Sunday, May 03, 2009

Pérolas do youtube: Duelo de gênios

Essa eu catei do blog do Flavio Gomes. Momento histórico da Formula-1. Três gênios, dois consolidados e um em início de carreira, em duelo direto pela liderança do Grande Prêmio da África do Sul de 1993. Alain Prost, Ayrton Senna e Michael Schumacher. Prost com o melhor equipamento, Senna, no auge de seu refinamento como piloto e Schumi já mostrando que deixaria seu nome na categoria. Saudades de ver os mestres em ação.

Friday, April 24, 2009

Estranhas teorias de Quentin Tarantino - Parte 2



Já postei sobre esse assunto aqui no blog, destacando três trechos de filmes roteirizados pelo diretor, onde ele escancara teorias sobre Madonna, Top Gun e o Super Homem. Achei no youtube um curta-metragem escrito e dirigido por desconhecidos (pseudônimo 300 ml) e protagonizado por Selton Mello e Seu Jorge, que interpretam dois personagens numa mesa de restaurante. Um deles (Melo) tece teorias sobre os filmes de Quentin, interligando personagens de diferentes produções de modo bastante interessante, algo como um "código Tarantino" escondido em suas obras. Concordo com algumas partes e discordo de outras, como o lance do conteúdo da maleta, já que o personagem de Tim Roth em Pulp Fiction o reconhece como algo familiar. Lembremos que esse personagem não estava em Cães de Aluguel (o ator sim, mas como um policial). Minha opinião sobre o conteúdo da maleta foi motivo de um post em meu antigo blog até. Também discordo das teorias sobre Mia Wallace e a Noiva, mas o lance dos irmãos Vega tem tudo a ver.

Bom... asssista ao curta e tira suas conclusões.

Saturday, April 11, 2009

Quando um é deixado para trás



Tenho um colega de orkut que mora no Texas, Estados Unidos, e serviu na guerra do Vietnã. Quando indagado sobre a veracidade ou o "realismo" de filmes que abordam o conflito, esse colega responde com desdém, principalmente em se tratando de sucessos como Apocaplipse Now, Full Metal Jacket ou Platoon. No entanto, uma característica comum em filmes focados nos fuzileiros americanos, segundo ele, é real. A filosofia do "No one is left behind". Os fuzileiros (não o exército) dos Estados Unidos são adestrados a não deixar, sob qualquer hipótese, seus colegas mortos e feridos para trás, ainda que novas baixas ocorram em função disso. Não sei até onde, na prática, a coisa é aplicada caso a caso, mas meu colega veterano disse que ela existe, e que, ao contrário do que muitos crêem ou insinuam - como Stanley Kubrick, em seu Full Metal Jacket, no trecho em que um terço de um pelotão morre em função de um único ferido - , é uma prerrogativa inteligente, ainda que custe caro. O benefício dela é o moral da tropa e a confiança e entrega mútua entre seus integrantes, algo valioso no campo de batalha. Chegamos a debater esse assunto e sempre tive dúvidas sobre até onde meu colega poderia ou não ter razão. Em Black Hawk Down, por exemplo, uma operação inteira foi prejudicada em função de um único soldado (o filme é baseado em fatos reais, mas não sei se é nesse ponto em particular). Valeria a pena tamanho sacrifício?



Admito continuar no limbo, mas após assistir ontem ao longa-metragem Valsa em Bashir, pude entender melhor o outro lado da questão. Há um trecho em que uma coluna de tanques é atacada e dois dos veículos pegam fogo, obrigando seus ocupantes a fugir a pé, expondo-se à morte certa. O resto da coluna, percebendo o tamanho do problema, bate em retirada sem hesitar, mas um dos fugitivos sobrevive e acha um jeito de reencontrar sua antiga companhia. O clima entre ele e os colegas recém-encontrados é péssimo, como também sua sensação de culpa por não ter feito "o máximo que podia" em prol dos que ficaram para trás. Ampliemos isso a todas as companhias ou a todos os regimentos, desde o início de uma campanha, cada soldado sabendo que, ao primeiro sinal de perrengue, pode ser abandonado e deixado ao inimigo. O medo e a sensação de isolamento crescem, a entrega, o moral e o auto-controle diminuem, e isso num contexto em que tudo conspira à desunião e à neutralização do senso de grupo necessário à funcionalidade do mecanismo militar.

Aliás, Valsa Com Bashir é um ótimo filme justamente por isso, não por esse trecho em particular (há outro em que um soldado morre tentando salvar o colega ferido) mas pela mensagem que desenvolve sobre a falta de sentido, preparo, percepção global e meritocracia inerentes a uma guerra, coisa pouco explorada em filmes do gênero, mesmo os mais críticos ou "realistas".


Tuesday, April 07, 2009

Machete, a mentira que virou verdade



Diria Joseph Goebbels que uma mentira dita mil vezes se torna verdade. Não sei se a máxima do ministro nazista da propaganda se aplicaria ao caso desse post em todos os sentidos, mas isso não importa. Há dois anos, Quentin Tarantino e Robert Rodrigues se uniram para fazer uma obra inspirada em sessões de cinema típicas dos anos 70 e 80 com filmes baratos, muita mulher boa, violência e nenhuma censura. Chamavam-se Grindhouse, essas sessões, e a obra dos dois simula o que seria uma sessão específica com dois filmes para lá de picantes. Entre um e o outro filme, há uma seqüência de quatro falsos trailers daquilo que seriam os longas da próximas sessões. Horror, suspense, ficção científica gore e thriller de vingança ao velho estilo Bronson. O primeiro trailer "fake" é do próprio Robert Rodrigues, que trabalha em cima de uma idéia pensada quando ele rodou Desperado, mas depois arquivada, rearranjada sob forma de falso trailer e, graças a pedidos dos fãs, o personagem Machete, de Danny Trejo, deixará de ser uma "viagem" para povoar os cinemas como um longa-metragem real. O que era mentira virou verdade pelicular. Teremos em breve uma versão Chicana de Charles Bronson e Jean Claude Van Damme nas salas escuras e, se a coisa for tão boa quanto o trailer faz supor, talvez abra um rentável franquia.

Acompanhe, logo abaixo, o "falso e agora real" trailer de Machete, e, em seguida, as outras três obras primas da imaginação dos arquitetos do gore presentes em Grindhouse.





Para ver trailers reais de sessões Grindhouse da época, clique aqui e aqui.


Monday, March 30, 2009

Pitacos de domingo (1) - Futebol



1 - Julio Cesar

Há algumas semanas, escrevi um post especificamente sobre o goleiro
Julio Cesar, mas a preguiça e outros fatores me impediram de terminá-lo. Basicamente, eu dizia o seguinte: Na história do futebol, o Brasil já foi tudo, já teve melhor time, melhor jogador, melhor atacante, maior goleador do mundo, da copa, de todos os tempos, mas nunca melhor goleiro. Aliás, só de dez anos para cá nossa seleção passou a ser respeitada nessa posição. Nossa escola de goleiros hoje permite que tenhamos arqueiros de nível internacional tanto entre titulares quanto reservas, e agora, enfim, a coroação desse esforço. Julio Cesar é hoje tão bom que até lembra os grandes momentos do lendário Michel Preud´Homme. Faz o estilo do goleiro milagreiro, de saltos espetaculares e defesas "impossíveis", o extremo oposto da escola Taffarel, de boa colocação e defesas "seguras". Se até ontem havia dúvidas, agora a imprensa já começa a admitir o que muitos já enxergavam como inevitável. Julio Cesar é ou vai ser muito em breve, e indiscutivelmente, o melhor goleiro do mundo. Melhor que Casillas, Buffon, Peter Czec ou Van Der Sar - boa parte destes, já em descendente. Julio Cesar vem em ascenção e sua grande fase pode ser coroada na próxima copa do mundo, caso estejamos lá.



2 - Brasil 1 X 1 Equador

Quanto à seleção, me parece óbvio que Dunga não preparou o time para a cara do jogo, e esqueceu, como tantos outros treinadores esquecem, que cada partida tem um perfil. Repetiu a escalação da vitória contra a Itália contra um adversário que, todos sabiam, tinha como forte o jogo pelas pontas, os cruzamentos e a altitude. Nossa seleção quis jogar mais encolhida e esperar os contra-ataques, mas não tinha sido armada para fazer esse jogo, nem para garantir a posse de bola nos chutões de Julio Cesar, nem para evitar os rebotes, naturais em partidas sob pressão. E se altitude sempre foi problema para o Brasil, se todos sabiam disso, porque não se prepararam para "segurar a avalanche" e aproveitar os contra-ataques, marcando do meio para trás? Pior, se o adversário se destacava pelas pontas, porque deixar seus melhores valores nas mãos de gente como Marcelo e Daniel Alves, ótimos no ataque e patéticos na defesa? Nossa escola de laterais precisa aprender a defender também. Lateral não é ponta. Se almejamos manter o estilo laterais-alas pós-94, precisamos de jogadores capazes de executar essa função ou de esquemas que não façam a defesa depender tanto da atitude individual deles. A cobertura de Josué, aliás, foi igualmente ridícula. Dando bote errado, chegando atrasado sempre, fazendo falta e tomando "come" toda vida.



Ninguém está falando muito a respeito ainda, mas nossa situação nas eliminatórias já é alarmante, quase tão complicada quanto em 2001. Temos, pela primeira vez, empatado jogos fáceis em casa e contando demais com os tropeços adversários. A partida contra o Peru é obrigação de vitória. Depois, será Uruguai em Montevidéu, Paraguai aqui e Argentina - muito melhor com Maradona e Billardo - em Buenos Aires. A máxima de que, bem ou mal, o Brasil sempre se classifica para a copa será colocada em cheque de novo.


Tuesday, March 17, 2009

Piraram na batatinha da Formula-1



Acaba de sair hoje uma das decisões mais estranhas e controversas da história da Formula-1. A partir de agora, a pontuação só servirá ao campeonato de pilotos como critério de desempate e como definidor de segundos, terceiros e quarto colocados em diante. O campeão será quem tiver o maior número de vitórias, independentemente do resto. Uma decisão estúpida, a meu ver, que criará situações atípicas e anti-competitivas ao longo da temporada. Alguém esqueceu de avisar aos donos da categoria que a tal competitividade não ocorre só na briga entre primeiro e segundo, mas em todas as posições, e uma vez que a quantidade de pontos passe a não determinar o campeão, teremos pilotos de ponta abdicando de uma prova ao perceberem que não podem vencê-la. A solução óbvia para se incentivar o duelo pela primeira posição seria aumentar a diferença de pontos entre primeiro e segundo para três ou quatro, em vez de dois. Isso já seria o bastante para fazer candidatos ao título arriscarem uma colocação confortável pelo posto mais alto do pódio. Não tenho bola de cristal, mas acho que essa foi uma mudança de regra incrivelmente equivocada e que pode estragar uma temporada que estava prometendo.

O jornalista Flavio Gomes comenta a decisão em seu blog.


Tuesday, March 10, 2009

Watchmen - um clipe metido a filme



Sou fã da série Watchmen dos quadrinhos. Li há pouco tempo e achei fantástica. A "Graphic Novel" de Alan Moore e David Gibbons tem tal relevância no mundo dos gibis e da ficção, que recebeu honrarias dedicada à pérolas da literatura. É a única HQ a constar na lista das 100 maiores obras literárias em língua inglesa escritas desde 1923, elaborada pelos críticos da revista Time, por exemplo. Com isso, choveram intentos para adaptar Watchmen à telona. Entre os candidatos, Terry Gilliam, que até tentou, mas achou a história intransferível devido à características fortemente relacionadas à midia original. Além disso, o enredo é longo e profundo, com histórias dentro de histórias dentro de histórias, todas densas, concatenadas e repletas de mensagens subliminares que nos fazem ingressar num mundo vivo, vibrante e que diz muito sobre a modernidade e a década em que foi escrito. Não foi por acaso que levaram vinte anos para transformar Watchmen em filme.

O desafio era imenso; os fãs da série, exigentes. Desconfiança pairava no ar, mas os primeiros sinais de recepção foram favoráveis. Críticos de alto calibre como Pablo Villaça, de quem sou fã, elogiaram o filme, como também o bonequinho do globo e outras mídias especializadas. Dos fãs, resposta igual, e apesar de minhas desconfianças (uma vez que assisti ao trailer e também fiquei ciente de quem dirigia o projeto), pensei que, no fim, fosse concordar com a opinião hegemônica de que, ao menos como versão, Watchmen, o filme, era bom. Desencanei e desembolsei dezesseis reais por uma cadeira no Roxy de Copacabana, esperando me divertir.



O longa começa. Empolga-me, o início. O Comediante era parecido com o do quadrinho e sua morte seria encenada em vez de insinuada em flashes como na HQ. "Ok. No problem". Veio a primeira luta e meus temores ganharam forma. Sim, as tais piruetas de enquadramento girando em 360 graus enquanto a imagem alterna lentidão com rapidez estavam acontecendo de novo, exatamente como naquele filme sobre espartanos, como é mesmo o nome? Ah, "300". Do mesmo diretor, não é? Ignorei-as e perdoei o virtuosismo besta me distraindo da história. O comediante quebra o vidro, a câmera pára e gira e volta e close no smiley ensangüentado quicando no chão. Com cinco minutos de filme, a empolgação inicial dá lugar ao tédio. Sim, aquilo era mais ou menos o que meus maus pressentimentos temiam. "300" com roupa de super-herói. Alan Moore não merecia isso.



Watchmen, o filme, é um fracasso. Terry Gilliam faria melhor. O roteiro precisou ser mudado e adaptado à curta duração do projeto e nisso os responsáveis mostraram empenho. Muitos diálogos do quadrinho estão lá, linha por linha, ou com passagens inseridas em outras falas. Flashbacks foram enxugados ou realocados, preservando suas sub-tramas básicas dentro do possível. O enredo do filme, embora enxuto e diferente, mostra-se fiel ao gibi, e talvez tenha sido isso a me revoltar mais que tudo, ver falas que eu tão bem conhecia mudando de contexto a ponto de "desdizer" o que diziam no quadrinho. A aparente fidelidade da adaptação funcionando como um álibi para que Zack Snyder, "o virtuoso", fizesse seu videoclipe de duas horas e meia sem importunações. E é isso que Watchmen é. Um clipão chinfim de duas horas e meia amparado por falas supostamente geniais desprovidas de um contexto que as faça dizer o que querem.

A HQ funcionava em níveis múltiplos de percepção, mas o filme se mantem no nível 1. Cada quadro precisa ser tão impactante quanto uma capa de revista. Mas uma sinfonia não pode ser tocada no apogeu do início ao fim. Musicalmente, ela deve "contar uma história", assim como Watchmen deve contar uma história, e uma história tem etapas, tem introdução, apogeu, conclusão... No caso de Watchmen, vai além, mas possui altos e baixos e nuances e silêncios reflexivos que fazem um emaranhado de elocubrações e situações ganharem sentido. Snyder ignora isso. Para ele, tanto faz se é um filme de faroeste, espartanos machistas de sunga ou super-heróis aposentados às vésperas do armagedon, o que vale é manter o espectador em contínuo deslumbre visual, olhos gozando a cada granulação de frame, cada salto, coreografia, gota caindo do cabelo meticulosamente esvoaçante do protagonista. Não há tempo ou espaço para pausas dramáticas, silêncios reflexivos, "ascendente e descendentes" que permitam a devida ingestão do que os diálogos propõem. As falas do roteiro têm de dar espaço ao exagero estético que nunca "afrouxa" e, por isso, mal se ouve o que é dito ante o show de estímulos. Talvez fosse melhor que não houvesse falas.


Chego a pensar nesse filme como um atentado à grandeza do quadrinho. Excedo-me? Duvido. Snyder pegou os diálogos de Moore e os anulou. Fez com que trabalhassem em prol do que questionavam. A crítica aos tempos republicanos, a Reagan, às visões unilaterais e suas conseqüências, às inversões de valores de uma sociedade doente que gera gente como Rorschach e o Comediante, "guardiões" de um mundo "torto", tudo isso virou apologia e brincadeira na mão de Snyder, como também a violência, presente na HQ, mas não de modo gratuito, gerando-nos, por isso, impacto e empatia com personagens e situações. No filme, não há empatia, ou humanismo, ou pontes que nos permitam entrar na história, pois não há história, só uma seqüência vazia de eventos.



O filme é um simulacro bidimensional do quadrinho. A morte do anão se finge fiel à obra, mas só quer mostrar sangue, maldade, maldade divertidinha. O Coruja não se choca com a atitude do ex-colega. Apoia-o numa careta como se dissesse "hell, yeah, kill this motherfucker" por dentro; o mesmo prazer mórbido dos espectadores que acharam engraçado quando Rorschach picou a cabeça de um assassino com um cutelo. "A seqüência foi quase igual ao quadrinho, com uma mísera diferença!" brada a mim um fã, no que respondo: Não. Não foi "igualzinha" ou quase. Fingiu que era. Simulou para legimimar o que Snyder queria que o público quisesse ver. A porrada, o braço cortado, o sangue digital que é "super maneiro, cara!". Esse Watchmen é um pornô onde os diálogos só prestam para entremear a ação que todo mundo espera. Mas a "ação" da HQ se dava "dentro da ação" ou onde ela não existia, uma "ação" que ocorria em nossos interiores pelo que não podíamos deixar de pensar, sentir, associar, na relação com o que a história nos comunicava. O psiquiatra só aparece no filme para que o filme nos diga que ele aparece, como uma penca de personagens, falas e seqüências dispensáveis; para que os fãs exclamem: "Ih, olha lá o psiquiatra da HQ! Ih, agora a seqüência das figuras! Ih, vai falar do cachorro agora, olha o cachorro, ih, legal, sinistro, assim desse jeito!" Nada acontece que não seja para justificar o lusco-fusco, o "verdadeiro filme de Snyder" como obra cult ou algo mais que um mero videoclipe.



Se entivesse vivo, Baudrillard consideraria a associação entre o longa e a HQ uma alegoria muito melhor de seu "Simulacros e Simulações" do que Matrix, onde se adorava citar o filósofo nos bastidores. As atuações em Watchmen seguem caminho idêntico. À exceção dos momentos de raiva, ironia, etc, as emoções são sempre em falsete; os personagens nada sentindo. São eles, não os atores, os verdadeiros intérpretes. Psicopatas interpretando humanos. Psicopatas simulando choque, tristeza ou compaixão a cada necessidade do enredo. Suas verdades interiores estampadas na máscara mórbida que, quando podia, deixava transparecer o material sádico e impassível do qual era feita.

Talvez o fato de poucos perceberem isso, que a mim parece óbvio, seja um sinal de que a doença que Moore denunciou em sua obra tenha contaminado o consenso público. Estamos mais rorschachiados e comediantizados do que nossos predecessores. Esses filmes e nossa aceitação deles refletem isso. Watchmen é a "grande piada" do Comediante Snyder para os Rorschachs dentro de nós.



Não creio que não existam qualidades no filme, mas estas são inofensivas frente ao desastre do conjunto. Para não dizer que odiei tudo, penso que um esboço de trama ameaçou dar as caras nos minutos finais, e de repente as falas moveram-se nas tumbas, levantaram-se, ameaçaram fazer-se valer e lutar contra o exagero visual pela atenção do espectador, estrebucharam e desfaleceram, pois era tarde e o estrago estava feito. Tecnicamente, muitas das soluções do roteiro adaptado fizeram sentindo (há falhas também), incluindo o fim alternativo, que precisou de menos retrospectos que o fim original requeriria, parecendo-me eficiente.

Tenho mais a falar de Watchmen, para o bem e para o mal, porém o choque negativo pela escolha do diretor, por sua interpretação do trabalho de Moore e pelo fato de tantos não terem exposto sua mediocridade me fez querer "botar para fora" em palavras e deixar de lado questões mais específicas do roteiro ou desse e daquele ator. Sei que não sou dono da verdade, e também não quero posar de politicamente correto, ou anti-estético, ou anti-violência, que para mim pode ser um recurso ótimo, desde que nas mãos certas, quer críticas ou sádicas. Um projeto como Watchmen merecia um diretor comprometido com a essência da trama.



Snyder é péssimo. Exagero por exagero, sanguinolência, impacto, porrada... prefiro Tarantino ou Rodrigues. Nenhum dos três faria Watchmen, dependendo de mim, mas Tarantino sabe diferenciar filme de videoclipe e Snyder não.




Nota posterior do autor: Escrevi este texto ontem (9/3) e o publiquei aqui na última madrugada. Sei que 90% da crítica apoia o filme, mas, aos poucos, vou descobrindo opiniões de fãs e especialistas com visões parecidas com a minha. Há minutos, esbarrei com um comentário de Isabela Boscov, da revista Veja, que tem muito a ver com o que escrevi. Para quem quer conferir o que ela disse, basta clicar aqui.