Thursday, August 14, 2008

Fato ou mito? - A bolada assassina


Inicia-se hoje, uma nova série neste blog. "Fato ou mito?" terá como objetivo apurar lendas antigas e modernas que, por repetição ou por tradição, viram verdades no palavrório público, ainda que boa parte de seus sustentadores sequer tenha noção se são, da fato, legítimas.

Um desses mitos permeia a história futebolística e fala de algo ocorrido na primeira fase da Copa do Mundo de 1990. Quem tem mais de 25 anos talvez se lembre de um lance em que o lateral Branco, da seleção brasileira, e cujo chute ganharia a alcunha de "Bomba Santa" no mundial seguinte, acerta uma bolada na cabeça de um jogador escocês durante uma cobrança de falta. O jogador desmaia, é atendido em campo, volta a jogar, desmaia outra vez e é levado a um hospital local.

Diz a lenda que, dias depois, este escocês viria a falecer por causa do incidente. Fato ou mito?

O atleta chamava-se Murdo McLeod, e o chute que recebeu teve realmente conseqüências sérias, tanto que boa parte de suas lembranças sobre a copa de 90 foram apagadas de sua consciência. A morte dele, contudo, é só um mito. McLeod continua vivo e muito bem, escrevendo para o jornal Daily Record e comentando para a BBC de seu país. A exceção das lembranças perdidas do mundial, o "chute assassino" nada mais lhe acarretou senão piadas e lendas. Hoje, McLeod menciona o episódio sempre que seu comprometimento com o futebol escocês é colocado em cheque.


Tuesday, August 05, 2008

Fama com cara de mico - Parte II



Quarenta anos atrás, Andy Warhol profetizou que um dia cada cidadão teria direito a 15 minutos de fama. A internet e, mais precisamente, o youtube, fizeram isso ocorrer. Hoje, qualquer um pode virar celebridade instantânea na rede, para o bem ou para o mal. Qualquer fato corriqueiro e esquecível em qualquer canto do mundo pode alçar imortalidade pela lente de um celular, erigindo ou demolindo reputações em segundos.

Escrevi sobre o assunto em fevereiro neste mesmo blog e quero retomá-lo. O video abaixo foi postado no youtube e divulgado através do blog Kibeloco, o mais popular da internet nacional. Seus protagonistas não foram os responsáveis diretos pela filmagem e provavelmente não a postaram, mas "pagarão" por sua difusão, independentemente de quem a tenha feito e do que ocorra a seguir. Anonimato e privacidade não são mais direitos do cidadão, porém privilégio de quem for sortudo ou "sagaz" para não ser flagrado em momentos de fraqueza e culpado por isso. Nós, da arquibancada de uma arena, vibramos com a morte "justa" de conterrâneos. Agradecemos aos céus por ainda termos o bilhete; pela sorte de estar aqui e não lá, ao menos até agora. Podemos não ser gladiadores bajulados, mas também não somos vítimas de leões. A eles, a roleta da fama deliberada ou casual, boa ou ruim. A nós, o conforto da multidão sempre "certa".

Abaixo, o video divulgado no site Kibeloco.

Wednesday, July 30, 2008

Turma da Mônica adolescente



Pois é, de vez em quando os personagens dos quadrinhos crescem ou envelhecem. Após quase 40 anos de meninice, a turma da Mônica enfim chegou à puberdade. Maurício de Souza e a Panini Comics lançarão uma nova linha de histórias onde os personagens de maior sucesso do quadrinho infanto-juvenil brasileiro deixarão de ser crianças para encarar conflitos típicos da fase "teen". Mônica perderá o visual de baixinha e gorducha, ficará gostosa, mas continuará dentuça. Magali terá a fome de sempre, mas suas novas preocupações com o visual a colocarão na paranóia do controle alimentar. Mal consigo imaginá-la de dieta. Cascão, acredite, tomará banho de vez em quando, usará brinco e será adepto de esportes radicais enquanto Cebolinha não mais trocará os Rs pelos Ls, exceto em momentos de estresse, pois contou com a ajuda de uma fonoaudióloga. Seus planos de mandar na rua darão lugar a projetos de influência mais globalizada. A HQ seguirá um estilo semi-mangá e tocará em assuntos como namoro, sexo e drogas. Outras figuras já conhecidas também aparecerão como adolescentes ou adultos.

É engraçada essa coisa de personagens de desenho e quadrinhos que não envelhecem nunca, mas comumente trazem em suas concepções as marcas registradas do período em que foram concebidos, ainda que procurem se conectar aos novos tempos. Faz quase dez anos que não leio histórias da turminha, mas até então aquela galera da Tina e do Rolo ainda tinha a cara da juventude 70 e 80. No caso dos super-heróis, a coisa fica mais estranha quando se estabelece uma linha cronológica dentro da saga do personagem onde este foi jovem nos anos 60 e vira um "trintão" nos 90. Bart e Lisa Simpson também são crianças há quase vinte anos. A idéia de uma turma da Mônica adolescente já circula na mente dos fãs há "séculos" e ocorreria cedo ou tarde, embora, admitamos, represente um passo arriscado que às vezes me faz lembrar daquele cachorrinho politicamente-correto que entrou no desenho do comichão e coçadinha e logo foi rejeitado pelo público. Alguém lembra dele?



Em 2001, quando elaborava roteiros para um programa satírico de rádio na faculdade, também pensei na idéia da turma da Mônica adolescente. Felizmente, essa aspiração jamais saiu do papel, mas caso o projeto de Maurício com a Panini fracasse, e ele precise de um plano B, uma proposta, digamos, mais ousada, temos um pré-roteiro no forno.

Para baixá-lo, clique aqui



Sunday, July 13, 2008

Sobre feios e bonitos

Outro dia estava eu a assistir um programa na TV a cabo e vêm aquelas entrevistas com o povo na rua. Pergunta simples. "Você se acha bonito?" Os mais feios diziam sempre que sim, pois achar-se bonito é uma questão de auto-estima, ou seja, se o sujeito não se acha, aí mesmo é que ninguém vai achá-lo. Os mais bonitos partiam para uma postura diferente, do tipo "Eu me acho normal", "tem dias que sim, tem dias que não" ou simplemente apontavam uma parte de si que não apreciam tanto. O entrevistador indaga então: "Se você pudesse mudar uma parte de seu corpo, o que mudaria". Os mais feios, mesmo alegando estarem satisfeitos com o que Deus lhes deu, diziam que, se pudessem, dariam uma mexidinha aqui ou ali. Os mais bonitos são categóricos. Não mudariam nada. Nem aqueles que apontaram defeitos próprios mudariam.

Em suma, diante da primeira pergunta, os feios responderam "Não sou complexado não, hein?" enquanto os bonitos diziam: "Não sou metido não!". Ou seja, achavam-se sim, bonitos, enquanto os feios, feios.

Pois é.


Saturday, June 14, 2008

Números amargos



Às vesperas de Brasil X Paraguai, penso na estranha dificuldade que nossos atletas encontram sempre que jogam em solo adversário. Se, até hoje, jamais perdemos uma partida de eliminatória dentro de casa, pode-se dizer que, jogando fora, compensamos esta eficiência com um retrospecto "para lá" de medíocre.

Juntemos todas as partidas da seleção disputadas em solo adversário valendo vaga para as copas de 90, 94, 2002, 2006 e 2010 (não jogamos o torneio classificatório para 98). Desconsideremos apenas os confrontos contra o tradicional saco de pancadas do continente, hoje promovido à time levemente competitivo, a Venezuela. Teremos a seguinte situação:


Eliminatórias para a copa de 1990: 1 jogo disputado (contra o Chile), nenhuma vitória.


Eliminatórias para a copa de 1994: 3 jogos disputados (contra Uruguai, Bolívia, Equador), nenhuma vitória.

Eliminatórias para a copa de 2002: 8 jogos disputados (contra Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia) uma vitória (contra o Peru).

Eliminatórias para a copa de 2006: 8 jogos disputados (contra Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia), uma vitória (contra a Colômbia).

Eliminatórias para a copa de 2010 até o momento: 2 jogos disputados (contra Colômbia e Peru), nenhuma vitória.

Saldo final: Em 22 jogos de eliminatória disputados fora de casa contra adversários competitivos que não a Venezuela, o Brasil só ganhou DOIS.




Tuesday, June 10, 2008

Faroeste estudantil



Acuados ante a crecente onda de assassinatos em massa nas escolas e faculdades, estadunidenses cogitam a possibilidade de estudantes poderem andar armados em tais instituições. O estado de Utah já aprovou a idéia. Aos poucos, o povo yankee vai encontrando brechas para resgatar, no plano prático, seu mais sórdido desejo ancestral. A volta da terra de Marlboro. É cada um por si, e quanto mais cedo aprender, melhor. Saiba mais lendo esta matéria aqui.

E para quem ainda pensa que atirar é como jogar Counter-Strike...




Sim, eu sei... a resenha do Indiana Jones vai chegar. Não se preocupe!


Thursday, May 29, 2008

Críticos, críticas e criticados - Parte II



"Indiana Jones and the Kingdom of the Cristal Skull" parece seguir um pouco a lógica de "Speed Racer" em relação às recepções de crítica e público, ou seja, gente endeusando e rebaixando. Pablo Villaça odiou o filme. Rubem Ewald Filho e o bonequinho do globo adoraram. Uma pesquisa de público elaborada em cinemas americanos mostrou resultados similares: satisfação e decepção, confirmando a teoria do comentário de 10 de maio.

Meu papo sobre este novo Indiana ficará para a próxima postagem. O foco, porém, permanece em Cannes, onde Fernando Meirelles recebeu algumas críticas duras por seu filme "Blindness", baseado no livro de José Saramago. O escritor também pôde conferir a adaptação em Portugal, na companhia de Fernando, e concedeu um aval mais favorável. Tocante, aliás. Não é comum ver um autor do calibre dele aprovando uma adaptação cinematográfica de sua obra como neste caso. Seria ela uma crítica definitiva?

Acompanhe o momento em que Saramago termina de assistir "Blindness".



Visto isso, tudo parece meio resolvido na opinião do internauta. Saramago, que não é qualquer "zé roela", mas o escritor vivo de língua portuguesa mais respeitado do mundo (cuja obra em questão recebe igual reverência na cabeça de críticos como os que detrataram Blindness), aprovar o filme soa como uma certificado definitivo de que a adaptação é boa e faz jus a seu livro, independente do que digam terceiros, certo? Pode ser. A palavra do mestre tem peso, mas lembremos de casos em que autores ficaram felizes com filmes flagrantemente ruins tirados de suas obras, ou da implicância de Stephen King com "O Iluminado" de Kubrick e a satisfação deste escritor com a versão seguinte de 1997, que ajudou a produzir. Para críticos e cinéfilos em geral, o filme de Stanley ganha fácil de seu irmão póstumo.

Tais situações geralmente ocorrem quando há interferência direta do escritor sobre a adaptação, o que não foi o caso de Saramago em Blindness, ou seja, mais um pontinho para Fernando.

O texto a seguir foi tirado do blog de Luiz Carlos Mertem e relata o mesmo instante mostrado no vídeo, mas com uma parte da conversa entre Meirelles e Saramago que não havia sido filmada.

"CANNES - Havia pedido a Fernando Meirelles que me desse notícias sobre a exibição de 'Blindness' (Ensaio sobre a Cegueira) para o escritor José Saramago, autor do livro, sábado em Lisboa. Abri há pouco meus e-mails e encontrei o relato do Fernando sobre o que ocorreu. Ele me disse que na internet já vazou como foi a sessão, mas acho que Fernando, generoso como sempre, não vai ficar brabo comigo - perdoem-me o gauchês - se eu repassar para vocês uma partezinha do seu e-mail. Retirei tudo o que havia de mais pessoal, como comentários que ele me faz, e me centro no fato, tal como o viveu. Vamos lá:
`O resumo da história é que apesar de ter feito uma projeção muito escura e com um som ruim, ao acabar a sessão o Saramago estava muito emocionado e nós dois ficamos nos esforçando para não chorarmos juntos. Ele enxugou uma lágrima e eu num impulso beijei-lhe a testa. Foi muito emocionante. Com a voz embargada ele me disse que ao acabar de assistir ao filme se sentia tão feliz quanto no dia em que terminou de escrever Ensaio Sobre a Cegueira. Não precisava ouvir
mais nada mas perguntei sua opinião sobre alguns cortes que eu quero fazer na locução. Ele me pediu para não mexer em nada. Disse que o filme está muito preciso, nada falta e não existem excessos ou pompa. Ele gostou da economia do filme, especialmente na cena final. Simples, sem tentar criar momentos espetaculares ou recursos para acentuar a
emoção.'
Depois de vários dias sob pressão aqui em Cannes, com críticas divergentes e até contraditórias, acho que agora o Fernando relaxou. Bom para ele."




Coming next: Uma resenha sobre o filme Indiana Jones and the Kingdom of the Cristal Skull. Aguarde.