O video acima é uma cena do Seriado Glee, que estreou ainda esse ano e já conta com uma enorme legião de fãs. A série é uma espécie de High School Musical às avessas. Não uma paródia exatamente, embora tenha lá seus momentos cômicos e meio surreais. A série em si difere em muitos pontos das tradicionais séries escolares-adolescentes, e lida de forma ligeiramente distinta com aqueles velhos sistemas hierárquicos juvenis de popularidade que todo espectador brasileiro, bem ou mal, já conhece.
Mas esse post não é sobre a série. É sobre a atriz e dançarina aí da foto, Heather Morris, cujo personagem, uma cheerleader chamada Britanny Woods, funciona como sidekick da antes vilã e atual "nem tanto" Quinn Fabray, e ainda carece de participações mais constantes no programa, visto que faz parte do segundo time, o que seria um pouco mais que elenco de apoio. Mas Morris já chamou atenção do público há muito tempo, e um de seus pontos altos na série foi a participação do vídeo, em que, ao lado de Chris Colfer (Kurt) e Jenna Ushkowitz (Tina), faz uma das dançarinas de Beyonce numa performance de Single Ladies.
O que muitos fãs de Glee não sabem é que a escolha de Morris para o trecho em questão não teve nada de casual. Antes de ser atriz, a loirinha posuda era dançarina e trabalhou para Beyoncé justamente nessa música. Morris gravou várias apresentações ao lado da diva em shows notórios como o Saturday Night Live por exemplo, mas não estava satisfeita com a carreira de dançarina e quis arriscar novos ares. Deixou o staff de bailarinos onde receberia altos cachês numa turné mundial com Beyoncé e arriscou tudo na carreira de atriz. Lembremos que nesse ponto ela não havia assinado com o elenco de Glee e nenhum outro. Apenas pagava um curso de teatro.
O youtube é cheio de apresentações de Single Ladies em que a loirinha dá o ar de sua graça. Um dos melhores vídeos existentes é esse aí de baixo.
E eis que "bombásticas" fotos da musa pop sem o tratamento photoshop aparecem na net. Eram sobras de ensaios fotográficos que não receberam o típico tratamento virtual.
Convenhamos, "bombástico" mesmo é o teor da notícia e, possivelmente, o choque de alguns manés que vêem a vida como realidade vitual. A mulher tem 51 anos, tipo, cedo ou tarde, as pelancas, rugas, etc iam brotar, ora! Madonna não conseguiria ficar jovem para sempre; isso ainda não é possível. Para mim, ela até parece bem conservada nas tais fotos naturais. Se quiser conferí-las, clique aqui.
Escandalosa mesmo é a implacabilidade do show buzziness com suas estrelas no quesito "idade aparente".
Obs: Ah sim, esse blog esteve parado por dois meses, mas agora volta em definitivo. Escrevi, esse fim de semana, uma resenha sobre o filme Avatar. Posto-a na net em breve. Hoje vi que o Jabor tem uma opinião sobre o filme parecida com a minha.
Hoje a noite, o canal GNT da net exibirá um documentário sobre o funk do Rio de janeiro, estilo musical das favelas bastante criticado pela natureza chula, simplória e apelativa das letras.
Há cerca de um mês, o mesmo assunto foi tema de um debate orkutiano num forum de que participo. Entre opiniões favoráveis e depreciativas, comentei sobre um lado da questão que me parece pertinente sempre que me deparo com certas comparações constantemente feitas entre o funk e outros ritmos nascidos das classes menos favorecidas. Segue o comentário.
Lembro-me de uma participação da negra Li na MTV, em que, perguntada por Penélope se ela, como cantora e como mulher negra, se sentia, de alguma forma, representada em manifestações como o funk carioca; Negra Li até admitiu que gostava do ritmo, mas alegou não se identificar com as letras. Noutro programa, João Gordo criticou Mr.Catra, alegando que suas letras não diziam nada, comparando-as às dos Raps dos guetos de SP, que são mais inteligentes.Aliás, é comum fazerem esta comparação entre o funk "burro" das favelas cariocas e o rap "inteligente" dos guetos paulistas. Posso até concordar em parte com algumas dessas colocações, mas acho injusto cobrar do funk, por exemplo, um comprometimento social ou uma intelectualidade na composição das letras. Confesso que não entendo de música então me perdoem se digo alguma asneira, mas a impressão que tenho é a de que o rap é essencialmente letra com ritmo, ou seja, VOCÊ DIZ ALGUMA COISA musicalmente. O Rap é político na própria essência, e o rap de SP me parece ainda bastante ligado às origens do rap essencialmente político e contestador que explodiu nos states ao fim dos anos 80 e início dos 90.
O funk do rio é uma coisa mais dançante. É ritmo com (ou sem) letra, ou seja, a letra está lá para trabalhar para a batida, que é verdadeira essencia da coisa. Pode-se fazer um funk intelectual ou político, como os daquela cantora estrangeira MIA (acho que é esse o nome), por exemplo, mas ele será sempre mais dançante e vibrante do que discursivo, racional ou reinvindicador. Cobrar isso do funk, tendo o rap ou o punk rock como parâmetros, é ignorar certas diferenças fundamentais na própria essência e vontade intrínseca desses estilos.Claro que as letras do funk poderiam ser, digamos assim, menos toscas e repetitivas do que aquelas que conhecemos. Na verdade, há grupos de funk que já se enveredam por outras vertentes (como tb já houve lá nos primordios do estilo). Uma vez ouvi uma letra de funk bem simples, mas muito engraçada, sobre um dia de cão na vida de um sujeito (acho que era isso), e ai pensei: Talvez esse seja um caminho para esse funk moderno sem ter de apelar tanto para a putaria desenfreada e as repetições sem sentido, mantendo a simplicidade e a natureza da coisa. Não sei....
A impressão que tenho é a de que o funk faz uma espécie de política às avessas. Ele não realiza reinvindicações sociais diretas e nem brada por mudanças profundas como faz o rap nacional, como também não procura estabelecer elos mais pacíficos e construtivos com o mundo dos "incluídos" como no caso do samba, do reggae e do pagode. O funk me parece uma espécie de vingança dos excluídos, que hoje nos alimentam, nos chocam e nos contagiam com o fruto do crime que cometemos por décadas. Se os rappers falam de problemas sociais, os funkeiros os mostram nus e crus no próprio fruto de sua "arte". "Gostou não, preiboy! Então toma que o filho é teu!"O funk encarna uma faceta de nossa era que não pertence apenas à favela. Não é a toa que faz tanto sucesso com a classe média, pois uma grande parte dela nada em lagos semelhantes, afinal, a miséria de nossa era não é apenas material ou cultural, é ideológica, espiritual, emocional. O funk, como tantas manifestações de nosso tempo, representa uma espécie de escárnio aos ideais modernistas de progresso. O funk não está preocupado em resolver problemas porque aprendeu a viver dentro deles e hoje enxerga nossas "soluções" como empecilhos. O funk não lida com grandes narrativas coletivas, mas lutas particulares de sobrevivência. Sequer depende da aceitação da classe média, pois sempre teve um grande mercado auto-sustentável em seu terreno de origem, e por isso sobrevive a qualquer modismo, ressurgindo das cinzas sempre. O funkeiro é um sujeito que está cagando para nossa caridade, nossos valores, nossas regras, nossa moral. Aprendeu a viver sem elas.