Tuesday, September 01, 2009

Pitacos da Formula-1

(post escrito ainda na noite de 30/08.)


Minhas pretensões eram postar sobre esse tema segunda-feira passada, mas alguns fatores me levaram a preferir esperar a semana seguinte, então fica o agregado dos GPs da Europa (23/08) e Bélgica (30/08).

Valência - É uma pista ruim, sem pontos de ultrapassagens e sem um traçado empolgante, e entrou no calendário como jogada de marketing, tal qual vários circuitos que, pelo ponto de vista esportivo, representam retrocesso à categoria. Valência é um desses candidatos a cartões postais da F-1, com pista cheia de glamour em volta, Iates, prédios lindos, cenário preparado para grandes tomadas durante a transmissão, materia prima perfeita para os video-clipes do site da FIA. Vi gente comparando essa pista com Detroit e Long Beach, mas acho exagerada a comparação, porque as etapas americanas permitem ultrapassagens. Como ano passado, tivemos uma corrida chatíssima que só valeu pela estratégia dos Pits. No asfalto, nada. E tem mais até o fim do ano. Tem aquela presepagem de corrida noturna onde ninguém passa ninguém e qualquer batidinha é safety-car.

Barrichello - Deixou Button estilingar demais no início do campeonato e agora, mesmo tendo performances melhores que as do Inglês, vê o título como algo possível mas difícil. A vitória em Valência manteve vivas suas chances. Correu bem e aproveitou os pits porque na pista dificilmente passaria Kova ou Hamilton sem KERS e naquele traçado. Ontem teve outra chance de ouro mas, por algum erro dele ou culpa total do equipamento que falhou, não sabemos (e olha que esse problema só rolou com ele na temporada), deixou a oportunidade escapar e, apesar de diminuir a diferença em relação a Button, tem menos corridas para tirar mais pontos e torcer para que Button não pontue.

Schumacher - O fiasco (até agora) de Luca Badoer na Ferrari é quase uma prova de que Schumi, sem poder treinar e retomar o ritmo de corrida, provavelmente seria o mico do ano em seu regresso. Badoer nunca foi um ás da categoria, mas em seus tempos de piloto de teste virava bem mais rápido que o que vem virando. Diz que em Monza estará melhor, porque conhece o traçado e treinava muito lá. Schumi faria um papelão se retornasse e talvez o problema no pescoço tenha sido um álibi para evitar o pior. Fez bem, caso tenha mentido. Não merecia ver sua história manchada com essa volta impensada e desnecessária. Se é para voltar, que volte bem, em forma e no início de um campeonato, como um campeão do porte dele merece.

Red Bull - Parou de ser a número 1 do grid, como a Brawn também, e temos um último terço de temporada equilibradíssimo, com equipes revezando favoritismo a cada corrida, e Ferrari e Mclaren de volta ao topo. Bom para Jenson, que soube aproveitar o momento de supremacia do carro e agora pode andar no pelotão intermediário marcando um pontinho aqui e ali e, ainda assim, manter uma vantagem relativamente confortável. Precisa fazer, pelo menos, uma ou duas boas corridas para jogar um balde de água fria definitivo na concorrência.

Piquet, Renault e Briatore - O assunto da semana é a bomba que Reginaldo Leme jogou no ventilador durante a transmissão. Lembro-me que, depois do GP de Cingapura ano passado, houve muita piada relacionando a saída de Nelsinho à "virada" na corrida que fez Alonso vencê-la, remodelando a história do campeonato, mas pouca desconfiança séria, pelo menos por parte de mídia e público. Leme tem 35 anos como comentarista e uma idoneidade inquestionável. Se deu a informação, é porque sabe de muita coisa e se alguém foi leviano em lançar inverdades mal avaliadas no ar, foi gente antes dele, da qual ele obteve os dados "confiáveis". Minha opinião de leigo: onde tem fumaça, tem fogo. Entre o espanto incrédulo de Galvão e a serenidade de Reginaldo, fico com a segunda. Ele não disse que houve manipulação de resultados, mas que há uma investigação, além de fortes indícios de que algo errado sucedeu. Se for o caso, acho Briatore mais culpado que Nelsinho, porque hoje em dia um jogador ou um piloto em início de carreira é um boneco na mão do treinador, diretor ou empresário. Sem experiência, manha e meios para peitar uma ordem dessas, Nelsinho não teria como comprovar depois porque Briatore o haveria prejudicado no resto do ano. No fim, seria o único a se ferrar, queimando um futuro na categoria. Não digo que é inocente, mas que é menos culpado que Briatore. Em termos de repercussão pública, duvido que mídia e torcedor sejam benevolentes com o pimpolho, caso provada sua culpa. Será uma mancha dificil de apagar. Se foi Nelsão quem gerou a denúncia, deu um tiro no pé do filho. Imagino se ele não teria usado isso para chantagear Briatore quando soube que "junior" sairia do time, e Flavio pagou para ver, duvidando que Nelsão realmente expusesse o filho para concretizar sua vingança. Bom.. são divagações de torcedor. Concreta mesmo, só a informação de Reginaldo.

Atualização da notícia: Ontem, a FIA confirmou que há uma investigação na equipe Renault sobre a suposta falcatrua em Cingapura, confirmando o furo mundial de Reginaldo Leme.


Thursday, August 20, 2009

Geração GI JOE



Se você foi garoto nos anos 80, antes dos videogames e da realidade virtual se sofisticarem a ponto de poder substituir o papel de um brinquedo no imaginário criativo de uma criança ou pré-adolescente (afinal de contas, muitos hoje preferem "simular" futebol em um Pró-evolution Soccer do que em um jogo de botão ou brincar de piloto em um F1 GP 4 a uma pista de autorama), existe uma grande possibilidade de já ter brincado de Comandos em Ação e acompanhado o desenho meia-boca que servia de sustentação publicitária aos bonecos.

Não, não vou gastar parágrafos explicando o que eram esses comandos em ação, que começaram com 30 cm de altura (quando eram chamados Falcon por aqui), e depois ficaram pequenininhos em função da crise do petróleo, ganhando o novo nome. Nos states, foram sempre os "soldados João", ou GI JOE. Mesmo a galera mais nova deve saber do que se trata e, se não, a Wikipedia está aí para isso.



Bom... para mim e muitos moleques da época, os Comandos eram uma brincadeira deliciosa, uma lavagem cerebral belicista muito bem elaborada que pegava a garotada de jeito. Tá certo que muitos de nós já praticavam guerra com armas de plástico, aviões revel e até com os aparentemente pacíficos playmobils, que também disparavam seus rifles, revólveres e canhões. Mas eles não eram páreos para a especificidade, as articulações, o realismo de detalhes e a versatilidade bélica dos GI JOEs. Quando o négócio era guerra moderna, não tinha para nenhum outro boneco.

Hoje, essa galera tem mais de trinta, e há também os mais novos que pegaram os JOEs dos anos noventa, com bem mais personagens, equipamentos e veículos disponíveis. Antes, quem não tinha amigo que ia para os states e não podia importar boneco, improvisava para ter seus Destros, Dukes e Comandante Cobras. Eu mesmo pintei uma Scarlet para virar Baronesa. Vintões, trintões e até quarentões da era Falcon lembram com saudade dos pequenos filmes de guerras que faziam em seus lares, dos mil e um desfechos possíveis para qualquer história, e hoje falam com amor e orgulho dos bonecos que guardaram, venderam, deram ou jogaram na lata do lixo.



Tais personagens ainda existem, os bonequinhos evoluíram para formas mais delgadas e Hasbro e Marvel não pararam de explorar seu filão, que teve novas séries na TV e nos quadrinhos, além de reunir uma convenção anual de aficionados e gerar um filme, sim, um filme, como muitos de nós queríamos há tanto tempo, aliás, talvez não exatamente como muitos de nós queríamos. Décadas passaram, e o cinema high tech videogame se apropriou de nossos queridos personagens, para a tristeza de muitos e alegria de alguns.



Não vi esse filme ainda, e pressinto que detestarei, mas a quem odiou ou odiará o longa-metragem (e a quem gostou), uma notícia agradável. Ano passado, o Adult Swin do Cartoon Network lançou uma pequena série de websódios chamada GI JOE Resolute, talvez uma tentativa de reativar os personagens como feito em He-Man, que teve uma série nova no canal. Infelizmente, esses novos JOEs só conseguiram a websérie, que não chega a ser uma Brastemp também, mas é divertida e conta com armas de fogo de verdade em vez de Lasers, morte de personagens conhecidos e nada de gritinhos "Yo JOE" e "Cobra" (ui!) antes das batalhas. Tivesse seguido como série televisiva, angariaria aprovação de muitos fãs da linha antiga e do desenho antigo, e também gente nova. Para quem ainda não viu, vale a pena conferir os 11 websódios no youtube (assista ao primeiro aqui). Não é a oitava maravilha do mundo, mas vale a pena para quem é ou foi fã dos personagens.



Há também um clipe divertido feito pelo pessoal do Funny or Die, com a presença de atores conhecidos, como Vinnie Jones e Julianne Moore, a Balada GI JOE, que mostra como alguns daqueles famosos personagens seguem com a vida após tantos anos dedicado à combater a organização Cobra.



E além de clipes e afins, a net oferece sites dedicados à série, com
guias dos personagens e dos bonecos e veículos lançado em cada ano desde 82, quando os JOEs ficaram pequenininhos e mais versáteis, até os dias atuais.

Uma curiosidade: Os GI JOEs brancos vendidos nos EUA tinham um tom de pele nitidamente mais claro do que os que eram vendidos aqui. Eu nunca tinha notado isso até ganhar um boneco americano, o Ace, e perceber que ele tinha a pele bem branca e que todos os JOEs americanos brancos eram assim. Os comandos daqui eram mais bronzeados.



Thursday, July 23, 2009

Cenas que você perdeu - A vida de Brian


Neste episódio de Cenas que vocês perdeu, mostraremos três achados do youtube relacionados a uma das grandes comédias de todos os tempos: o segundo filme de Monty Python, A vida de Brian. Trechos cortados da edição final que poderiam dar uma cara diferente ao filme, caso tivessem sido incluídos.

Cena 1 - Esquadrão suicida de judeus nazistas

O esquadrão suicida do "Jewish People´s Front", que aparece quase no fim do longa enquanto Brian está na cruz, tinha um perfil diferente na versão editada, aparecendo ainda antes, à procura do "líder". Este "bem treinado" pelotão é comandado por Otto, um judeu que lembra Adolf Hitler nos trejeitos e ideais de um judaísmo "puro" livre de ciganos e outras "raças inferiores". Ele usa um elmo que é na verdade um capacete alemão da primeira guerra com o formato cumbuca e a seta apontada para cima, além de um símbolo que mistura a suástica com a estrela de David. Confira a cena na íntegra e seu desfecho hilário.



Cena 2 - O sinal

Brian está a caminho da crucificação e Judith envia o sinal que o esquadrão suicida de Otto tanto esperava na cena anterior.



Cena 3 - Os "outros" três reis magos

Três pastores se sentam diante de um rebanho e confabulam sobre como adoram ovelhas (confesso que não entendi boa parte desse diálogo, pelo menos até o ponto em que falam de gatos). Nisso, ouvem um barulho e, imaginando tratar-se de um lobo, atiram uma pedra em direção ao som, acertando alguém que está prestes informar sobre um certo evento, de grande importância. Só de sacanagem, esse alguém decide não mais contar, indo atrás de outros pastores.



Cena 4 - Barraca de souvenires

Judith está atrás de Brian para tentar salvá-lo da crucificação e é interrompida por um camelô que lhe oferece souvenires um tanto inoportunos.

Sunday, July 12, 2009

Barrichello - desapontado e sozinho



Rubens Barrichello: outra vez prejudicado pela irregularidade e uma combinação de fatores negativos, desde a presença de Felipe Massa a sua frente, tirando-lhe um segundo e meio por volta em cinco voltas, até o erro com a mangueira nos boxes, que lhe usurpou a chance de um pódio e de um pequeno triunfo moral sobre Jenson Button, apesar das parcas chances reais de brigar pelo título.

Como de costume, o brasileiro reclamou, e, como de costume, foi criticado pela mídia por isso, como se suas palavras fossem meras desculpas para ocultar a própria incompetência. Que Button vem sendo mais rápido e constante que Barrica ao longo da temporada e merecedor da liderança no campeonato, acho que nem o próprio Rubens duvida. A pinimba está em pequenos detalhes de algumas poucas corridas em que Barrichello conseguiu ser melhor que Button e, por uma "combinação de fatores", acabou perdendo a disputa particular com o companheiro de equipe.



Erros de time acontecem. Na Ferrari então, nem se fala. Só que lá se erra para os dois lados. Na Brawn, os tropeços vem muito mais para o brasileiro enquanto o inglês parece contar com uma maravilhosa "combinação de fatores positiva" em corridas onde tudo poderia dar errado e dá certo, o que estende para além do mérito direto a margem de trunfos sobre o companheiro. Na Espanha, houve a tal mudança de estratégia, até agora mal explicada pela equipe, favorecendo Jenson. Em outras provas, erros na escolha de pneus e agora o problema da mangueira. As duas disfunções mecânicas de largada também vieram para o lado de Rubinho e, se isso não me leva a desconfiar de sabotagem, pelo menos me faz pensar numa diferença de tratamento no time, de um "amor pelo trabalho" maior de um lado do que de outro, como já ocorreu em outras épocas, vide McLaren em 2007 e 89 (em favor de Hamilton e Senna), e Williams em 86 e 87 (em favor de Mansell sobre Piquet). São detalhes que podem soar irrelevantes, mas que minam a força de vontade do piloto prejudicado para a corrida seguinte, uma vez que ele percebe que nem quando está melhor que o companheiro, as coisas andam a seu favor. Com o tempo, há o enfraquecimento da esperança, do ímpeto, do tesão competitivo e o espírito de luta cede ao desânimo. Se antes havia uma sensível diferença de capacidade entre um piloto e outro, passa a haver dominância completa de uma parte, como quando Senna passou a vencer Prost sempre e não maioria dos embates, como anteriormente. A força mental do elo mais fraco é quebrada, ele abaixa a cabeça e ambos passam a despender menos energia contra o colega, sossegando em suas condições de primeiro e segundo piloto, para o bem da equipe, que pode apontar todos os esforços contra as outras escuderias.



Ross Brawn se surpreendeu com o desempenho de Button esse ano e admitiu não imaginar até então que o inglês era tão bom. A rápida ascensão de Button no campeonato sobre o companheiro pode ter gerado um senso de preferência para a disputa do título e também de confiança frente à conhecida irregularidade de Rubens.

Outra ascensão, a da RBR, que dá sinais de ser a grande equipe do ano na segunda metade do campeonato, enquanto a Brawn talvez mal consiga se manter como segunda força, faz Ross repensar os esquemas de como obter seu título. Se, de fato, a RBR for bem melhor daqui ao fim da temporada, não haverá mais espaço para dois aspirantes ao caneco, até porque 2009 talvez seja a única chance da Brawn ser um dia campeã do mundo. Para o ano que vem, haverá uma preocupação maior dos outros times com o desenvolvimento dos "marca-texto com rodas" e decerto nenhuma surpresa oriunda de brechas do regulamento como o difusor duplo. Em suma, há grandes possibilidades da Brawn ser uma equipe do segundo escalão em 2010.

Com isso, qualquer possibilidade de favorecimento a Button será bem-vinda a Ross Brawn, para desespero de Rubens, agora mais sozinho do que nunca em sua luta pelo tão sonhado título.

Tem razão em reclamar algumas vezes (como hoje), em outras não. Para Ross, isso é irrelevante, já que ele não pretende colocar em risco o caneco inédito em nome do drama individual de um piloto às portas da aposentadoria. O time está para o time; nesse caso, Button. E Rubens ruminará sozinho outra vez.


Sunday, July 05, 2009

Copa das Confederações - Parte IV



Pode-se dizer que a derrota norte-americana para o Brasil de domingo passado pela Copa das Confederações foi a primeira experiência real dos Estados Unidos com sua seleção de futebol masculino, o primeiro trauma, o primeiro momento em que este país, seus cidadãos comuns, muitos deles pouco interessados ou relacionados com o "soccer", acompanhou a seleção nacional, torceu, desejou ver a nação de John Wayne triunfando no futebol como representante legítimo da auto-estima do país. Vibrou com o "dois a zero" um pouquinho como nosso Brasil na copa de 50 ao se ver pela primeira vez alçado à condição de grande força desse esporte, e lamentou em proporções reduzidas como nós lamentamos ao perder a final do torneio de virada. Não houve mais aquela honra de time pequeno pela respeito conquistado, o "estamos contentes por chegar até aqui". O espírito americano de "não podemos perder" enfim se encontrou com a seleção, e eles quiseram ser os Estados Unidos também no esporte mais popular da terra, mesmo que por um instante. Fãs de longa data do "soccer" no país pararam de torcer para seus times estrangeiros favoritos. Spike Lee parou de torcer pelo Brasil. Quem até então cagava e andava para o time de Donovan e companhia, no mínimo, soube do que acontecia na África do Sul como saberia de uma decisão da NBA, NFL ou Major League Baseball. Até então não havia isso. Talvez houvesse se ganhassem do Brasil em 94 ou da Alemanha em 2002, mas os Estados Unidos só aceitam torcer para seu time de futebol quando ele estiver entre os grandes para então ser chamado de "Estados Unidos". O triunfo sobre a Espanha trouxe esse espírito, que seria, pelo menos na mente ianque, consolidado com uma vitória sobre o Brasil, e David Letterman, Oprah Winfrey e tantos apresentadores, atores, cantores e personagens de seriado que conhecemos há gerações falariam mais de copa do mundo, de seleções de futebol e do Brasil de chuteiras, que parece não existir no planeta dessas celebridades. Sim, tirariam uma baita onda, como quis Aschton Kutcher no Twitter enquanto perdíamos de dois a zero. Seria a nova vitória no Hockey contra a Rússia em 80.

Perderam, para nosso alívio. Mesmo assim, o americano comum sentiu enfim o gostinho de uma "World Cup experience" e aquele desejo genuíno de vencer, de mostrar que seu país "pode", de reverter um trauma de batismo, e se essa coisa seguir como ocorreu aqui em 50, veremos o "gigante americano" se esforçar como jamais fez para integrar o mundo e a história do futebol internacional, como já faz no feminino.