com a seleção camaronesa na concentração e vibre enquanto Deuses de amarelo e azul desfilam glamour e talento entre as quatro linhas. Acompanhe a luta de franceses e alemães para uma vaga na final. Surpreenda-se com a Esquadra Azurra: seu pífio começo e a recuperação rumo ao tri.

GOL´E é o filme do futebol ofensivo, do drible, do gol.

O Video também pode ser assistido em alta qualidade de resolução, mas apenas de dentro do site youtube, e está dividido em 10 partes. Narração de Sean Connery.



Para assistir às outras partes do filme, tecle nos links abaixo e depois escolha a qualidade desejada em "watch in high quality" ou "watch in low quality", embaixo da tela do youtube, à direita.

Parte 2 ........ Parte 3 ........ Parte 4
Parte 5 ........ Parte 6 ........ Parte 7
Parte 8 ........ Parte 9 ........ Parte 10


Filme oficial da copa de 1990



Há alguns meses, "Notícias do Front" presenteou seus leitores com um grande achado futebolístico. HERO, filme oficial da copa de 86, em versão editada, que infelizmente foi cortada do youtube.
Não se entristeça, todavia. Onde Deus fecha uma porta, sempre abre uma janela. Passada a era de ouro da geração Zico e Platini, uma nova fase se iniciava no futebol mundial e brasileiro. 1990 seria uma copa marcada por jogos truncados, erros de arbitragem, injustiças, disputas de penalti e a prevalescência do futebol mecânico sobre a criatividade, quebrada apenas pela surpresa camaronesa e pelo talento de Maradona, não mais no expledor de sua última copa.

Confira o primeiro torneio da era Dunga, seus melhores e piores momentos pelas lentes dos cinegrafistas da FIFA. 1990. "A Copa dos Penatis". O Video também pode ser assistido em alta qualidade de resolução, mas apenas de dentro do site youtube, e está dividido em 10 partes.



Para assistir às outras partes do filme, tecle nos links abaixo e depois escolha a qualidade desejada em "watch in high quality" ou "watch in low quality", embaixo da tela do youtube, à direita.


Parte 2 ........ Parte 3 ........ Parte 4
Parte 5 ........ Parte 6 ........ Parte 7
Parte 8 ........ Parte 9 ........ Parte 10


Friday, November 23, 2007

Filme oficial da copa de 1986

Olá.

Se você gosta de futebol, já deve ter visto ou ouvido falar de
Todos os Corações do Mundo, documentário oficial da FIFA sobre a copa de 1994 que ilustra o retrospecto das melhores seleções do torneio com imagens de bastidores, entrevistas, tomadas "em close" dos jogadores e de tudo mais sobre o espetáculo.



Vendo este filme, muito bom por sinal, muitos se perguntam se não haveria outras produções oficiais de copas do mundo. "Cadê o filme de 2002?", "E o de 2006?","Por que não fizeram?", "Se fizeram, por que não passou no cinema e não tem em locadora?". Eu, pelo menos, remoí essa dúvida por um tempo. Quem tem SPORTV em casa há mais de dois anos sabe que estes filmes existem para cada mundial desde 58 e não são fáceis de achar na rede. Talvez o motivo de boa parte deles não ocuparem as prateleiras das locadoras seja um misto entre desinteresse das distribuidoras e o fato deles não serem tão bons quanto a versão de 94. Pessoalmente, não posso emitir opinão, porque, além deste filme oficial, só vi outros dois até agora. A constatação parte exclusivamente de comentários que andei pesquisando.

Aos curiosos, um achado no youtube: O Filme oficial da copa de 1986, intitulado "HERO", com narração de Michael Caine. Não chega perto da obra-prima de 94, e a qualidade das imagens do aquivo poderia ser um pouco melhor, mas vale para matar saudade de alguns lances e ídolos. O vídeo abaixo constitui a primeira de cinco partes que compõem o filme. Todas devidamente postadas. Os links para as partes 2, 3, 4 e 5, você encontra respectivamente
aqui, aqui, aqui e aqui. Infelizmente, não há legendas em português.



Nota póstuma do blogueiro (5/5/2008): Ao recém chegado a esta matéria do blog, fica óbvio que o referido filme foi retirado do ar. Todavia, outros dois filmes oficiais de copa do mundo, respectivamente os de 1982 e 1990, já se encontam disponíveis no youtube. Para acessá-los, clique nos links abaixo. Cada um deles o levará a uma matéria como esta contendo os links para todas as partes do filme.


Acessar filme oficial da copa de 1982

Acessar filme oficial da copa de 1990




Friday, September 28, 2007

Avante, guerreiras da bola!!!



Há trinta anos, quando Pelé aceitou jogar futebol nos Estados Unidos pelo extinto New York Cosmos, a empreitada tinha como objetivo popularizar este esporte por lá. Não deu certo. Pelo menos não para os homens. Às mulheres, foi sucesso total. Do fim da década "disco" até hoje, nosso "soccer" virou a opção esportiva "light" popular do "sexo frágil" em solo yankee. Se na America Latina e boa parte da Europa, futebol foi esporte bruto "para macho" até pouco tempo, nos lados do Tio sam era "jogo de mulherzinha". "Homem que era homem praticava baseball, futebol americano, hóquei ou basquete."

Tal popularidade precoce tornou os Estados Unidos uma espécie de potência mundial precursora. Se, com os marmanjos, passaram quarenta anos sem ir a uma copa, com as moçoilas fulguraram sempre entre os três primeiros, ostentando dois títulos em quatro edições disputadas. Nomes como Michelle Akers, Mia Hamm e Shannon McMillan logo alçariam condição de referência global.





Abaixo do equador, o clima era outro. Mulheres jogando bola tachadas de lésbicas ou coisa pior. Falta de incentivo à formação e profissionalização de atletas tornaram a América do Sul terceiro mundo no futebol de saias, e a coisa pouco mudou desde então, exceto por um detalhe.

Um detalhe chamado seleção brasileira.


Ocorreu devagar. Lampejos de uma geração prodigiosa e guerreira que, desde sempre, lutou contra tudo e contra todos para não perecer. Marta, Formiga, Pretinha... surgiram como curiosidades, ganharam simpatia pública e viraram ícones de garra e perseverança, heroínas nacionais. No começo, tiravam onda nos trópicos com homéricas goleadas, mas caíam ante as "gigantes" chinesas, norueguesas e americanas. Para cada mundial perdido, um choro por apoio e meses de esquecimento até o próximo compromisso importante. Promessas não cumpridas, mal-entendidos, crocodilagens e a eterna superação de um time que de zebra virou "pedreira" e agora quer ser grande. Mereceu ganhar ouro em atenas, faturou dois panamericanos e por fim, enfim, desbancou o antigo carrasco, candidato a freguês. Nosso Brasil também quer ser potência entre as meninas, e pode, se nós aqui deixarmos.





Torcerei por elas na decisão, claro, e ainda mais depois. Torcerei para não serem esquecidas. Para que a TV, empresas, federações, e nós, o público "pagante", não as deixemos de lado, ou viverão sempre comendo migalhas dos rapazes, apesar do esforço e glória alcançados.

Nos "states", o fenômeno é inverso. A velha zebra yankee da seleção masculina, ressurgida às copas de 90 para cá, mostra sinais evolutivos claros. Fez bonito em 2002, deu azar em 2006 com uma chave difícil e hoje consegue encarar o Brasil de Kaká e Ronaldinho quase de igual para igual. Não duvido que em alguns anos, os homens, e não as mulheres, sejam o sexo forte no futebol de lá. A pergunta é: Isso bastaria para popularizar o "soccer for men"? E aqui? Algo inverso ocorreria com um título feminino em copa do mundo?


Bom... Vamos aguardar.




texto também publicado no blog Fanáticos por Copa e no site Domínio Cultural



Monday, July 03, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 11

Brasil X França. A ressurreição do pesadelo.



Eis, amigos, a “encoberta” verdade sobre 1998! O grande segredo por trás de uma final de copa que suscitaria, pelo menos até anteontem, o imaginário de milhões de torcedores, incrédulos na legitimidade do futebol pífio apresentado por nossa seleção, convictos na existência de alguma trama escusa – possivelmente ligada à “suspeita” convulsão de Ronaldo horas antes da partida começar – que nos tivesse feito entregá-la em troca de qualquer favor idiota oferecido pela FIFA, Adidas, Nike, ou sabe-se lá quem, e, desta incapacidade de lidar com o óbvio, folclores e teorias sobre arranjos de resultados nasceram, mesmo fora do Brasil, afinal, o “grande time” que jogara “tão maravilhosamente bem” contra a Holanda nas semi-finais não podia perder como perdeu: apático, confuso, incapaz de reagir, e o problema de Ronaldo viraria desculpa para Zagallo, Bebeto e outros protagonistas do infame episódio na hora de justificar seus fracassos. Dunga, claro, seria exceção, e não hesitaria em enfatizar a relevância dos méritos adversários como elemento determinante do “desastre”. Desastre que, de algum ponto perdido no limbo esportivo, resolveu ressurgir, revivendo máculas e glórias de uma decisão até então questionada, talvez para desfazer mal-entendidos, remover nossas vendas de narcisismo ferido, castigar a empáfia de uma nação que só consegue analisar futebol olhando o próprio umbigo, repetir uma lição que nunca foi e dificilmente será aprendida, a lição de que estrelas nem sempre resolvem campeonato, de que ostentar um bom time transcende ter um plantel de craques, de que podemos possuir os melhores jogadores (será?), mas não necessariamente o melhor futebol, e de que este esporte também envolve estratégia, estudo, racionalidade, repetição, planejamento, treino, opções de jogo, prevalescência tática, física, emocional, de que “se deu certo anteontem e ontem”, não significa que ocorrerá de novo, de que se erramos e consertamos em cima da hora em alguns torneios onde triunfamos, não precisaremos errar outra vez para repetir a mesma “mística” vencedora.



Como em 1998, perdemos anteontem para um time mais inteligente, com uma estratégia superior à nossa, com um “maestro” intelectualmente mais capaz de compreender e manipular o jogo do que qualquer Kaká, Cafu ou Ronaldinho. Se capengamos e tropeçamos até a decisão de 98, sobrevivendo mais do talento individual do que de qualquer capacidade estratégica ou tática que Zagallo pudesse possuir na manga (ainda que proporcionássemos esporádicas exibições mais convincentes); em 2006, fomos além na mediocridade, e, de novo, os “azuis” de Zidane apareceram dos céus para mostrar ao Brasil que nosso suposto “melhor futebol do mundo” não pode mais sobreviver de improvisos, nomes, Marketing, brados, folclores, místicas, lampejos intuitivos e supertições, que se a alguns adversários sempre faltou o tal “brilho a mais” que fizesse diferença nos momentos decisivos, que se a essa mesma França faltara magia até anteontem e decerto faltará quando Zidane se aposentar, a nós carece inteligência, capacidade analítica, e, claro, fundamentos básicos de outras seleções onde atacantes sabem jogar sem bola e meio-campistas conseguem completar um passe longo e ligar contra-ataques sem grandes dificuldades.
Isso, claro, sem mencionar nosso velho caos organizacional de bastidores futebolísticos, malogrado por ervas daninhas que usam o esporte preferido da nação como pretexto para enriquecer, vampiros da bola lucrando alto com cada transação, negociata escusa, patrocínio, saída ou entrada de jogador, mandando e desmandando dentro e fora do país, protegidos e legitimados pelo escudo dos clubes e federações que representam. O grande segredo de 98, revelado anteontem ao mais incrédulo dos incrédulos, pouco teve a ver com supostas convulsões de Ronaldo e certamente não envolveu qualquer entrega de resultado; o segredo foi uma mistura de talento e inteligência, de aliar qualidade técnica à estratégia, foi ter um amplo conhecimento sobre nós, nossos padrões, fraquezas, nossa terrível incapacidade de reagir e reorganizar quando surpreendidos e encurralados em nosso “modus-operandi”. Como em 98, o Brasil se deparou com um antídoto e não conseguiu se transformar ao longo de noventa minutos, ler a partida, utilizar opções, desenvolver alternativas sobressalentes para o caso de problemas com o “plano A”. Zagallo não tinha “planos B” em 98, e tampouco Parreira em 2006, apenas idéias vagas desenvolvidas ao longo do mundial, “pôr esse ou aquele jogador”, “um volante a mais ou um atacante a menos”.

O segredo de 98 foi que apostar demais no jeitinho brasileiro pode nos fazer cair de joelhos ante a inexorabilidade racional dos europeus, especialmente se estiver ela aliada ao talento diferenciado de dois ou três jogadores, simbolizados anteontem por uma mistura de África com “Velho continente”, uma autêntica legião estrangeira pós-globalização encabeçada por general “Zizou”, seus tenente Henry e Vieira, sargentos Makelele, Thuram e Ribery, e todo um exército azul, branco e vermelho a marchar incólume sob o som da marselhesa enquanto enterrava cabeças verde-amarelas de mauricinhos e pop-stars sem comando ou qualquer noção do que ocorria em combate. Como Napoleão, Zidane fez seu exército dividir nossos apáticos representantes, isolá-los, anula-los no âmbito coletivo até torná-los quase inofensivos, atabalhoados, desesperados ante a morte anunciada. Não houve batalha, resistência ou honrarias. Fomos, como em 98, escurraçados da copa por nêmesis imbuídos em anunciar ao mundo que o futebol brasileiro era uma farsa.
Se em Paris podíamos ser parcamente redimidos pela atuação satisfatória das semi-finais contra uma Holanda que nos sobrepujara por cerca de 70 minutos, perdera gols quase impossíveis, mas também nos brindara com um desgaste físico de prorrogação que ofereceria chances para mudarmos a imagem histórica de uma partida; anteontem, não houve atenuantes ou desculpas esfarrapadas, nenhum jogo anterior que nos consolasse, nenhum mistério que nos fizesse acreditar em conspirações folclóricas. Perdemos em campo e perdemos para o mundo inteiro saber da copa em que fomos um time de várzea, do mundial em que sucumbimos à arrogância da CBF, a uma preparação mal elaborada capaz de dispensar amistosos importantes para depois reclamar da falta deles quando o navio afundasse, a um grupo covarde, técnico e jogadores incapazes de contextualizar um problema e elaborar soluções ao longo de noventa minutos ou mesmo entre um jogo e outro. Parreira não perdeu porque quis jogar feio ou bonito; Parreira não adotou sua filosofia “pragmática” de 94, como tanto anunciaria a seus críticos, mas apenas a utilizou como pretexto para endossar vitórias fortuitas, quase casuais, onde estivemos a beira do gol de empate ou da derrota o tempo inteiro, gol que, por capricho e muito esforço dos pobres Dida, Juan e Lucio, não nos surpreendeu enquanto podia, deixando para aparecer justamente quando não mais fosse possível mudar, ousar ou arriscar. Se Parreira foi sensato ao colocar Juninho em campo, mesmo tendo esta escalação falhado além de minhas pobres e talvez enganosas expectativas, foi incoerente ao deixar Robinho por tanto tempo no banco, mesmo diante do óbvio, mesmo depois do gol, preferindo restabelecer seu time predileto com Adriano, talvez para calar a crítica com mais um golzinho espírita, prorrogando assim uma reação que poderia ao menos atenuar nosso vexame, garantir uma derrota digna ou até um empate em tempo normal, sucedido (Por que não?) de uma semi-final que nos possibilitasse enterrar Brasil X França de 2006 como Brasil X Inglaterra fez com Brasil X Bélgica em 2002, evitando que um erro de escalação marcasse uma era em nosso futebol, pois, em copa do mundo, o que ocorre durante 90 minutos de uma decisão ou ao longo de uma campanha, fica para sempre, acima de trocentos jogos de eliminatória, Copa das confederações ou comerciais da Nike. A humilhação de anteontem não sucedeu apenas por erros de escalação, mas coroou uma série de equívocos que permanecerão entranhados em nosso futebol, protegidos esporadicamente entre um título e outro, esquecidos a cada euforia e reavivados a cada comprovação de nosso eterno desleixo. Essa copa será marcada para nós como a copa da vergonha, a copa que humilhou nosso futebol como tanto temi ao longo de “reflexões” escritas neste blog, reflexões ingenuamente esperançosas de um milagre, mas profeticamente temerosas de um mico anunciado e confirmado. Esse time francês que nos venceu dificilmente voltará a brilhar como anteontem, pois, apesar da inesperada evolução que apresentara desde sua estréia, apesar de Henry e “Zizou”, ostenta ainda vestígios claros de mediocridade, que, mesmo diante de um oponente tão inexpressivo, mesmo diante de inquestionáveis méritos em nos sufocar por quase noventa minutos, ameaçaram reaparecer, e talvez reluzissem fortes, especialmente no pobre Barthez, se Robinho adentrasse o campo mais cedo, mas em futebol e na vida não existem “ses”, apenas a história, a irreversível história de um ovo fabergé que se estatelou e apagou o futebol brasileiro por quatro longos anos.



Perder é normal, mas não perdemos anteontem, fomos cuspidos do mundial pela porta dos fundos.


Texto a ser publicado no blog
Fanáticos por Copa


Friday, June 30, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 10

Pedras azuis em nosso sapato



Quis a sorte que encontrássemos novamente os franceses em uma copa do mundo, não na decisão, como em 98, mas nas quartas-de-final, como quando perdemos melancolicamente em 86, levando um suado empate para a disputa de pênaltis.
As equipes francesas de 1986 e 1998 lembravam nosso Brasil de algum modo, talvez mais o time de 86, também habilidoso, com um Zico de nome Platini e outros craques muito técnicos, jogando um futebol meio europeu e meio brasileiro, sem a típica cintura dura alemã, mas também sem a vocação ofensiva e o brilho da Holanda, quando campeão em 98, e sem uma solidez defensiva de italianos inspirados, quando eliminado nas semi-finais de 86. Lá e cá, com Platini ou Zidane, mandaram-nos para casa sem troféu, e pretendem repetir a façanha, prometendo resgatar lembranças de uma estranha final em que Ronaldo não foi Ronaldo por motivos ainda obscuros, e também calar quaisquer especulações remanescentes de quem permanece acreditando na hipótese de uma decisão arranjada.
Não, não é mais aquela França, mesmo com “Zizou” e outros em campo! Contudo, penso que a atual pode nos ser quase tão indigesta quanto sua antecessora, como em 97, no mesmo Saint Dennis da final, quase com a mesma escalação, num pequeno torneio quadrangular que contava também com Itália e Inglaterra, onde os “azuis” nos arrancariam um empate que já anunciava sua capacidade de se igualar ao Brasil entre as quatro linhas, mesmo que contássemos com um inspiradíssimo Romário. A verdade é que essa geração de jogadores sempre atuou bem contra o Brasil, vencendo-nos em 98 e 2001, empatando em 97 e 2004.
De 97 para cá, jamais os derrotamos, e isso mostra o quão legítima pode ter sido a “suspeita” decisão de Paris. Sabemos, no entanto, que cada jogo é uma história, e que essa França, apesar de experiente e perigosa, não tem mais o brilho de outrora, e tampouco joga em casa. Penso que se atuarmos com um time bem montado, teremos todas as chances do mundo para proporcionar uma honrosa despedida a Zinedine Zidane, apesar das iminentes dificuldades.



Mudando agora o foco, Alemanha e Argentina disputarão, a meu ver, o jogo mais esperado da copa, e também um duelo chave que poderá determinar os rumos do futebol alemão.
Por que digo isso?
Dois motivos interligados. Primeiramente, os alemães não vencem um clássico (leia-se “clássico”, jogos contra equipes de grande tradição) desde 2000, e uma vitória (ou mesmo um triunfo nos pênaltis) contra a Argentina solidificará de vez os méritos de Klismann no comando do time, Klismann que propôs uma alteração radical na maneira da Alemanha jogar, priorizando um futebol ofensivo, ousado e vibrante, que tornasse sua seleção não apenas competitiva, mas também apreciável aos espectadores, menos sisuda, menos fria, menos “alemã”, buscando justamente modificar essa terrível associação, a imagem do país que “descobriu um modo de ganhar copa sem precisar jogar bola”. Vencer os argentinos pode mudar permanentemente a maneira alemã de encarar futebol, e isso, para Klismann, significaria mais do que melhorar esse esporte em seu país, mas também no resto do mundo, visto que muitos olham a Alemanha como referência.
Por essas e outras, penso seriamente em torcer para eles hoje. Conseguirei?

Texto também publicado no blog Fanáticos por Copa


Wednesday, June 28, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 9

Gana foi nossa Bélgica de 2006

Em meu texto anterior, esqueci de mencionar o horário em que escrevia, minutos antes de Brasil e Gana começar, e minhas palavras, de certo modo, foram proféticas, pelo menos se analisarmos a atuação brasileira, novamente aquém do esperado, dependente da condescendência dos juízes e da inspiração de nosso arqueiro. Como nas oitavas de final de 2002, adentramos o campo com um time mal ajambrado, tomamos vaias da torcida e dependemos muito do talento individual para contrabalançar os problemas coletivos crônicos, principalmente nos primeiros sessenta minutos de jogo, antes de Juninho entrar. E se Juninho foi o Kleberson de Brasil X Bélgica em 2002, Ricardinho foi... Ricardinho, que, como naquela partida, entrou para aliviar a pressão do time não conseguir sair jogando e, de quebra, contribuiu com escelentes passes para gol que mudaram a cara do confronto. Um deles, bem arrematado por Zé Roberto.
A estratégia brasileira baseava-se na postura ofensiva da seleção adversária, que adiantou sua marcação para complicar nossa saída de bola e tentou parar nossos ataques com a boa e velha linha de impedimento. Parreira apostou na posse de bola, nos passes curtos, na espera e numa alternância de jogo cadênciado com velocidade para fugir da correria dos africanos e tirar vantagens de suas fragilidades. Funcionou maravilhosamente bem nos dez primeiros minutos. Depois disso, o que se viu foi um Brasil incapaz de segurar a redonda por muito tempo, atabalhoado em pífios contra-ataques de pouco entrosamento, esforçando-se para imitar o plano de estréia da Azurra contra esses mesmos ganeses, mas com uma escalação inadequada defensivamente para tal. Parreira temeu colocar Juninho no início da partida, preferindo um time que nunca deu certo fora do papel, mas (e também por sorte) ainda não perdeu. Fomos novamente salvos por colossais esforços individuais - destacando-se Juan, Lúcio, Dida e Zé Roberto - , pelas mesmas colaborações do destino que tivemos contra a Bélgica e por uma ajudazinha da arbitragem, não tão determinante quanto no jogo de 2002, mas que nos garantiu o alívio do segundo gol. Claro que, em se tratando de impedimento não marcado, volto a enfatizar a importância de se deixar uma jogada correr em caso de dúvida, e de que mais vale um gol impedido do que outro anulado por impedimento inexistente. Se implicarmos demais com os bandeiras nesse tipo de lance, a boa e velha recomendação da FIFA será inútil.
Outro grande diferencial favorável ao Brasil nesta copa tem sido a experiência de nossos craques, que, em detalhes, tem feito mais diferença do que se pode pensar. Assim como me impressiono negativamente com certos erros coletivos e individuais, também fico boquiaberto ante a sagacidade de nossos jogadores mais rodados em campo, mesmo quando atuam mal. A capacidade de não se deixar levar demais por um momento adverso ao longo da partida, de saber aproveitar os vacilos do adversário em instantes capitais e, pelo menos por parte dos atacantes, de fazer o que os ganeses não fizeram, visualizar uma conclusão antes de arrematar, e por isso desfrutamos melhor as oportunidades de gol, coisa que Gana não fez.
Brasil X Gana foi também um embate entre juventude e experiência, entre a saúde dos africanos e a serenidade e frieza de nossos atletas em alguns momentos (não em todos, claro). A sagacidade individual tem contrabalançado o mal-preparo coletivo até agora, garantindo resultados positivos em atuações questionáveis. Contra a França, precisaremos jogar mais, como jogamos melhor há quatro anos contra a Inglaterra. O Brasil está mal, mas tende a crescer ao se defrontar com grandes seleções. Espero que aconteça de novo, o que será bastante provável se Robinho voltar e o time jogar completo com ele em campo.
Logo, escreverei sobre as demais seleções.



Tuesday, June 27, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 8

Venceu o medo! Que tenhamos sorte também! Muita sorte!

A oitava parte de minhas "reflexões" sobre a copa será mais um desabafo! Um urro de indignação ante a a falta de flexibilidade e de coragem de Carlos Alberto Parreira, que pretende "pagar para ver" mais uma vez, esperar outro jogo para ver confirmado o que todo mundo já está cansado de saber. Adriano e Ronaldo não podem jogar juntos. O país inteiro clama por Juninho Pernambucano no lugar do fatidicamente lesionado Robinho, esperança única de mudança para a cara do futebol brasileiro nessa copa. Parreira confiará em sua estrela, escalando o time do sono outra vez, torcendo por mais um golzinho fortuito como os de Kaká e Adriano. Gana talvez seja hoje o que a Bélgica foi para nós em 2002, o último alerta dos Deuses Futebolísticos de que não podíamos insisitir na burrice. Naquela copa, a imprensa não clamava por Kleberson como clama hoje por Juninho Pernambucano. Tomara que, como naquele jogo, a arbitragem e nosso goleiro façam suficientes milagres para segurar a avalanche de obviedades que tentará nos chutar dessa copa.
Parreira diz que não testou outra escalação. Por quê? Porque deixou para testar tudo no mundial, só que, na hora de testar, prefere confiar na mediocridade comprovada do quadrado que não funciona sem Robinho do que na duvidosa segurança que Juninho pode proporcionar ao time.
Esse é Parreira, amigos!

Sunday, June 25, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 7

Enfim, a hora da verdade chegou



(Parte 1, escrita em 24/06 as 11 da manhã, antes de Alemanha x Suécia)

Esta copa começou muito boa, e parece ter aliviado seu ritmo na terceira rodada em virtude da classificação prematura de alguns favoritos. República Tcheca e Itália foram exceções, visto que ainda precisavam brigar por vaga no último jogo antes das oitavas. Outros participantes, já eliminados, preocuparam-se em realizar honrosas despedidas, como no caso da Costa do Marfim, que apesar de se revelar grande surpresa no mundial, apresentando um futebol tecnicamente superior ao de times como Equador e Gana, viu-se eliminada na fase preliminar, e por razões óbvias. Cair num grupo com Holanda e Argentina não lhe deu muita chance. Fez excelentes partidas, mas não teve sorte suficiente e cometeu pecados inadmissíveis nestes dois confrontos, pecados que Gana e Equador também praticaram, mas em chaves e jogos onde era permitido.
Os alemães de Klismann evoluíram substancialmente quando comparados a si mesmos perdendo feio para Estados Unidos e Itália meses atrás. Demonstraram fragilidade na estréia, mas se solidificaram defensivamente em seguida, evidenciando também uma empolgação e um volume de jogo incomum ao país em copas recentes. Sem dúvida, jogar em casa também pesa bastante nesse contexto, e a equação “jogadores jovens, aplicados e empenhados + filosofia ofensivista de Klismann + fator campo + adversários medianos ou fracos até agora” vem resultando numa Alemanha empolgante que contradiz sua imagem de time frio e calculista. Frios talvez sejam os suecos ante a problemática de encará-los como donos do espetáculo. Alemanha e Suécia duelarão uma hora após eu escrever esta coluna e tal confronto representará um teste definitivo para a torcida germânica saber se realmente pode sonhar com o título. Seus jovens representantes podem ter melhorado muito desde a preparação, mas ainda não provaram força contra oponentes mais duros, visto que pegaram uma chave tranqüila. A seleção equatoriana surpreendeu vagamente com duas largas vitórias, mas, além de jogar sua terceira partida desfalcada, está longe de ter valido aos alemães como um grande teste. Caísse num grupo mais complicado, decerto estaria fazendo as malas agora. Claro que ver os sul-americanos nas quartas após vencerem os ingleses não é impossível, mas bastante improvável, mesmo com os defeitos apresentados pelo “english team”, que ainda não encantou nessa copa.
O único grupo a classificar uma equipe considerada zebra antes do início do torneio foi a chave E. Gana começou frenética contra os italianos, mas também errando em conclusões e na marcação. Vacilou semelhantemente contra a República Tcheca, perdendo gols impossíveis, mas sua maciça prevalescência técnica, aliada à superioridade numérica em virtude de expulsão, garantiu um triunfo que a colocaria diante do Brasil nas oitavas. Seus jogadores são rápidos como manda a tradição africana em copas e destoam do estereótipo “alegres, desleixados e dribladores” característico de Camarões em 90 e Nigéria em 94, preferindo um estilo de muita força física, pegada, toques rápidos, marcação na saída de bola e numero excessivo de faltas. Possui média de dribles baixa quando comparada à Costa do Marfim e Brasil. 7,7 dribles por jogo, segundo o instituto Datafolha, contra 25,3 do Brasil e 29,3 da Costa do Marfim. Sua média de faltas é a maior da copa. 25 por jogo contra 11,7 dos brasileiros.
Portugal e Holanda prometem um duelo menos físico e de técnica apurada, enquanto a França, que dificilmente brilhará nessa copa (embora possa apresentar um ataque melhor com Trezeguet em campo), terá sua defesa duramente testada pela primeira vez. Ostenta um time limitadíssimo que, ao menos, não parece frágil. O favoritismo, todavia, será da fúria.
Brasil e Japão realizaram um duelo interessante em Dortmund. Parreira soube aproveitar sua última chance de testar jogadores que poderiam mudar o caráter sonolento do time. Colocou em campo uma esquadra leve, veloz e muito ofensiva que trouxe esperanças à torcida e mais respeito dos adversários. Insistir com Ronaldo foi e ainda é uma aposta perigosa. O fenômeno vem ganhando ritmo a cada partida, mas ainda atrapalha o ataque quando trava certas triangulações e, nas bolas altas, não tem metade da eficiência de Adriano, apesar do gol de cabeça que marcou. De “causa perdida”, viu-se promovido à “esperança”, e isso nos deixa felizes. Parreira ignorou o óbvio, mas pode sair triunfante assim mesmo, provando o poder de suas “loucas” convicções. Com Robinho jogando, ainda prefiro Adriano como homem de referência. Contudo, manter os demais reservas na equipe seria insensato. Gana não tem tradição, mas é um time de muita força física que pressionará nossa retaguarda e exigirá empenho e eficiência nas divididas. Brasil X Gana promete ser brigado, corrido, com algum espaço para jogar, contra-ataques e uma pressão enorme contra nós nos primeiros minutos, como os africanos têm feito sempre. Somos, claro, favoritos, e seríamos mais se a seleção estivesse devidamente ajeitada no tempo certo. Sucesso contra os ganeses será quase uma garantia de bom futebol contra os espanhóis, caso estes triunfem sobre a França e nos peguem na fase seguinte, pois praticam um estilo vagamente próximo ao de Gana.
Estranha foi a tímida comemoração de certos jogadores australianos e de Gus Hiddink com a vaga obtida após um jogo marcado pela mais estapafúrdia arbitragem da copa até agora, pois pareciam menos contentes com a classificação do que decepcionados por não serem líderes do grupo, já que, pensam, poderiam ter vencido o Brasil com um pouco mais de sorte, e, assim, evitar a “Azurra”, super favorita contra eles. Diferentemente de certos selecionados tradicionais, ganeses e australianos não parecem muito humildes ante os penta-campeões. De certo, é saber que a copa entrará num desenlace interessante com grandes seleções se cruzando em embates dramáticos e épicos até o grande campeão ser decretado. O nível técnico deste mundial deve crescer e muito a partir de agora.


(Parte 2, escrita em 24/06 as 2 da tarde, antes de Argentina x México)




Vitória categórica da Alemanha ante os suecos e notícia devastadora para o Brasil. Copa do mundo é assim. Desvios brutais, surpresas e estórias diferentes a cada rodada.
Jogo a jogo, os alemães mostram saber aproveitar seu mando de campo para acuar adversários e, com 15 minutos passados, já complicaram a vida dos suecos com dois gols. Torcerei para a Argentina ante os mexicanos porque os donos do espetáculo precisam de um freio nesse mundial, e, penso, os favoritos portenhos serão seu maior obstáculo até a decisão. Depois disso, só com muita reza e macumba para segurá-los, por mais limitados que possam ser. Um time grande jogando em casa e bem preparado é sempre um problema, e, não por acaso, à exceção do Brasil, todos os campeões mundiais possuem ao menos um título no próprio solo.
Falando em Brasil, um possível desastre pode provocar desfechos melancólicos ao sonho do Hexa. Robinho não é a grande estrela do time, mas sua presença em campo vale como elo propulsor importantíssimo para fazer o tal “quadrado” funcionar.
Se sua recente dor na coxa for contusão séria, Parreira terá três opções para administrar uma possível sobrevida sem ele. Abolir o quarteto e escalar Juninho no lugar de Adriano, rezando para não precisar colocar coringas ao longo da partida, visto que não possuirá cartas adicionais na manga; isso até pode melhorar a seleção, solidificando o meio-de-campo e diminuindo a fragilidade demonstrada até aqui, mas talvez também prejudique o dinamismo das subidas ao ataque, descaracterizando aquele futebol alegre e dinâmico que muita gente quer ver do Brasil. Parreira também pode testar seu “quadrado” com Fred, buscando manter as características da equipe que deseja montar, ou fazer o mais provável, voltando à escalação original com dois atacantes “pesados”, atitude que decerto representaria um retrocesso fatal em termos de brilho ofensivo e eficiência.
Que os Deuses futebolísticos nos sejam benevolentes e preservem Robinho, para que, pelo menos, mostremos algo próximo a nosso real potencial nessa copa! Se já não bastassem as trapalhadas da CBF e do próprio treinador, o destino parece também estar indisposto a colaborar conosco. Copa é assim mesmo, vide ausências de Maradona em 94 (dopping) e Zidane em 2002 (contusão). Felizmente vencemos os alemães no Japão, e eles só poderão ser tetra em 2006, para desespero do reserva mais simpático e bem-humorado da copa.




Texto a ser publicado no blog Fanáticos por Copa


Monday, June 19, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 6

Time que desce quadrado



Terminado este segundo desafio do selecionado brasileiro, prontificam-se “entendidos” de plantão – incluindo quem vos escreve – a diagnosticar prós e contras da partida, emitir veredictos, sugestões, e, claro, criticar o que “deve” ser criticado.
Indignações, ufanismos, homenagens, premeditações, alertas e pedidos desesperados a parte, confesso sentir um misto de esperança e desespero, de Copa das Confederações e Olimpíadas de Atlanta, embora deva confessar a prevalescência do segundo presságio ante o primeiro. Vitórias tranqüilizam, mas performances atabalhoadas ainda preocupam, e também os sinais de que Parreira permanecerá desafiando a lógica e ignorando o óbvio. Até quando?


Ronaldo esteve melhor do que na estréia, e isso é consenso na imprensa esportiva, mas, se uns globais aqui e ali preferem focar atenções na “micro-evolução” do fenômeno e demais pontos positivos da performance de anteontem, mantendo a visão predominantemente ufanista da emissora, outros permanecem céticos, quer insistindo nos óbvios defeitos do time, quer apelando ao “espírito do futebol-arte de 82”, quer insistindo em análises individuais de jogadores e esquecendo um pouco o âmbito coletivo.
Freqüentemente assisto ao badalado debate “linha de passe - mesa redonda” na ESPN Brasil, que conta com alguns dos mais bem vistos comentaristas futebolísticos da mídia nacional, incluindo Juca Kfouri, Fernando Calazans e o “expert” Paulo Vinícius Coelho. Sou fã do programa e de alguns participantes, mas admito discordar de inúmeros pontos por eles levantados. Penso que, tal qual nossos “entendidos” da CBF, da comissão técnica e futebol brasileiro em geral, também estes ocasionalmente contribuem com certos vícios opinativos não mais condizentes com o futebol como ele é jogado hoje, mas isto é assunto para outra resenha.
Retomando o programa em si, Juca Kfouri questionou anteontem a pertinência das opiniões “indulgentes” que havia emitido a quase todos os jogadores brasileiros após perceber ter também depreciado o time no âmbito conjunto, mas seu paradoxo era absolutamente sensato e pertinente, pois possuímos uma equipe que mal se entende em campo, com problemas táticos crônicos, e que consegue contrabalançar tais defeitos com marcantes esforços individuais. A “defesa”, tão elogiada por todos, pode até ir bem quando analisada individualmente, embora, num contexto geral, permaneça fraca, porque “lá atrás” os jogadores precisam se desbaratar para compensar os problemas defensivos (e ofensivos também) gerados “na frente” com a falta de movimentação e de combate. Por melhor que atuem Lúcio, Juan, Zé Roberto e companhia, estarão sempre eles no “fio da navalha”, precisando fazer mil estrepulias – vide os monumentais carrinhos de Zé Roberto – para compensar uma flagrante fragilidade da seleção, evidenciada tão logo nossos dois primeiros adversários precisaram atacar depois que abrimos o marcador.



Outro ponto dissidente entre eu e os integrantes da mesa está na análise da atitude aparentemente pragmática de Parreira em relação aos resultados obtidos até agora. Trajano, Kfouri e Calazans enfatizam e criticam os discursos do técnico quando este enaltece a importância de vencer e marcar pontos em detrimento de tudo, como em 1994. Todavia, diferentemente da mesa, penso que Parreira não está repetindo sua filosofia “um a zero” de 1994 em 2006, mas apenas usando esse discurso para encobrir a ineficácia de não conseguir o que deseja desse time. Apostar no quarteto em si já deixa clara uma estratégia predominantemente ofensiva de velocidade e triangulações em vez de investir num meio-de-campo sólido e menos dinâmico como o de 1994, que marcava bem com seus quatro integrantes e contava com dois volantes pouco ofensivos, embora um deles contribuísse constantemente com passes longos a Bebeto e Romário. O meio-de-campo atual tem apenas um volante fixo e seus dois “meias-atacantes”, apesar de se esforçarem em contribuir defensivamente, são bem menos eficazes nesse quesito do que eram Raí e Zinho (ou Zinho e Mazinho).



Não me desagradaria ver Parreira adotando uma filosofia conservadora como a de 1994, mesmo que isso diminuísse o poder do ataque e o “show” proporcionado, mas meu desespero maior está em vê-lo perdido entre o que diz fazer mas não faz, e o que quer fazer e não consegue. Se Parreira pretende apostar na leveza e virtuosidade ofensiva do time, que tire então Ronaldo e facilite a vida de Adriano, colocando Robinho em campo. Não é minha escalação preferida, mas é inegável o fato dela ao menos fazer este quarteto funcionar devidamente e a equipe jogar mais ou menos como Parreira deseja, arriscando-se além da conta, mas também criando várias oportunidades de gol. Contra uma Argentina, isso pode ser suicídio, contra a Croácia, foi perigoso, mas contra a Austrália, valeria a pena se Robinho começasse atuando. Como diria Paulo Vinícius Coelho, durante a transmissão do jogo, a diferença do time com Robinho em campo é flagrante, embora Parreira permaneça insistindo no “Fenômeno”. Acho impossível que apenas ele não perceba a “ululância” da questão. Mas Robinho pode também ter contribuído com sua permanência no banco ao tomar um cartão amarelo gratuito. Por quê? Porque nosso próximo confronto seria uma oportunidade perfeita para testar o rei das pedaladas por noventa minutos e também o quarteto em sua melhor formação. Pendurado, Robinho talvez fique de fora, pois imagino que Parreira o considere, mesmo na reserva, mais importante do que Ronaldo, que também tem um amarelo, mas deve entrar em campo contra o Japão. Ruim é saber que o primeiro teste do “quadrado mágico” em sua melhor formação desde a final da Copa das Confederações pode ser um batismo de fogo contra Itália ou República Tcheca. Lembremos que este selecionado canarinho só fez dois grandes clássicos com seu quarteto (ou três, se considerarmos a Alemanha da Copa das Confederações), ambos contra a Argentina, e este quadrado falhou feio na primeira oportunidade enquanto funcionou razoavelmente bem na segunda, pelo menos por um tempo e meio, e com o adversário desfalcado de 6 titulares. Com Ronaldo no lugar de Robinho, o quarteto jamais encarou um clássico.
Antes de fechar a resenha de hoje, gostaria de insinuar algo provavelmente inverídico a partir de uma pergunta que até pode valer boas reflexões e futuras observações. Alguém por acaso reparou que os maiores destaques desta seleção em termos de empenho e dedicação advém justamente de jogadores que não eram titulares em 2002?

Texto a ser publicado no blog Fanáticos por Copa

Saturday, June 17, 2006

Reflexões sobre o mundial da Alemanha - parte 5

(O texto abaixo foi redigido em 16 de junho, horas após o jogo Holanda e Costa do Marfim)

Enfim, uma grande copa




Não tenho dúvidas de que este mundial será o melhor tecnicamente desde 1982 e selará um fim a grande parte daquele mar cético de pseudo-analistas que clamam aos quatro ventos a mediocridade do futebol apresentado em copas desde 1986, mesmo quando se referem à de 98, um campeonato de bom nível, em minha opinião.
Sucedida uma semana de jogos, quase todos os grandes fizeram valer o peso da camisa em campo e no placar. A Alemanha começou ofensiva, mas também frágil contra um adversário que permitia esse capricho. Colocou os pés no chão contra a Polônia, expondo menos o setor defensivo sem diminuir demais o volume das subidas ao ataque e sem apelar muito para o chuveirinho, merecendo sua dramática vitória e fazendo jus àquele velho slogan de que “alemães não desistem nunca”.



Os ingleses ainda não brilharam e, apesar de não estarem, pelo menos por enquanto, entre os três mais fortes da competição, demonstraram solidez, garra e preparo para lutar pelo título nos jogos que fizeram. Infelizmente, não pude assistir à magistral goleada espanhola sobre os ucranianos, mas partindo do que vi, li e ouvi a respeito, podemos considerar a “fúria” uma favorita, apesar do velho jargão de que sempre morre na praia. Em 2002, quem a matou não foram os coreanos, mas os juízes.
A chave E também mostrou que suas duas grandes forças estão preparadas para dar exibições consistentes. Itália e República Tcheca devem realizar um dos melhores jogos da primeira fase e prometem problemas monstruosos a seus respectivos adversários do grupo F, caso concretizem uma provável classificação às oitavas. Portugal pode ter começado aquém da capacidade contra Angola, mas ainda tem potencial e possibilidades visíveis de crescimento. A França, por outro lado, até pode ir longe, mas dificilmente apresentará muito mais futebol do que na estréia, algo amarrado, burocrático e sem objetividade como na última Euro, apesar de Henry e Zidane. Talvez Togo os propicie chances para uma boa performance, mas qualquer adversário de prestígio deverá trazê-los de volta a mediocridade, mesmo quando triunfarem.



Já o grupo da morte justificou sua fama. A Argentina começou bem, mesmo sob pressão e já mostrou avassaladores recursos contra Servia e Montenegro. Holanda e Costa do Marfim protagonizaram um dos melhores confrontos da copa até aqui, sendo que os africanos podem, tal qual Camarões em 82, sair aplaudidíssimos, mesmo eliminados na primeira fase, visto que encararam dois gigantes de cabeça erguida e não mereceram perder para os holandeses. Terão chances para uma bela despedida contra os sérvios.
Surpresas boas também vieram do Equador com duas largas vitórias, mas os sul-americanos ainda precisam provar que não encolherão diante dos poderosos. Terão um excelente teste segunda-feira contra a Alemanha, e, caso peguem a Inglaterra nas oitavas, precisarão jogar mais do que vêm jogando para seguir adiante.



O grupo F vem mostrando ao Brasil as conseqüências drásticas das apostas que fez no período de preparação, pois enquanto boa parte dos trinta e dois participantes passaram o ano realizando amistosos significativos para testar suas forças, corrigir erros e afiar qualidades, a CBF preferiu uma política de marketing e preservação física de nossos atletas, evitando situações que pudessem contundi-los ou duelos mais competitivos, temendo uma eventual perda do rumo otimista conquistado na eliminatória e na copa das confederações. Em suma, o que ocorreu com os alemães meses atrás ao perceber sua fragilidade numa derrota de 4 a 0 para a Itália e em vitórias magras contra oponentes pífios, sucede hoje com o Brasil, que escolheu se preparar durante o mundial, baseando-se numa filosofia de “crescer dentro da competição”, apostando na histórica capacidade verde e amarela de superar obstáculos nas piores situações e “encontrar seu futebol”. O que nossos experts da CBF e da comissão técnica esquecem é que copa do mundo não é campeonato de pontos corridos e que um simples tropeço na primeira fase (ou nas oitavas) pode interromper esse crescimento, calcificando uma impressão enganosa de nossa seleção para os próximos quatro anos, simplesmente porque o time não se preparou adequadamente.



2006 será uma copa forte e, ao contrário de 2002, contará com um bom número de seleções tradicionais nas fases decisivas e também duelos memoráveis. Fico sentido em ver que poderíamos (e ainda podemos) exercer um papel importante e digno nessa grande festa, mesmo sem conquistar título, mas a CBF sucumbiu à soberba de apegar-se à imagem vencedora do selecionado, vendê-la a quem quisesse, desperdiçar datas fifa com amistosos desnecessários de cunho político, promocional ou financeiro (vide Brasil e Rússia no inicio do ano a 15 graus abaixo de zero para promover uma marca de cerveja), tornar a amarelinha um grande caça-níqueis que pode culminar com uma participação humilhante dentro do mundial, transformando o slogan “Joga bonito” em piada internacional e até manchando o brilho do penta, visto que seus principais protagonistas (à exceção de Rivaldo) não foram capazes de endossar os méritos do título obtido há quatro anos quando estiveram na copa em que os grandes times realmente foram grandes.
Sinceramente, espero estar enganado e ver a história se repetindo com outra bela virada da seleção, mas isso também faria a CBF cometer os erros de sempre, não?

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